
Jovem de Vialonga conquistou medalha de ouro na Tailândia
Malyck Tavares obteve o título de Campeão do Mundo de Muay Thai no país de onde é originária a modalidade e agora está pronto para novos desafios
Há grandes diferenças entre a Baiyoke Tower II em Banguecoque, capital da Tailândia e a Torre 8 no Bairro da Icesa em Vialonga, freguesia de Vila Franca de Xira. Também há disparidades entre o jovem que aos 18 anos foi condenado em três anos de pena suspensa devido a um assalto e o homem de 26 anos que se tornou Campeão Mundial de Muay Thai. No entanto, tudo acabou por se conjugar na vida de Malyck Tavares, o atleta criado em Vialonga que no dia 20 de Março arrecadou o título mundial amador desta arte marcial na categoria -81 quilos.A jornada até ao título não foi fácil. Malyck trabalha no armazém dos CTT e foi assim que conseguiu arrecadar cerca de 1500 euros para conseguir ficar três semanas na Tailândia. O lutador chegou, treinou e venceu. “Estive duas semanas a treinar com os tailandeses para adquirir mais experiência. Mesmo que não tivesse trazido o título só a viagem já valia a pena”, confessa.O amor pela Muay Thai nasceu de uma brincadeira entre amigos no Pavilhão da Maranhota, em Vialonga, aos 23 anos. “Quando comecei nem pensava em competir, apenas em divertir-me um bocado”, conta. O jovem de Vialonga entusiasmou-se e procurou mais ensinamentos junto do mestre Rui Molero, na Póvoa de Santa Iria. “O mestre foi e continua a ser muito importante para a minha vida. Com ele evoluí bastante e se hoje estou a um bom nível devo-o também a ele”. Malyck dedicou-se ao Muay Thai e progrediu rapidamente.Há seis meses que treina em Alcântara com a equipa de Dina Pedro, campeã mundial de Kickboxing por cinco vezes. Entre cerca de 60 alunos, Malyck foi um dos seis escolhidos para representar Portugal no campeonato do mundo na Tailândia e confia em Dina para gerir a sua carreira. “Já recusamos um combate que nos ia dar cinco mil dólares porque consideramos que ainda não estava no meu melhor nível para enfrentar o adversário”, diz o jovem.Na Tailândia tudo é diferente. Tal como o futebol no nosso país, o Muay Thai é para as crianças tailandesas mais pobres uma forma de subir na vida. “O que os miúdos tailandeses fazem em Banguecoque é inacreditável. São muito evoluídos”, admira. Malyck enfrentou três adversários em menos de uma semana e o último combate foi dos mais difíceis da sua vida. O seu ponto forte são os pontapés e as mazelas das lutas anteriores acumularam-se até ao dia final assim como o stress permanente do controlo de peso.Para Malyck, o título não é nada mais do que um reconhecimento pelo seu sacrifício numa modalidade que não distingue o advogado do empregado da construção civil. “No ringue somos todos iguais, todos vestimos os mesmos calções e esforçamo-nos para o mesmo”. Treina todos os dias, ora de manhã, ora a noite, e tenta conjugar o exercício físico com o horário de trabalho das 24h00 às 5h00. “Não é fácil, às vezes chego só a dormir cinco horas para conseguir estar nos treinos”, refere.Antes do título mundial e dos campeonatos nacionais que foi conquistando ao longo do percurso, Malyck também fez más escolhas. Apanhado num assalto, foi condenado por três anos de pena suspensa e ainda apanhou uma multa. “Foi uma má fase da minha vida. Está ultrapassada”, garante.Neste momento só pensa em singrar no Muay Thai e assumir-se como profissional nos campeonatos internacionais. O sonho é competir numa grande evento em Las Vegas ou no Japão e só lamenta a falta de reconhecimento e de apoio que se tem em Portugal. Em pouco mais de três anos, Malyck Tavares fez com que a distância entre o sucesso e o fracasso aumentasse. Agora luta diariamente para se manter em primeiro sem esquecer de onde veio mas com a noção que o mundo está aí, à espera dele.

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