“Vila Franca de Xira tem feito um bom trabalho a valorizar o seu potencial turístico”
Isabel Louro é assistente de direcção no Lezíria Parque Hotel de Vila Franca de Xira, o único hotel do concelho e um dos principais quatro estrelas da região. Defende a seriedade, o compromisso e o respeito pelas pessoas como pilares da liderança, acreditando que colaboradores motivados são a chave para um serviço de excelência. Nos últimos anos o hotel consolidou-se como referência na região, apostando no mercado corporativo, eventos e turismo de lazer. Destaca o crescimento turístico de Vila Franca de Xira, impulsionado pelo Colete Encarnado e pela proximidade a Lisboa, vendo na região um enorme potencial.
Vim para Vila Franca de Xira há muitos anos como chefe de secção e sou da zona de Santarém. Há três anos foi-me proposto este desafio. Encaro o meu trabalho como uma missão onde o objectivo é sempre servir bem quem nos visita. Aqui ninguém chega, pica o ponto e vai embora. Há um grande envolvimento e empenho em todas as tarefas. Vivo muito de perto o que faço e abraço com entusiasmo todos os desafios. O dia a dia da hotelaria é sempre desafiante. Quando era pequena não tinha um emprego de sonho. Há pessoas que pensam logo em ser uma determinada profissão mas eu nunca fui assim. Entretanto apaixonei-me pela hotelaria e por esta profissão e não me vejo a fazer outra coisa. Não parece mas é uma área bastante desgastante a nível psicológico, pessoal e profissional.
A idade traz um conhecimento diferente que nos permite começar a gerir melhor os nossos horários. Durante muitos anos não conseguia desligar do trabalho, mas agora consigo gerir melhor as coisas. Quando saio não fico totalmente desligada, estou sempre disponível a qualquer momento para os colegas e já aconteceu ter de vir ao hotel de madrugada. Mas sinto que consigo gerir melhor as coisas.
Hoje já praticamente nada me tira do sério. A idade e a experiência dão-nos uma bagagem que nos permite gerir melhor a parte emocional e não nos sentirmos desgastados facilmente com as situações. Se me pergunta se é mais fácil ser o gestor ou o visitante, claro que é ser o visitante. E tudo começa na recepção, é o primeiro sítio que o cliente vê e o último quando parte. Tem uma carga importante de responsabilidade. Não sou obcecada pela perfeição mas não quero com isso dizer que não sou exigente. Sou uma profissional que se adapta às situações com alguma facilidade. Não sou inflexível, nem nas situações, nem na capacidade de aprender. Quando trabalhamos com pessoas e para pessoas, acho que não podemos ser demasiado rígidos. Temos de ser adaptáveis, flexíveis, temos de nos saber adaptar às pessoas e às situações. Por norma não exijo aos outros aquilo que não exijo a mim própria. Por norma sou mais exigente comigo do que com os meus colegas.
Não tenho um destino de sonho, mas quero visitar a Escócia este ano. Não tenho viajado muito e tenho ficado essencialmente em Portugal, por isso esta vai ser a minha primeira grande viagem. Mas tenho alguns locais que me marcaram pela positiva, como Monsanto, a aldeia onde rodaram alguns episódios da Guerra dos Tronos. É uma zona lindíssima. Braga também me surpreendeu pela positiva.
Orgulhamo-nos de ser o hotel de Vila Franca de Xira e o único grande hotel a norte da capital. O hotel abriu em Junho de 1992 e foi construído como hotel de três estrelas, nem sequer tinha restaurante nessa altura. Foi feito com 71 quartos, dos quais quatro eram suites. Com a venda do hotel, em 2008, passou a fazer parte do Grupo Continental, que fez obras de remodelação profunda, ampliando a capacidade de ocupação, passando a ter 103 quartos. Temos hoje quartos grandes para alojar uma família com dois filhos, por exemplo, embora a grande maioria dos nossos quartos seja para ocupação até duas pessoas. Quando acabámos as obras de remodelação fizemos nova candidatura e conseguimos passar a ter quatro estrelas.
Somos um hotel muito vocacionado para o mercado corporativo, que é o nosso principal foco. No Verão, claro, temos muita ocupação do turismo de lazer, influenciado pelo crescimento turístico que o país e Lisboa têm tido nos últimos anos. Somos um factor de empregabilidade no concelho. Felizmente temos taxas de ocupação muito elevadas e trabalhamos muito bem a restauração, ao nível dos banquetes e isso obriga-nos a ter uma equipa estável a trabalhar connosco. Temos depois, claro, os picos sazonais em que necessitamos de mais mão de obra.
Ultimamente sentimos um aumento na ocupação nos períodos tradicionais, como a festa do Colete Encarnado, mas nem sempre foi assim. Lembro-me de anos, no passado, em que as únicas pessoas que recebíamos eram os forcados e os toureiros que vinham actuar. Isso tem mudado nos últimos anos, sobretudo nos mais recentes, depois de ter havido uma maior aposta turística no Colete Encarnado. As festas têm ganho uma grande notoriedade além da nossa fronteira regional. Este ano, por exemplo, vieram imensos estrangeiros. Uns ficaram aqui e outros não, porque quem vem ao Colete Encarnado não vem apenas pela festa, vem por toda a envolvente: o rio, a cidade e, claro, a proximidade com Lisboa. O Colete Encarnado mudou muito nos últimos anos e isso tem chamado mais pessoas. Hoje em dia é uma festa onde todos se misturam, convivem, há animação, concertos, comida de rua. O conceito do Colete Encarnado mudou e isso ajuda a atrair um número maior de pessoas.
A nossa região tem imensa procura mas temos de saber potenciá-la. Temos o Colete Encarnado, a paisagem, estamos perto de Lisboa, nos Caminhos de Santiago, perto do EVOA. Há muito potencial turístico na região. Na generalidade, Vila Franca de Xira tem feito um percurso positivo na afirmação de ser um destino a visitar. A forte aposta nos eventos desportivos, como o mundial de paratriatlo que traz a VFX atletas de todo o mundo, também é muito positiva.
Seriedade é um dos meus valores principais, sem ela não temos credibilidade. Estou neste hotel há 24 anos e conheço clientes de uma vida, que gostam muito de nós e isso encanta-nos e deixa-nos muito felizes. Na vida como no trabalho tem de haver seriedade naquilo que estamos a fazer. Tem que haver compromisso com o bem-estar e a satisfação do cliente. Mas também o bem-estar dos colaboradores. Queremos que quem trabalhe connosco goste de o fazer e retribua essa felicidade para os nossos clientes. Sem colaboradores motivados e que se sintam bem no trabalho uma empresa não anda para a frente. Eles são o rosto da empresa, uma peça motriz indispensável na actividade de qualquer unidade.
VFX estar inserida no turismo de Lisboa em vez da Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo é uma velha questão. Para mim faz sentido estar inserida no Turismo de Lisboa. Na Bolsa de Turismo de Lisboa, VFX tem um stand próprio e por isso não perde a sua identidade. Estarmos associados ao Turismo de Lisboa dá-nos mais notoriedade e visibilidade. Lisboa é o destino turístico de Portugal por excelência em termos metropolitanos. Nunca poderemos rivalizar com Sintra ou Cascais, mas podemos dormir em Vila Franca de Xira, num espaço tranquilo e mais económico que a capital, e depois visitar todas essas zonas, temos comboio e excelentes acessos e não temos taxas turísticas como em Lisboa.


