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“A nível desportivo Torres Novas está na idade da pedra”

As relações entre o Clube Desportivo de Torres Novas e a câmara são inexistentes

João Martins foi convidado pelo presidente da câmara para assumir a presidência do Clube Desportivo de Torres Novas. Depois de eleito enfrentou dificuldades financeiras que levaram inclusivamente à penhora do pavilhão desportivo do clube, situação que tem tentado resolver com a ajuda da autarquia. Isto apesar das relações com o presidente da câmara serem “inexistentes”.

Como é que o empresário João Martins aparece à frente do Clube Desportivo de Torres Novas?Da primeira vez que aceitei dirigir o Torres Novas foi a convite do presidente da câmara, António Rodrigues. Agora esta segunda vez respondi a um abaixo-assinado que correu entre os sócios, onde me pediam para voltar, para tirar o Torres Novas da situação aflitiva em que se encontrava. O clube estava em vias de fechar portas.Foi convidado pelo presidente da câmara. Mas as relações com o presidente e com a autarquia não são muito boas.Não são boas nem más, são inexistentes. A que se deve essa situação?Não sei bem a que se deve esta situação. Há um conjunto de factores que levaram o presidente da câmara a não encarar o desporto como uma acção importante para a cidade e para o concelho. A câmara há três anos que não atribui subsídios aos clubes e deve ser o único concelho da região em que isso acontece. Não é um problema do Clube Desportivo de Torres Novas é de todos os clubes do concelho. Lamentamos esta forma de trabalhar do presidente, porque a nível desportivo Torres Novas está na idade da pedra.Isso não se fica a dever ao facto de se dizer que a vinda de João Martins para o Torres Novas seria o trampolim para uma candidatura a presidente da câmara?É verdade que se diz isso. Mas eu não tenho nem nunca tive qualquer actividade partidária. Ocupo este lugar porque me pediram para ajudar o Torres Novas. E estou de uma forma totalmente equidistante da política e dos partidos. Toda a comissão administrativa está no Torres Novas de uma forma desinteressada, o nosso único compromisso é com o clube e proporcionar as condições para a prática desportiva de mais de 500 jovens que diariamente treinam e jogam nas várias modalidades do clube.O presidente do Clube Desportivo de Torres Novas tem que investir do seu bolso para levar o clube para a frente?Sim, é verdade. Ao contrário do que muita gente pensa o investimento não é demasiado forte. É um investimento para colocar o Torres Novas onde merece, que é no nacional. É verdade que as receitas não chegam. Há um défice mensal de mil e poucos euros e é esse défice que eu tapo com o meu apoio.PROBLEMAS FINANCEIROS E PAVILHÃO PENHORADOQuando aceitou dirigir o clube já sabia que havia problemas financeiros?Sim. Sabia que existiam dívidas grandes. Neste momento o passivo total junto do fisco é de cerca de 90 mil euros. Mas há ainda outras dívidas a jogadores e treinadores de grande envergadura.É por isso que o clube tem o pavilhão desportivo penhorado?É por isso mesmo. Inclusive continua em hasta pública, mas até agora não apareceu ninguém interessado. É uma pena que este bem não possa ser aproveitado para a cidade de Torres Novas porque foi avaliado pelas Finanças em pouco mais de 400 mil euros e nós atempadamente propusemos à câmara que nos comprasse o espaço por metade desse preço. Até ao dia de hoje nem resposta recebemos da autarquia.A proposta de compra pela câmara foi feita ainda no tempo da sua primeira passagem pelo clube?Sim. E nessa altura a dívida era de pouco mais de 50 mil euros. Nunca recebemos qualquer resposta e a situação agravou-se.Não insistiram com a autarquia?Voltámos a insistir. Mas sem êxito.Essas dívidas são do tempo em que o presidente da câmara ainda fazia parte dos corpos gerentes do clube?Sim. O “Totonegócio” é respeitante a dívidas ao fisco dos anos noventa, altura em que o presidente António Rodrigues era presidente da direcção. Mas o bolo maior é dos anos de 2004 a 2006 altura em que a direcção era liderada por Manuel Piranga, que era ao mesmo tempo chefe de gabinete do presidente da câmara.