Três Dimensões | 11-02-2026 07:00

“O mercado imobiliário na região está louco”

“O mercado imobiliário na região está louco”
TRÊS DIMENSÕES
Maria João Varela está há duas décadas no sector imobiliário - foto O MIRANTE

Maria João Varela, 48 anos, entrou no ramo imobiliário por acaso, mas ficou por vocação. Soma duas décadas de carreira. Natural de Alenquer e a residir no Carregado, a consultora imobiliária está agregada à Remax de Alverca do Ribatejo e está praticamente todos os dias na agência da Póvoa de Santa Iria.

Sou natural do concelho de Alenquer e estudei aqui. Morei nos Casais da Marmeleira e actualmente moro no Carregado. Aos 19 anos, quando terminei o 12.º ano, comecei a trabalhar no laboratório de uma fábrica. Dois anos depois saí e fui secretária numa empresa. Há cerca de vinte anos entrei no mercado imobiliário, primeiro como coordenadora, trabalho de secretária. Mais tarde entrei numa nova agência, mas em Arruda dos Vinhos, já como consultora imobiliária. Como essa imobiliária tinha extensão na Póvoa de Santa Iria, passei para lá, onde estou actualmente.
A minha entrada no ramo imobiliário foi um acaso. Entrei como administrativa, que era o que achava que ia fazer o resto da vida. Mas, depois de ter entrado como consultora, vejo que é aquilo que quero fazer, por vários motivos. Há uma componente humana de que gosto muito, que é ajudar o próximo. Depois, o trabalho é diversificado, nunca faço a mesma coisa, não é monótono.
Para ser consultor imobiliário, na minha opinião, é preciso ter valores humanos e honestidade. Hoje em dia, com aquilo que se vai ouvindo falar dos casos que andam por aí de burlas, a honestidade é muito importante, tal como a empatia. Além disso, temos de ter bastante conhecimento e acompanhar o mercado, que está sempre a mudar. Trabalho muito a componente humana e, desde que começaram a aparecer as situações de burla, sugiro sempre aos clientes fazermos contrato de promessa de compra e venda dos imóveis com reconhecimento de assinaturas.
Trabalho muito com o passa-a-palavra, com clientes que me vão recomendando e passando a familiares e amigos. Faço um acompanhamento muito preciso, personalizado. E gosto de especificar, passo a passo, o que vai acontecer na venda ou compra de casa, para a pessoa ter noção e confiar. O momento mais desafiante para mim foi quando me mudei para a Remax. Já me estava a sentir muito estagnada e queria crescer. E foi mais desafiante porque aprendi novas coisas e a dinâmica que a marca tem por ser pioneira em Portugal. Não estudei leis, mas tenho de estar minimamente informada, mesmo tendo os nossos advogados. Quando cheguei, esse foi um desafio.
Identifico-me mais com pessoas que estão a vender a casa ou a comprar a sua primeira casa. Não me identifico muito com empresas, porque têm um perfil mais frio e eu sou mais humana. Quando não somos nós, as coisas não fluem. Tenho vários clientes especiais. Estou a lembrar-me de um senhor já de idade avançada que queria vender a casa, mas tinha dívidas. Tive de o ajudar a pagar as dívidas e a pedir um pequeno empréstimo e arranjar-lhe a casa certa para ele não ficar na rua. São essas coisas que me marcam.
Sinto-me muito realizada. Falo com colegas que já estão saturados do sector imobiliário, porque há alturas boas e más no mercado, mas eu sinto-me feliz, porque realmente gosto daquilo que faço. Noventa por cento dos agentes imobiliários são mais comerciais. Eu, se tiver de deixar de fazer algo para ajudar um colega ou um cliente, vou fazê-lo. Se tiver de dizer ao cliente que não é este o momento certo para vender ou comprar, eu vou fazê-lo.
O mercado imobiliário na região está louco (risos). É um mercado galopante e tudo o que entra no mercado tem saída. O facto de Lisboa estar muito cara fez com que conseguíssemos aumentar o preço por metro quadrado e está muito promissor. Quem quiser vir viver a 30 km de Lisboa, o concelho de Alenquer é a zona ideal. Mas os preços têm tendência para estabilizar. Se fosse ministra, permitia que mais zonas pudessem ter mais habitação e construção. É baixar um bocadinho o custo da mão-de-obra e o IVA para ter mais construção. As novas construções são mais rápidas e, em termos energéticos, mais eficientes. O facto de se construir mais rapidamente não significa que a habitação não tenha em conta a eficiência energética.
No caso dos jovens, não têm taxa de esforço que permita comprar uma primeira habitação, mesmo que tenham direito a 100% de financiamento por parte dos bancos. Um casal, mesmo com 30 anos, com dois ordenados mínimos, se calhar não pode comprar uma casa acima dos 200 mil euros. E nesta zona, a esse preço, ainda é possível. O primeiro passo é fazer a viabilidade financeira.
Fora da minha actividade profissional, tento ir o maior número de vezes ao ginásio. Gosto de sair com amigos, estar em casa a ler um livro ou a ver uma série. Já não tenho paciência para andar em bares à noite, mas gosto muito de ir a um jantar ou fazer um jantar com amigos em casa. Também gosto de fazer caminhadas. Gosto de comer bem e sou um pouco gulosa, mas não tenho nenhum prato favorito. À noite faço jantares mais leves e com sopa. Só não sou capaz de comer coelho.
Na minha profissão é muito complicado estar de férias e desligar. O telefone está sempre a tocar e há sempre e-mails para enviar. Não tiro 15 dias de férias, mas, por exemplo, uma semana e meia ou um fim-de-semana prolongado. Mas não vejo problema nisso. Daqui a dez anos imagino-me a fazer a mesma coisa. Com uma vida um bocadinho mais equilibrada, com menos azáfama.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias