Opinião | 03-06-2024 18:34

Alverca não dorme por causa dos aviões e habitantes temem pela saúde

Alverca não dorme por causa dos aviões e habitantes temem pela saúde

São 3 horas e 20 minutos da madrugada e os aviões continuam a passar, perfeitamente impunes e indiferentes à insónia de cada um. Os Alverquenses não podem continuar calados quando um verdadeiro cataclismo se abate sobre eles.

Desde o dia 16 do passado mês de Maio, que está insuportável viver em Alverca do Ribatejo. Se já não era bom em diversos aspectos, ficou pior.

O tráfego de aviões em voos demasiado baixos, passou a ser contínuo: desde madrugada, durante o resto do dia, à noite e até de madrugada. No espaço de alguns minutos (afirma-se de quatro em quatro), passa um avião sobre as nossas casas. Não se consegue ter descanso.Conforme informações públicas, a situação deve-se ao facto do «novo sistema implantado pela NAV Portugal (Point Merge), de reduzir, principalmente, os atrasos dos voos no Aeroporto de Lisboa.» O acordo terá sido formalizado após negociações com o presidente do Conselho da Administração da NAV Portugal, Pedro Ângelo e o director de Procedimentos Aeronáuticos, Rui Marçal.

Perante este acordo, em que situação ficam as populações?! Gostaria de saber que posição tomou a Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo para defender a cidade e os seus habitantes. Coloco a mesma pergunta à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, perante a intervenção de Nuno Libório, vereador da CDU, residente em Alverca, que afirmou, na última reunião pública da Câmara, realizada no dia 29 de Maio passado, «terem as alterações decididas pela NAV vindo a resultar num forte impacto sonoro em Alverca”. Querendo ainda saber em que medida a Câmara tem conhecimento da situação e se já tentou intervir junto da NAV. “Este impacto sonoro, que não existia, tem a ver com a altitude e os trajectos aéreos agora adoptados. A Câmara tem que estar em cima do acontecimento, que faz com que Alverca esteja a ser confrontada com impactos sonoros gravíssimos”, sustentou. A intervenção do autarca não chegou a ter resposta do presidente da edilidade, Fernando Paulo Ferreira (PS).

Uma vez que Alverca do Ribatejo pertence ao distrito de Lisboa, e de acordo com o que é público, tal permissão terá tido o apoio político de António Costa, ainda em funções. Não tenho conhecimento de que o nosso País tenha estado à venda, ou que tenha sido comprado por estas entidades. Portugal não é apenas céu e espaço aéreo. Por baixo dele está a Terra e os seus habitantes. Está, por exemplo, Alverca do Ribatejo! Com esta negociação acordada entre a discrição dos gabinetes, quem ficou a ganhar e quem ficou a perder? Algo está mal, muito mal. A poluição sonora e ambiental é terrivelmente prejudicial ao ser humano, um deles, em relação ao aumento inaceitável dos níveis de ruído.

E aqui, surge outra pergunta: o que se torna mais importante, encurtar o trajecto para o Aeroporto de Lisboa, entre outros pormenores de pouca relevância, em proveito da NAV, ou a preservação da saúde dos habitantes de Alverca do Ribatejo? Principalmente, das crianças (incluindo as que esperam por nascer), dos jovens que frequentam as nossas três grandes escolas, duas delas do Ensino Secundário, em prejuízo da sua concentração durante as aulas, e dos idosos em residência permanente nos cinco Lares existentes, três deles situados no centro da cidade.

São 3 horas e 20 minutos da madrugada e os aviões continuam a passar, perfeitamente impunes e indiferentes à insónia de cada um! É urgente fazer alguma coisa!

A NAV Portugal não pode ficar a ganhar, num jogo de gabinetes do qual nem sequer sabemos se houve contrapartidas – que, neste caso, não podem nem devem ser colocadas sobre a mesa. A saúde das pessoas está acima de todo e qualquer acordo, de toda e qualquer contrapartida!

Os Alverquenses não podem continuar calados quando um verdadeiro cataclismo se abate sobre eles. Quando a sua saúde está em causa e o seu repouso nocturno (fundamental) é grandemente afectado!

Apenas porque a NAV decidiu activar os seus novos sistemas, entre os quais o mais fútil, ridículo e descabido de todos – o dos aviões (e respectivos passageiros) chegarem um pouco mais cedo ao Aeroporto de Lisboa.

Soledade Martinho Costa

(Escritora, residente em Alverca do Ribatejo)

Nota: A GRAVIDADE DAS PARTÍCULAS ULTRA FINAS EMANADAS DOS AVIÕES

«Investigação feita por Margarida Lopes do Departamento De Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, alerta «para o problema e o perigo das partículas ultra finas expelidas pelos aviões: «São bastante prejudiciais para os pulmões, mas não só, porque passam para a corrente sanguínea e daí chegam a qualquer parte do corpo», disse a investigadora. De acordo com as conclusões, as partículas dos aviões (…) – que são 700 vezes mais finas do que um fio de cabelo (…) têm sido associadas a doenças neurológicas e a problemas no desenvolvimento fetal e cognitivo das crianças.»

(Excerto de um artigo publicado por Ricardo Farinha)

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