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Casas que contam histórias

Casas que contam histórias

Primeiro Encontro da Associação Portuguesa de Casas-Museu decorreu em Alpiarça
Edição de 30.09.2015 | Sociedade
A Casa-Museu dos Patudos, em Alpiarça, tem o único retrato, datado de 1738/1739, que se conhece do famoso compositor Domenico Scarlatti. O quadro, uma pintura a óleo sobre tela da autoria de Domingo António Velasco, foi comprado à família do compositor em 1912 por José Relvas, então ministro plenipotenciário em Madrid. São peças únicas como esta que tornam os museus especiais e merecedores da atenção do público, como defende Joel Cleto, divulgador de História e Património: “Único é aquilo que temos nos nossos museus por isso temos museus, temos uma colecção que mais ninguém tem, a nossa casa-museu é a única que conta a história daquela pessoa. Trabalhar com o único é aquilo que fazemos”. Joel Cleto, actual director do museu do FC Porto, foi um dos oradores convidados do 1ª Encontro da Associação Portuguesa de Casas-Museu, que decorreu na sexta-feira, 25 de Setembro, na Casa dos Patudos, no âmbitos das Jornadas Europeias do Património. O objectivo deste primeiro encontro foi reflectir sobre a temática “Comunicar Património: as Casas-Museu”. “Diariamente batalhamos com esta variável, ou seja, sem comunicar, sem nos darmos a conhecer, não existimos” explica António Canavarro, presidente da comissão instaladora da Associação Portuguesa de Casas-Museu (APCM), criada em Maio de 2014. No âmbito do novo quadro de apoio comunitário, a associação vai procurar financiamento para que em cada casa-museu exista informação sobre as restantes. Por outro lado, com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, está em análise a criação de uma Rota da Democracia que integre a passagem pelas casas de personalidades marcantes como Anselmo Braamcamp Freire e Passos Manuel, em Santarém, José Relvas, em Alpiarça, ou Humberto Delgado, em Torres Novas.As Casas-Museu têm, segundo Samantha Coleman-Aller, conservadora da Casa-Museu Medeiros e Almeida em Lisboa, um privilégio que é poder contar duas histórias: “a história da nossa colecção, dos nossos objectos mas também a história das pessoas que coleccionaram esses objectos, como viviam, até porque estamos na sua própria casa. Isto desperta um lado muito mais emotivo que às vezes vemos como um peso e não como uma oportunidade”. “A comunicação é um problema comum a todas as Casas-Museu”, diz Luísa Garcia Fernandes, mentora da criação da Associação Portuguesa de Casas-Museu. Mas há outros problemas comuns: “As queixas mais frequentes são a falta de pessoal. Como é uma casa pequena, as pessoas acham que ter poucos recursos humanos é suficiente para fazer um trabalho que, às vezes, é muito maior do que num museu normal”. Todas enfrentam também problemas de financiamento: “As Casas-Museu são também de mais difícil manutenção, portanto custam mais dinheiro por um espaço pequeno”. No caso de serem públicas o financiamento vem da tutela e houve um tempo onde era possível fazer grande obras com fundos comunitários como aconteceu na Casa-Museu Abel Salazar em S. Mamede de Infesta, Matosinhos, na qual é directora. “Há muitas problemáticas diferentes nas Casas-Museu. A falta de pessoal e de dinheiro é transversal a todas”, acrescenta. casas-museu na região do ribatejoNa região existem várias casas-museu dedicadas a figuras históricas. Entre elas: Casas dos Patudos, Museu de Alpiarça - Alpiarça; Casa-Museu Passos Canavarro - Santarém; Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire - Santarém; Museu Memória da Fundação Comendador José Gonçalves Pereira - Pernes; Casa-Museu de Aljustrel - Ourém; Casa-Museu Justino João - Benavente; Casa-Museu Vasco de Lima Couto - Constância; Casa-Estúdio Carlos Relvas - Golegã; Casa Memorial Humberto Delgado - Torres Novas; Casa-Memória de Camões - Constância; Casa Pedro Álvares Cabral/Casa do Brasil - Santarém.
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