É de estranhar, também por isso, que não haja uma resposta da câmara para ajudar a resolver o problema.Sem dúvida que sim. Temos esperança que por um conjunto de circunstâncias possa haver um entendimento a curto prazo em relação ao Pavilhão Matias Pedro, não sabemos bem ainda em que moldes. Esperamos que o bom senso prevaleça e consigamos fazer qualquer coisa que seja aceitável para o Clube Desportivo de Torres Novas e para a câmara. Mas temo que a teimosia do presidente se arraste e com ele uma boa parte do património da cidade.Mas há também dívidas a jogadores e treinadores dessa altura?Os problemas actuais do Torres Novas devem-se essencialmente a uma gestão, tenho que dizer, danosa, que impedem inclusivamente o clube de inscrever a equipa de futebol sénior, por dívidas a dois treinadores e dois atletas que estiveram cá no tempo em que António Catarino, também ele ligado ao grupo de António Rodrigues, esteve à frente da direcção. Sem querer alimentar qualquer tipo de celeuma, as pessoas sabem as circunstâncias como essa direcção apareceu e foi eleita.O que é que aconteceu realmente?O que aconteceu foi que essas pessoas estiveram catorze meses à frente do clube e derreteram-no como nunca ninguém antes o tinha feito. E agora sobra para aqueles que cá estão a tentar levar o clube para diante.Sobra porquê?Porque temos que pagar. É triste ver a forma com tudo decorreu e perguntamos onde estão essas pessoas agora. As pessoas que estavam nessas direcções têm neste momento altas responsabilidades na vida diária de Torres Novas. Tentaram sair despercebidas, mas deixaram cá um monte de problemas que era superior a 80 mil euros. Aumentar em catorze meses o passivo de um clube em 80 mil euros é desastroso, é mesmo criminoso.Disse numa festa de aniversário que ponderava agir judicialmente contra essas pessoas. Não fui eu que disse, foram os sócios que em assembleia-geral mandataram a comissão administrativa para se marcar uma outra assembleia com vista a que os sócios deliberem se deve ou não ser accionada uma acção judicial para que essas pessoas sejam responsabilizadas pelo mal e prejuízos que causaram ao clube. Essa assembleia será marcada oportunamente.Um empresário de sucesso que voltou a Torres Novas João Martins, nasceu em Torres Novas no dia 19 de Abril de 1963. Engenheiro de telecomunicações electrónicas é o principal accionista de um grupo empresarial muito vasto com representação a vários níveis de actividade, como produção de químicos e tintas, construção cívil, artes gráficas e publicidade e comércio de automóveis. É a este trabalho que dedica a sua vida profissional. É natural de Torres Novas, licenciou-se no Politécnico de Zurique, na Suíça, regressou a Portugal e radicou-se em Lisboa com a sua esposa. No ano 2000, e já com três filhos, a esposa, também natural da cidade torrejana, propôs-lhe voltarem para Torres Novas, para darem uma melhor qualidade de vida aos filhos. Não hesitou e assim se radicaram na cidade natal.Todos os dias se desloca para Lisboa e regressa. As viagens dão-lhe tempo para pensar nos negócios e nas associações que dirige em Torres Novas. João Martins é presidente da direcção do Clube Desportivo de Torres Novas e presidente da assembleia-geral do Clube torrejano, a associação mais antiga da cidade.