
Museu Etnográfico da Ribeira de Santarém abre para mostrar ao mundo a comunidade local
Museu conta com objectos recolhidos e doados por cidadão, exemplificativos da vida e trabalho no mundo rural, no rio Tejo e na economia doméstica. Vai funcionar através de visitas guiadas proporcionadas em horário a definir em conjunto por Rancho e Junta de Freguesia da Ribeira.
Objectos relacionados com a agricultura, a pesca e navegação no rio Tejo e vestes típicas estão entre os artigos em exposição no Museu Etnográfico da Ribeira de Santarém. O espaço, inaugurado recentemente, pretende perpetuar o património cultural da freguesia ribeirinha do Tejo junto à capital de distrito. Dois barcos de pesca à vela ocupam o espaço central da sala de exposição. Do lado da economia doméstica, há uma mesa farta com chouriço, pão e azeitonas ao lado do típico garrafão “palhinhas”, enquanto uma figurante vai confeccionando magusto. Das mãos da costureira vai saindo uma toalha e, mais adiante, um homem vai retirando os grãos de milho das maçarocas com a ajuda de um competente escarolador de manivela. Três pescadores vão desemaranhando as redes dentro dos barcos de pesca. O espaço é pequeno mas está repleto de objectos e utensílios que retratam outras épocas.As recolhas couberam a Manuel Menino, director do Rancho da Ribeira, com o apoio de António Nabais, que ajudou a montar a exposição, Aurélio Lopes, Luís Romão e Bertino Coelho Martins. “Este é um momento alto para o Rancho da Ribeira, de poder apresentar uma casa como esta. Em conjunto com a junta de freguesia vamos definir horários para visitas guiadas ao fim-de-semana por escolas, idosos e outros grupos de pessoas. Sendo nosso, este é um museu da Ribeira de Santarém”, garantiu o director do rancho lembrando que em 2011 se prescindiu de realizar o 26.º festival de folclore para concentrar todas as energias e meios no projecto do museu.Com algumas modas cantadas e tocadas na sala de ensaios, que serviu de espaço para a sessão solene, os convidados foram unânimes em reconhecer a mais valia que o museu representa para a Ribeira de Santarém mas também para a região e o país. A secretária da Junta da Ribeira, Ofélia Maia, sublinhou o esforço desenvolvido pelo rancho ao longo de 39 anos, que culmina com a requalificação e acolhimento no local que sempre o albergou, a Casa da Portagem. Fernando Lopes, representante do Inatel de Santarém, e Daniel Café, da Federação do Folclore Português, lembraram o contributo que o museu dá para a preservação da comunidade local e da cultura popular.António Nabais, da Associação Portuguesa de Museologia, salientou a qualidade e o afecto com que o espaço foi montado e os objectos recolhidos, lembrando que é preciso que a sinalética em Santarém dê o devido destaque ao novo museu, enquanto Ludgero Mendes, etnógrafo, destacou o carácter de Manuel Menino para que o objectivo de abrir o museu fosse atingido. Em representação da Câmara de Santarém, a vereadora Catarina Maia elogiou o projecto museológico e considerou que esse pode ser o primeiro passo para a caminhada de fazer renascer a Ribeira de Santarém e um abrir de portas aos habitantes antigos que partiram e têm agora mais motivos para visitar a sua terra e até regressar.

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