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Corrosivo Serafim das Neves

Ando preocupado com a possibilidade de ver o material bélico que tenho em casa ser fotografado em cima de uma mesa, com um cartaz da PSP à frente e exposto em sites da internet de carácter informativo e recreativo, ao lado dos mais recentes implantes mamários de uma famuda (famosa e mamuda) qualquer. Um dia destes vi em três ou quatro jornais uma fotografia que até parecia ter sido tirada na minha despensa e deu-me cá uma arritmia que até tive que ir beber uma cerveja para acalmar. Querem ver que já cá andaram em casa a fazer o mostruário, pensei eu. Eu tenho um canivete suíço, um jogo de facas de cozinha klarstein Katana que são excelentes para cortar bifes tipo sola de sapato, uma pressão de ar que comprei na adolescência e que guardo apesar de estar toda escavacada porque me faz lembrar o tempo em que não me doíam as articulações mesmo quando dormia no chão. Tenho também uma sachola que uso para desbastar as ervas daninhas que teimam sufocar seja o que for que eu cultive na horta, um rolo de fita adesiva, algumas balas que o meu velhote trouxe da guerra de África e que na altura se usavam penduradas por um fio de prata ao pescoço e um martelo de orelhas com que me entretenho por vezes a martelar as cabeças dos dedos em vez das cabeças dos pregos. Se algum vizinho lhe dá na cabeça de fazer queixa às autoridades ainda me entra a brigada dos crimes perigosos pela cozinha adentro a arrebanhar tudo para o monte que irá ser fotografado e publicado como notícia de última hora com aquele título da ordem. “Sexagenário apanhado com arsenal de guerra”. Vais ver que ainda sou constituído arguido e publicam a notícia com aquela foto minha que tu tens no Facebeook em que eu apareço em calções e tronco nu como um “Tarzão” a rosnar para cima de uma travessa de gambas. O mundo está perigoso. Olha só o que aconteceu ao Convento de Cristo. Foi para lá um energúmeno qualquer fazer um filme e escavacou aquilo tudo. Pelo que li em jornais de grande credibilidade, alguns dos quais até têm jornalistas que foram ao local quando andavam na escola, não ficou pedra sobre pedra nem telha sobre telha. Foi tudo raso. Foi tão grave que deu origem à abertura de seis ou sete inquéritos parlamentares e de oito ou nove telejornais. E o pior é que o Governo também vai atacar...o assunto. Já não falando em deputados e autarcas. Eu por mim até já coloquei um post a dizer”Je suis Convento de Cristo!”. O Primeiro Ministro foi a uma escola da Barquinha e o presidente da câmara aproveitou para revelar ao país que foi ali que começaram os descobrimentos. Disse ele, baseado em documentos credíveis, que nunca teríamos dobrado o Cabo Bojador sem as barcaças que foram feitas em Punhete. Em Punhete, vê lá tu!! Acho que era assim que se chamava a coisa naqueles tempos. Só fiquei com uma dúvida. As tais galeotas, como ele lhes chamou, terão partido do cais Dr. Miguel Pombeiro? As eleições locais são só em Outubro mas já estão a dar água pela barba à Comissão Nacional de Eleições. Apesar do calor chove bem por aquelas bandas. Chuva de queixas e queixinhas que nem te conto. O que vale é que a malta lá da Comissão não dorme em serviço e corta a direito. Ainda a semana passada mandou a Câmara de Torres Novas tirar uns cartazes que falavam de obras para que os eleitores não fossem influenciados a votar no partido que está no poleiro. Eu cá por mim acho bem. E digo mais, os presidentes oportunistas até deviam ser proibidos de fazer obras durante os seus mandatos para não contaminarem as mentes tenrinhas dos cidadãos que, como se sabe, se deixam endrominar como anjinhos quando lhes cantam certas cantiguinhas. Saudações eleitorais Manuel Serra d’Aire

Edição de 14.06.2017 | Emails do Outro Mundo

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