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Apostas. Jovens enfrentam um regime duro e exigente
Secundária de Rio Maior ajuda atletas a conciliar estudos e alta competição
Unidade de Apoio ao Alto Rendimento é uma das quatro que funcionou no país durante este ano lectivo.
Edição de 14.06.2017 | Sociedade

Quando chegam à primeira aula da manhã, António Pinto, António Mendes e Tiago Costa já percorreram vários quilómetros dentro de água. Nenhum dos atletas é da região de Rio Maior, mas todos têm algo em comum. Residem no Centro de Estágios de Rio Maior e integram o projecto-piloto lançado no início deste ano lectivo pelo Ministério da Educação que resultou na criação de Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola (UAARE) em quatro escolas do país, entre elas a Escola Secundária de Rio Maior. A intenção é ajudar atletas de alta competição a conciliar a preparação desportiva com bons resultados escolares.
O balanço deste programa é “positivo”, refere o secretário de Estado da Juventude e Desporto, durante a inauguração oficial da UAARE da Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira, em Rio Maior, na tarde de segunda-feira, 5 de Junho, revelando que a taxa de aproveitamento escolar dos alunos no final deste terceiro período é de 92%.
António Pinto, de 17 anos, do Porto e António Mendes e Tiago Costa, de 18 anos, de Lisboa, a frequentar o 11.º e 12.º ano fazem parte desses casos de sucesso, apesar de se queixarem que é difícil gerir o tempo para estudar, sobretudo quando ele é muito escasso. “Aproveitamos para estudar na pausa do almoço ou antes de nos irmos deitar”, conta António Mendes. Já Tiago Costa admite que as dificuldades passam mais pela compreensão dos professores por, muitas vezes, “acharem que não fazemos porque não queremos”.
Enaltece ainda a introdução para o próximo ano do ensino à distância, sobretudo no período em que os atletas estão fora e não conseguem acompanhar as matérias das disciplinas. Os três atletas pretendem ingressar no ensino superior. Em relação às áreas, apenas Tiago Costa não tem dúvidas sobre o que quer seguir: Engenharia Informática.
Este projecto-piloto, além da Escola Secundária Dr. Augusto César da Silva Ferreira, em Rio Maior, está a funcionar também na Escola Fontes Pereira de Melo, no Porto, na Escola Amélia Rey Colaço, em Linda-a-Velha, e na Escola Secundária de Montemor-o-Velho. Em cada uma foi constituída uma equipa pedagógica que envolve o director, o professor acompanhante, o psicólogo da escola e os professores das disciplinas e os professores de apoio.
Luís Pereira de Deus, professor acompanhante da unidade de Rio Maior, conta que neste momento são 16 os alunos que integram este projecto - 13 são do Centro de Alto Rendimento (CAR) de Natação, 2 do triatlo e um do basquetebol. “Já foram 18, mas houve duas que saíram no primeiro período”, adianta. “Só os atletas do CAR Natação treinam entre 22 horas a 34 horas por semana e depois, com todas as horas lectivas por semana, “é um regime muito complicado”. Neste momento, enumera, “temos alguns alunos de Lisboa, da Marinha Grande, do Porto, de Vila Nova de Famalicão e de Olhão”.
“Para o próximo ano lectivo serão nove os estabelecimentos de ensino que integrarão este projecto, nomeadamente de Guimarães, de Gaia, de Ponte de Sôr e de Lisboa”, adiantou João Rebelo. O ensino à distância será outra das novidades para o ano lectivo 2017/2018.

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