É um adepto do futebol, benfiquista de gema, e sofre um bocado com isso pois na comissão administrativa do clube torrejano os sportinguistas estão em maioria e nas alturas de menor qualidade não deixam de lhe massacrar a cabeça.O pouco tempo que lhe resta de todas estas actividades é dedicado à família e faz um pouco de equitação para manter o contacto com a natureza. Os três filhos jogam basquetebol no Clube Desportivo de Torres Novas.Pagar dívidas a jogadores e treinadores para inscrever equipaComo é que a actual comissão administrativa consegue resolver o problema, quando se sabe que as dívidas a jogadores e treinadores são impeditivas de inscrever a equipa de futebol e jogadores em provas oficiais?Dia 10 de Setembro vai haver uma festa organizada por uma comissão de angariação de fundos que saiu da assembleia geral. Há outras pessoas que estão a fazer peditórios. Há um outro grupo que está a trabalhar junto das empresas para angariar apoios. É a trabalhar que estamos a tentar reunir verbas para fazer face a essas dívidas.Há também a possibilidade de acordos com esses jogadores e treinadores?Não, já não há. Já fizemos essa abordagem ao advogado que representa essas quatro pessoas, o que é uma grande curiosidade, para vermos se era possível pagar por três ou quatro vezes, mas não houve hipóteses de acordo. Os dois treinadores garantem que querem receber tudo até ao último tostão, não querem nenhum acordo. É mais uma tentativa de boicotar o vosso trabalho?Com certeza que é. Mas há pessoas que de alguma maneira não merecem que se perca tempo com elas. Porquê uma comissão administrativa e não uma direcção?É muito simples. Atendendo à lei quadro do desporto que existe em Portugal, uma direcção é responsável pelas dívidas que cria e por aquelas que venham a ser apuradas. Uma comissão administrativa tem os seus direitos limitados, mas também os seus deveres são mais restritos. Só podemos ser responsabilizados por aquilo que provocamos. Como esta comissão nos últimos dois anos não só não aumentou o passivo, como tem vindo a pagar, devagar mas tem vindo a pagar, as dívidas que as outras pessoas cá deixaram, estamos mais salvaguardados em relação à possibilidade de vermos os nossos bens arrolados para pagar dívidas que não fizemos.Como é que sem apoios tem conseguido desenvolver o património desportivo do clube?Mesmo sem qualquer tipo de apoio das entidades oficiais, nem mesmo moral, de qualquer entidade pública, temos conseguido desenvolver um trabalho de grande qualidade. Neste momento são mais de meio milhar de atletas a praticar desporto no Clube Desportivo de Torres Novas. A época passada vencemos a Taça do Ribatejo, o único título de nível distrital que o clube ainda não tinha ganho, e nem assim tivemos o reconhecimento ou a presença de qualquer responsável político da cidade. Acha isto normal? Deus escreve direito por linhas tortas, talvez um dia recebam a paga do que estão a fazer ao clube mais representativo da cidade e um dos mais conceituados da região. Algum dia alguém vai ter que explicar essa omissão.Apesar de tudo isto, não vai deixar o clube até estar novamente nos nacionais?Não digo isso assim. Se aparecer alguém que eu veja que é mais competente do que eu não hesitarei em apoiá-lo, porque o grande problema que temos é não dar valor ao mérito das outras pessoas. Gostaria de deixar o Torres Novas no nacional, mas isso pode também ser através de outras pessoas.Como é a vossa relação com a Associação de Futebol de Santarém?A relação com a direcção da associação é boa. No entanto existem órgãos na associação que não estão talhados nem têm competência para lá estar. Não é certamente a direcção, que tem feito um esforço tremendo para ajudar os clubes, mas não tem órgãos equilibrados. É necessário fazer um reequilíbrio no funcionamento de alguns órgãos para que não se criem assimetrias e problemas complexos de gerir, como eu acho que acontece na associação. Espero e desejo que isso seja corrigido num curto espaço de tempo.Está a referir-se a que órgãos?Não seria correcto e elegante falar em nomes publicamente. Os dirigentes da associação sabem a opinião do Torres Novas e do seu presidente, já o comunicámos em reuniões de assembleias-gerais. Não é nosso timbre vir para a praça pública falar mal de quem quer que seja, porque todos somos poucos para levar o projecto do futebol no distrito para a frente. Seria possível uma candidatura