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Emigrou para a Suíça depois de um desgosto de amor
António Cunha vive em Genebra há 36 anos - foto DR

Emigrou para a Suíça depois de um desgosto de amor

António Cunha deixou Constância com 17 anos e fez toda a sua vida em Genebra. António Cunha emigrou ainda jovem quase por impulso. Um telefonema que atendeu por acaso mudou-lhe a vida. Estava a passar um mau bocado a nível sentimental e ofereceu-se logo. Num ápice convenceu os pais e em poucos dias já estava a trabalhar num hotel na Suíça.

Edição de 05.04.2018 | Tão Longe e Aqui Tão Perto

António Cunha tinha 17 anos e estava a tentar ultrapassar um desgosto amoroso quando surgiu a oportunidade de trabalhar num hotel em Genebra, na Suíça. O jovem de Constância atendeu um telefonema, que era para o seu pai, de uma pessoa que queria saber de alguém que estivesse interessado em trabalhar na semana seguinte naquele país. “Perguntei imediatamente se essa pessoa para trabalhar podia ser eu e disse-me que sim. A partir daí a tarefa mais complicada foi convencer os meus pais a autorizarem-me porque na altura era menor”. Foi tudo muito rápido porque a proposta chegou numa quinta-feira e no sábado seguinte já estava a embarcar para começar a trabalhar na segunda-feira.
A aventura em terras helvéticas, onde ainda reside, começou a 21 de Junho de 1981. Os primeiros tempos não foram fáceis. Começou a trabalhar num hotel, onde tinha como tarefa lavar as casas-de-banho e aspirar os corredores. “Tinha de fazer o trabalho bem feito senão as orelhas assobiavam com os gritos da chefe”, brinca. Actualmente, com 54 anos, António é director adjunto numa empresa de construção civil. Confessa que a adaptação não foi fácil e que se sentiu muito sozinho e com saudades da família. A barreira da língua também foi difícil de ultrapassar uma vez que não falava francês. “Mesmo tendo estudado francês não sabia manter um diálogo. Foi com a ajuda de amigos em Genebra que consegui aprender a falar mais ou menos”, conta.
O mais difícil para o emigrante foi deixar a família e os amigos em Constância. “Não posso dizer que foi a melhor opção porque felizmente não precisava de emigrar. Eu não estava nada preparado para viver sozinho e tão longe, onde não tinha família que me pudesse apoiar. Mas com o tempo habituamo-nos a lidar com a saudade. Foi uma decisão que tomei na hora porque não estava feliz e precisava de uma mudança. Surgiu a oportunidade e agarrei-a, mas também não me arrependo de ter vindo porque o retorno financeiro aqui na Suíça vale a pena”, afirma.
Além da barreira da língua, o mais difícil na sua adaptação foi a falta da família e da comida a que estava habituado em Portugal. “Não há comida como a portuguesa. Podem acreditar porque sei do que falo. Senti sempre muita falta das iguarias do nosso país”, admite.

Durante as férias adora contemplar o Tejo

António tem duas filhas, Carina, de 30 anos, que vive em Portugal, no Entroncamento, com a mãe, e Leila, de 19 anos, que vive em Genebra. Gosta de tirar uns dias de férias em Constância para descansar e, rever velhos amigos e familiares. “Adoro sentar-me no bar e ficar a contemplar o Tejo, a beber umas imperiais e não pensar em mais nada. Também gosto de ir comer umas enguias fritas à Golegã e uma caldeirada de enguias em Aveiro, onde também tenho família, ou um leitão à bairrada. Visitar a campa dos meus pais é uma obrigação, tal como passar nem que seja uma vez pela praia da Nazaré. É paragem obrigatória”, realça, acrescentando que esteve alguns anos sem visitar Portugal mas que agora o faz várias vezes por ano, embora não seja fácil devido ao seu trabalho.
António Cunha não coloca de parte a hipótese de regressar definitivamente a Portugal, mas só depois de se reformar. Acompanha o que se passa em Portugal através das redes sociais, jornais e televisão. António garante que as maiores diferenças entre Portugal e Suíça se notam sobretudo ao nível da política. “Os governantes portugueses deveriam aprender e tirar muitas lições com os políticos na Suíça, onde não há corrupção. A mentalidade suíça não é do agrado de todos, mas não posso esquecer que foi o país que me acolheu, me deu trabalho e uma qualidade de vida que não sei se teria no meu país”, reflecte. Diz que as principais vantagens para quem vive na Suíça são a nível económico e de saúde, onde existe um excelente apoio e acompanhamento. “Para viver a vida, com praia e bom tempo, não há melhor país do que Portugal”, conclui.

Emigrou para a Suíça depois de um desgosto de amor

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