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A réplica custou mais a fazer que os barcos originais

A réplica custou mais a fazer que os barcos originais

Na inauguração do Museu Etnográfico da Ribeira de Santarém, realizada na tarde de domingo, Crispim Dinis, antigo pescador avieiro, ofereceu, para ficar em exposição, uma réplica miniatura de um antigo barco à vela, com cerca de 50 centímetros de comprimento. Aos 86 anos de idade, o natural de Alfange, que chegou a construir barcos a sério, garante que a réplica lhe custou mais a fazer que os originais. Feita de contraplacado, a miniatura foi oferecida ao museu na pessoa de Manuel José Menino, director do Rancho Folclórico da Ribeira de Santarém.Neto e filho de avieiros da Vieira de Leiria, Crispim Dinis explicou a O MIRANTE como eram feitos os tradicionais barcos que também serviam de casa em certas alturas do ano. “Eram feitos com pinho e freixo. Começava-se por se fazer o fundo com a colocação das tábuas, cruzam-se as travessas para se pregar o fundo. Depois faziam-se os braços e estava pronto o esqueleto, antes de se pregar nova madeira”, explica, não se esquecendo de lembrar que toda a matéria-prima era primeiro moldada na serração. Os barcos duravam quatro a cinco anos em contacto com a água. Quando a mãe enviuvou tinha ele oito anos e mais dois irmãos. Apanhavam sável, saboga, enguia, fataça, enguia e barbo para vender a dois escudos o quilo. “O pescador vende sempre o melhor peixe e come o pior”, recorda. As agulhas de fazer as artes da pesca expostas do museu, cada qual com a sua diferença, foram também da sua autoria.Crispim Dinis fez vida de avieiro até aos 24 anos. Serviu em casa de pescadores e navegou o Tejo até Abrantes. Casou, trabalhou na construção civil como carpinteiro, actividade que ainda hoje domina, e passou pela antiga Hidráulica do Tejo durante 28 anos, onde tinha como função escolher o locais do rio para as diferentes medições. Crispim Dinis foi um dos moradores de Alfange afectados com a derrocada das barreiras e desde então fixou-se na aldeia de Santana, no Cartaxo. Uma aldeia avieira à beira da chamada vala real. Ricardo Carreira
A réplica custou mais a fazer que os barcos originais

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