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Museu Duarte Ferreira no Tramagal apontado como exemplo de preservação do património imaterial e cultural

Lígia Marques, especialista em Turismo Cultural foi oradora nas Jornadas Europeias do Património em Mação
Edição de 30.09.2015 | Economia
Quando não é viável a reutilização dos edifícios das antigas fábricas da região com a mesma finalidade, deve tentar-se a sua reconversão a novas finalidades, podendo, por exemplo, transformar-se uma fábrica em museu salvaguardando-se desse modo o sentido identitário que, em muitos casos, acompanha aquela fábrica em particular. A ideia foi defendida por Lígia Marques, técnica com Mestrado em Turismo Cultural, colaboradora da Câmara Municipal de Abrantes, na área da Cultura e do Património no decurso de uma intervenção sobre o Património Industrial do Médio Tejo, no decurso das Jornadas Europeias do Património realizadas em Mação nos dias 25,26 e 27 de Setembro. A conferencista falou do projecto do Museu Duarte Ferreira, no Tramagal, resultante da união de esforços da Junta de Freguesia de Tramagal e da Câmara Municipal de Abrantes como um exemplo de salvaguarda do património cultural, material e imaterial. O projecto avançou, dado o seu espírito identitário o que fez com que o Museu seja desejado por todos os tramagalenses. Recorde-se que a metalúrgica, nascida de uma forja artesanal criada em 1880, pela mão de Eduardo Duarte Ferreira teve papel determinante no desenvolvimento da agricultura nacional, por força do nível mecânico que marcava os equipamentos que ali eram produzidos. Com o passar dos anos e porque não parava na concepção e adequação dos seus produtos à satisfação das sempre novas necessidades da sociedade, no período da guerra colonial ficou conhecida nacional e internacionalmente com a construção Berliet, sendo nesse período o produto âncora da metalúrgica. Com o Museu tende-se a preservar a obra e a memória do Comendador Eduardo Duarte Ferreira e de todos e cada um dos seus operários, a memória colectiva de muitos portugueses que vai para lá do Tramagal e toca todo o país por força da Berliet e, ainda, a “ borboleta “, enquanto símbolo nacional e internacionalmente conhecido.Lígia Marques começou por explicar que só no pós-guerra é que surgem as grandes reflexões que levam a que sejam dados os primeiros passos no âmbito da arqueologia industrial. Na sequência dessas reflexões, conclui-se que muitas indústrias têm forte influência social, cultural e mesmo identitária, não só no conjunto dos seus trabalhadores, como no todo da comunidade em que se situa, seja aldeia, vila ou mesmo cidade. Reforça-se a partir daí a ideia, nomeadamente com o reconhecimento da UNESCO aquando da Convenção de Paris, de que para lá dos monumentos o conceito de património cultural passará a integrar grupos de edifícios e fábricas. Assim, passa a ser considerado como património cultural também o património industrial. É nesse contexto que surgem os conceitos de património cultural material, físico, palpável e o de património cultural imaterial, do domínio do saber fazer e, muito importante, do sentido identitário das pessoas e das comunidades.

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