de João Martins à presidência da associação?Não. Nunca podemos dizer que desta água não beberei. Mas neste momento é quase impossível que isso possa acontecer. Responsáveis do Torres Novas apostam numa equipa experiente para relançar o clube a nível nacionalOs dirigentes do Clube Desportivo de Torres Novas, assumem directamente, que querem regressar esta época aos campeonatos nacionais e para isso, formaram com tempo, um grupo de trabalho muito forte.Contrataram um treinador com provas dadas no concelho de Torres Novas e que conhece bem o futebol do distrito - Frederico Rasteiro - e reforçou-se com jogadores experientes. O técnico está confiante no valor dos atletas, e assume directamente que a prioridade é garantir um lugar nos seis primeiros da primeira fase. Garante que a equipa vai lutar em todos os jogos pelos três pontos, para garantir esse direito de disputar o título.Para chegar a um dos seis lugares de acesso à luta pelo primeiro lugar, o Clube Desportivo de Torres Novas manteve onze jogadores da época passada. Contratou 10 jogadores, a maior parte atletas muito experientes e habituados a jogar em equipas de maiores ambições e juntou-lhes ainda três ex-juniores do clube.É o caso de Saul, Carioca, Miguel Luz, Rui Galrinho e Pedro Galrinho (todos ex-Riachense), Alison (ex-Alcanenense), Messi (ex-Monsanto), João Martins (ex-União da Serra), Fábio (ex-Pombal), Djanini (ex-Anadia), e os ex-juniores do Torres Novas, João Sá, Ricardo Major e David.Da época passada ficaram onze jogadores. Os que interessavam ao projecto colocado em curso pela direcção e treinador. Miranda, Ayrton, Fredy, Mário Nelson, Martin Portela, Paulo Nuno, Pereira, Pedro Pelarigo, Rui Carvalho, Telmo, Ricardo Branco, são os resistentes. Uma mescla de jogadores experientes e jovens, muitos deles oriundos das camadas jovens do clube.“Com este grupo de trabalho penso que estão criadas as condições para que o Torres Novas consolide a sua posição na Divisão de Honra, e consiga mesmo lutar pela vitória nas duas mais importantes competições da Associação de Futebol de Santarém”, disse o treinador Frederico Rasteiro, que ao mesmo tempo não escondeu a alegria de continuar a treinar no distrito de Santarém e num dos mais carismáticos clubes da região.A actual comissão administrativa, chefiada por João Martins que retomou a gestão dos destinos do Clube Desportivo de Torres, garante que a prioridade é continuar a reorganizar o clube e a manter a aposta na melhoria das infra-estruturas. “Mas isso não impediu a contratação de jogadores com qualidade e experiência para reforçar a equipa e partirmos para esta época com mais ambições”, disse um dos dirigentes, que prometeu todo o apoio à equipa técnica e jogadores. “Temos um grupo equilibrado capaz de lutar para dignificar o clube”, garantiu.A equipa técnica é liderada pelo ambicioso técnico Frederico Rasteiro, que volta a ter Nando Costa como adjunto. O técnico garantiu que todo o grupo vai trabalhar muito e bem para atingir os seus objectivos. Mostrou-se satisfeito com os reforços que integram o grupo de trabalho. “São jogadores com provas dadas que colmatam bem as saídas do plantel. Assumimos com clareza que queremos vencer todos os jogos, sabemos que isso não vai ser fácil, porque existem outras equipas com iguais ambições”, garantiu assumindo que não vai ser uma tarefa fácil, face à competitividade que vai existir no campeonato deste ano.“Vamos trabalhar por objectivos, traçámos metas importantes e queremos atingi-las. Primeiro queremos ficar no melhor lugar possível dos seis primeiros da primeira fase, para que depois possamos lutar pelo título. Queremos também vencer a Taça do Ribatejo, mas temos consciência de que outras equipas se apetrecharam bem para entrar nessa luta. Por nós não tenho dúvida de que vamos fazer o nosso trabalho e esperar que seja forte e dê os resultados que desejamos”, disse Frederico Rasteiro.

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