Três Dimensões | 08-04-2026 10:00

João Custódio: “Trabalho e persistência são o caminho para tudo”

João Custódio: “Trabalho e persistência são o caminho para tudo”
TRÊS DIMENSÕES
João Custódio é gerente da empresa Madeiras Custódio e Filhos, da Parreira, Chamusca - foto O MIRANTE

Natural da Parreira, no concelho da Chamusca, João Pedro Custódio, 47 anos, cresceu entre os valores do mundo rural, a proximidade da família e o fascínio pelas máquinas. Engenheiro mecânico de formação, com percurso profissional ligado à indústria, logística e sector florestal, é hoje gerente da Madeiras Custódio e Filhos.

Nasci na Parreira, no concelho da Chamusca, e foi nessa terra que dei os primeiros passos, fiz a escola primária e vivi uma infância de que guardo memórias muito felizes. Cresci num meio rural, simples e genuíno, onde havia liberdade para brincar, contacto com a terra e uma forte ligação às pessoas. Essas raízes acompanharam-me sempre e, de certa forma, continuam a definir muito daquilo que sou. Embora resida em Santarém há cerca de 25 anos, mantenho uma relação muito próxima com a Parreira. Os meus pais continuam a viver lá e a sede da empresa da família também ali se encontra, por isso vou com frequência à terra que me viu crescer.
Desde cedo tive uma enorme curiosidade pelas máquinas. Lembro-me bem de, em miúdo, dizer que queria ser “engenheiro de máquinas”. Era uma expressão simples, própria da idade, mas revelava já uma inclinação muito clara para aquilo que mais tarde viria a ser o meu percurso académico e profissional. Esse gosto levou-me a seguir Engenharia Mecânica, uma escolha exigente, mas profundamente alinhada com aquilo que sempre senti.
A universidade foi um dos maiores desafios da minha vida. Entrei num curso de cinco anos muito rigoroso, onde começámos 56 alunos e apenas quatro chegaram ao fim. Ter conseguido concluir o curso e fazer parte desse pequeno grupo foi, para mim, um motivo de enorme orgulho. Mais do que um diploma, foi a prova de que, com esforço, disciplina e persistência, conseguimos ultrapassar obstáculos que à partida parecem demasiado difíceis.
O meu percurso profissional começou numa indústria de conservas, em Peniche, mas cedo surgiram oportunidades noutras áreas. Uma das experiências que mais me marcou foi a passagem pela SONAE, onde aprendi muito e tive o privilégio de contactar com profissionais de grande competência. Mais tarde, surgiu a oportunidade de ingressar na área da logística, numa empresa do grupo Mota-Engil, através do projecto Portugal Logística e das plataformas logísticas. Ao longo do tempo, também tive contacto com a área florestal através de empresas de referência como a Altri e a Navigator, onde encontrei bons quadros, bons profissionais e pessoas com quem pude aprender bastante.
Apesar dessas experiências, nunca deixei de acompanhar a actividade da empresa da minha família, ligada ao sector florestal. Hoje, mais dedicado a essa área, vejo-a como um sector exigente, mas muito interessante. É uma actividade onde se aprende constantemente, onde é preciso capacidade de adaptação e onde o conhecimento prático e técnico se cruzam todos os dias. Tem desafios próprios, como tudo o que está ligado ao mundo rural e à floresta, mas também uma enorme importância económica e social.
Se pensar nas pessoas que mais me influenciaram ao longo da vida, penso imediatamente nos meus pais. Foram eles que me transmitiram os valores que considero essenciais e que procuro levar comigo em todas as circunstâncias. O meu pai, em particular, teve um papel decisivo ao incentivar-me a continuar a estudar. Acredito que, sem essa insistência, talvez tivesse seguido outro caminho mais cedo, provavelmente mais ligado ao trabalho prático com máquinas. Da minha família trouxe valores que considero inegociáveis: a honestidade, a humildade, o respeito pelos outros e a importância de manter sempre uma conduta correcta.
Com o passar dos anos fui mudando. Hoje considero-me uma pessoa mais tranquila, mais serena e com uma maior capacidade para relativizar os problemas. A formação, as experiências profissionais e as próprias vivências da vida ajudam-nos a ganhar perspectiva. Aprendemos a perceber melhor o mundo, os outros e até as nossas próprias limitações.
Quando olho para a terra onde cresci e para tantas outras localidades do interior, vejo desafios muito concretos. O mundo rural enfrenta dificuldades, sobretudo porque muitos jovens acabam por sair para as grandes cidades, à procura de oportunidades. Isso fragiliza as comunidades mais pequenas. Ainda assim, continuo a acreditar no valor destas terras e das pessoas que nelas vivem. Há muita gente trabalhadora, empreendedora e capaz de fazer a diferença.
Nos tempos livres, gosto sobretudo de estar com a família e com os amigos, de aproveitar os momentos de convívio e de simplicidade. Quanto aos sonhos, acho importante nunca deixar de os ter. À medida que vamos conhecendo melhor o mundo, percebemos que há sempre novas metas, novas ambições e coisas que gostaríamos ainda de fazer ou alcançar. Se tivesse de deixar um conselho aos mais novos, diria que sejam empenhados, dedicados e persistentes. Nem sempre as coisas acontecem à primeira e muitas vezes é preciso insistir, cair e voltar a tentar. O trabalho e a persistência são o caminho para tudo.

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