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Descargas de suinicultura afectam exploração de cabras em Abrantes
Ana Alves diz que animais morreram devido à contaminação do pasto pelos dejectos dos suínos

Descargas de suinicultura afectam exploração de cabras em Abrantes

Proprietária queixa-se que os seus terrenos de pastagem são contaminados com dejectos da pecuária vizinha.

Edição de 19.04.2018 | Sociedade

A proprietária de uma exploração de caprinos suíços (cabras) situada na Quinta da Amieira, nas proximidades de Abrantes, diz-se desesperada com as descargas de esgotos feitas por uma suinicultura vizinha numa linha de água que passa pela sua propriedade e que quando transborda contamina os pastos em volta. Ana Alves refere a O MIRANTE que a situação se arrasta há nove anos e diz que já lhe morreram animais devido à contaminação do pasto pelos dejectos dos suínos. A última descarga aconteceu no dia 9 de Abril.
Ana Alves refere nessa ocasião que os esgotos acumularam-se, a céu aberto, alagando uma área considerável. O cheiro até queimava a garganta, conta. O pequeno ribeiro para onde são despejados os dejectos atravessa a Quinta da Amieira e vai desaguar ao rio Tejo, entre a Barca do Pego e o Casal das Mansas.
A proprietária chamou as autoridades e a PSP de Abrantes compareceu no local e tomou conta da ocorrência. As descargas desta suinicultura já não são de agora, segundo a queixosa. A 16 de Janeiro de 2018, Ana Alves foi notificada, pelo Ministério Público, que o inquérito-crime tinha sido arquivado pela não existência de indícios quanto à autoria dos factos denunciados, salientando que não foi possível recolher uma amostra liquida.
Ana Alves diz que chegou a pedir ajuda à Câmara de Abrantes mas depois de estar “oito meses à espera de uma reunião com a presidente”, Maria do Céu Albuquerque, esta acabou por lhe dizer que a autarquia não podia fazer nada.
O caso voltou novamente à câmara pela mão do vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, que solicitou esclarecimentos à presidente, que foi “curta e grossa” ao afirmar que a câmara não tinha nada a ver com o caso. “Esta é uma responsabilidade do Ministério do Ambiente e das entidades tuteladas por este”, disse Maria do Céu Albuquerque.
Ana Alves refere a O MIRANTE que já por várias vezes ficou com os terrenos completamente inundados por esgotos. Sem água canalizada, a proprietária da exploração de cabras diz que tem uma mina de água contaminada e que ela e o filho já tiveram de ser hospitalizados por terem bebido aquela água.
Acrescenta que gostaria de aumentar a exploração que neste momento é de apenas nove cabras e duas ovelhas mas teme a morte de mais animais por comerem erva contaminada. A proprietária refere que quando suspeita da existência de descargas tem de manter os animais em cativeiro, o que aumenta os custos de alimentação com rações. O leite que fornecia para o Grupo Saloio há muito que deixou de ser vendido. Ana Alves, que vivia da exploração, acabou por ter de ir trabalhar noutras áreas para conseguir sobreviver e conseguir pagar as despesas para manter o negócio.
O MIRANTE tentou contactar alguém responsável pela suinicultura mas os telefonemas foram sempre atendidos por um funcionário que não quis passar o telefone a ninguém responsável e recusou-se sempre a facultar o número dos donos da exploração.

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