“Não há diferenças significativas entre um medicamento de marca e um genérico”
Natural de Samora Correia, Tânia Barrocas construiu o seu percurso profissional na área farmacêutica, conciliando o rigor técnico da profissão com uma forte componente humana no cuidado ao próximo. Licenciada em Ciências Farmacêuticas, escolheu esse caminho ainda no ensino secundário, influenciada pelo gosto pela química e por professores que marcaram positivamente o seu percurso académico. Desde 2023 que integra o Grupo Varela e actualmente é directora técnica da Farmácia Moderna.
Quando era pequena sonhava ser professora de matemática, mas o meu primeiro emprego foi numa farmácia em Alhandra onde estive 13 anos. Quando cheguei ao décimo ano não sabia bem o que queria fazer embora gostasse muito de química. Sempre fui muito boa nessa disciplina e acabei por decidir seguir ciências farmacêuticas. Um bom professor faz a diferença no percurso profissional das pessoas. Cheguei ao Grupo Varela em Maio de 2023 e sou directora técnica da Farmácia Moderna, que fica no estacionamento do LIDL no Carregado. Esta é uma excelente localização, com um grande estacionamento e boas acessibilidades. O nosso grupo farmacêutico já tem oito farmácias aqui na zona.
Uma directora técnica é, acima de tudo, uma farmacêutica. Realiza de tudo um pouco, desde o atendimento ao público aos testes bioquímicos. Tem também uma componente de organização, de gestão do trabalho da equipa, da gestão das folgas, etc... É um trabalho de que gosto. Fui mãe há pouco tempo e se me perguntasse há dez meses se era fácil conciliar o trabalho com o papel de mãe eu diria que não era difícil (risos). Mas depois, com mais uma criança, torna-se realmente tudo mais desafiante de gerir. Sou muito feliz no meu emprego, gosto muito de trabalhar no Grupo Varela e tenho aqui uma equipa maravilhosa, com bom ambiente, numa farmácia luminosa, bonita, moderna e com excelentes acessos.
Gosto muito de viver em Samora Correia, mas já foi uma terra mais tranquila. Desde a pandemia começou a aparecer muita gente vinda das grandes cidades a procurar a calma e a tranquilidade do campo. Samora Correia acabou por se tornar mais movimentada. Gostava que a cidade tivesse mais resposta ao nível do pré-escolar, porque há uma grande falta de vagas nos infantários e creches. Samora Correia cresceu muito em população e nem sempre a resposta social acompanhou as necessidades.
Nem quero pensar na chegada do novo aeroporto a Samora Correia. Pode ser que, ao menos, melhorem os acessos porque a cidade está a ficar muito congestionada. Está estrangulada. Seja em que direcção vá há sempre imenso trânsito. O trânsito precisa de ser revisto. Já sobre o aeroporto não sei ainda o que pensar, espero que as melhorias que traga superem o que se poderá perder.
Ainda vai havendo dinheiro para medicamentos mas a vida não está fácil. Aqui na Moderna não noto, mas noutros locais, há uns anos, sentia muita gente dependente das reformas, geralmente baixas, para conseguir levantar os medicamentos. Pessoas que a primeira coisa que faziam quando recebiam a pensão era ir à farmácia. Agora há mais apoios do Estado para as pessoas mais carenciadas, incluindo alguma medicação gratuita, e isso facilita o acesso à medicação.
A farmácia Moderna do Carregado abriu portas em Fevereiro de 2024 e as coisas têm corrido muito bem. Adoro ver a satisfação dos nossos clientes quando lhes damos conselhos que dão bons resultados. Muita gente que nos visita, por vezes, só precisa de uma palavra de carinho e de ser ouvida. Há muitos idosos isolados, que já perderam familiares, e há quem apenas passe aqui para nos cumprimentar. Ser farmacêutico não é só vender medicamentos. É dar humanidade e conforto a quem precisa. Espalhar empatia e carinho. Os medicamentos que vendemos aqui também se vendem noutras farmácias. O que temos de diferente é a alegria e cuidado com que atendemos quem nos procura. O cuidado com o cliente faz toda a diferença. A falta de empatia tira-me do sério.
Fui mãe há nove meses e o meu filho nasceu no Hospital Vila Franca de Xira. Fico muito triste quando vejo o que está a acontecer com as urgências de obstetrícia e ginecologia. No dia da mãe o meu filho mais novo esteve doente, num domingo, e quando cheguei às urgências pediátricas estavam fechadas. Tive de ir para o privado. É triste esta situação. Está tudo a ficar centralizado e isso não é bom. Para nós, em Samora Correia, ficamos quase a 40 minutos do Hospital de Loures. É muito complicada esta situação.
Férias para mim é na praia, embora se for para a zona de montanha goste de uma praia fluvial. Sou uma mulher feliz e não tenho redes sociais. A minha vida melhorou desde que acabei com elas (risos). Ainda assim sou muito dependente do telemóvel, porque apesar de não ter redes sociais estou sempre contactável, seja para ver as notícias ou contactar com os colegas para alguma eventualidade.
Ao contrário da crença popular, não há qualquer diferença entre um medicamento de marca ou genérico. A única diferença, a existir, é nos excipientes, não na substância activa que é o que efectivamente faz efeito. Os excipientes servem apenas para dar forma ou consistência aos medicamentos. Os genéricos para entrarem no mercado têm que passar estudos que comprovem a sua bioequivalência, ou seja, que no organismo façam o mesmo efeito. A segurança clínica está assegurada. Eu aconselho genéricos a menos, claro, que o cliente pretenda o contrário.


