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“As Artes do Pormenor” de Glória do Ribatejo estão em exposição

Várias peças feitas à mão, desde bonecas a lenços, taleigos ou toucas, encontram-se em exibição na Casa do Povo da vila
Edição de 30.09.2015 | Cultura e Lazer
“As Artes do Pormenor” é uma exposição promovida pela Associação do Rancho Folclórico da Casa do Povo da Glória do Ribatejo que exibe peças feitas à mão, como bonecas, lenços bordados e outras, criadas e desenvolvidas pelas mulheres glorianas ao longo dos tempos. Rita Pote, directora técnica do rancho folclórico, afirma que o grupo não se limita apenas aos espectáculos em palco. Desenvolve durante todo o ano uma actividade de pesquisa, estudo, divulgação e reconstituição da história local. “Todos os anos apresentamos uma exposição sobre um tema, e este ano recaiu sobre as artes do pormenor”, conta.Dentro deste tema, o grupo já apresentou também uma colecção de nove postais ilustrados, que contemplam o traje e as mesmas artes do pormenor. Entre originais e réplicas, esta exposição conta com cerca de 150 peças singulares, só da Glória. “Não se encontram em mais lado nenhum. São lenços de namorados, são taleigos, são toucas, babetes ou bonecas com o traje tradicional. Nada é inventado por nós e nada foi criado agora. Tudo tem como base a tradição, é oriundo da comunidade”, explica a directora técnica. As peças mais antigas no espaço são duas réplicas de lenços de namorados do séc. XIX, princípios do séc. XX. São trabalhos à base de duas cores, vermelho e azul ou vermelho e verde, que marcam esta época. Com o passar dos anos surgiram novos motivos, mais cores e vários tamanhos nas peças.Os taleigos foram criados pelas glorianas para servir vários propósitos. Os primeiros, mais pequenos, serviam para guardar a caderneta militar. Estes são também do séc. XIX e início do séc. XX, a duas cores e com motivos geométricos. Mais tarde surgiram taleigos maiores, que serviam para mulheres e homens levarem o farnel quando iam trabalhar. Estes, dos anos 40 e 50, já apresentam mais cor e motivos diferentes dos referidos anteriormente.Aprender artes antigasActualmente no segundo projecto de recuperação do património cultural, encontram-se três pessoas na Casa do Povo da Glória do Ribatejo a aprender estas artes. Os projectos são em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), e deram trabalho a pessoas que estavam inactivas e não tinham qualquer tipo de rendimento. Maria Verde, de 64 anos, é um dos elementos do rancho folclórico presentes no espaço. “Ti Belmira”, como é conhecida na vila gloriana, conta que “com sete, oito anos, já marcava à mão. E com 13 ou 14 anos já fazia peças maiores. Toda a vida costurei e mesmo assim nunca hei-de aprender tudo. Aqui cada um aprende à sua maneira”, conta.Rita Pote confessa que as restantes aprendizes procuram apoio junto de familiares e pessoas mais velhas. “A Ti Belmira sabe fazer o que as mais novas não sabem. Ela ensina e aconselha-as”, acrescenta.Até agora a exposição tem tido bastante adesão. A directora técnica do rancho folclórico confessa que largas centenas de pessoas já passaram pelo espaço para ver as peças, não só do distrito, mas também de fora.“As Artes do Pormenor” foi inaugurada no dia 22 de Agosto e encontra-se no Centro de Documentação e Estudos Etnográficos da ARFCPGR, na Casa do Povo da Glória do Ribatejo durante um ano. De segunda a sexta-feira é possível visitar a exposição durante o horário de expediente e, ao fim-de-semana, mediante marcação prévia com um responsável da Associação.

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