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Tejo sustentável?

O pior de tudo, muito surpreendente, é sabermos que ao fim de cerca de 20 anos de estudos e planos, se admite que faltam realizar alguns estudos complementares. Como é possível? É altura de aplicar conhecimento, assumir responsabilidades, monitorizar e avaliar resultados.

Edição de 14.07.2016 | Opinião

Foi no dia 7 de Julho, em Vila Nova da Barquinha, que se falou do Tejo sustentável. Curiosamente, nesse mesmo dia a edição semanal (Lezíria e Médio Tejo) de
O MIRANTE tem como capa “Poluição regressa ao Almonda…”, é claro que Almonda é Tejo. Muito curioso, em que ficamos? Falou-se bem. Nem sempre se fala bem mas desta vez falou-se bem, descontemos os ambientalistas da nossa praça que vivem noutro mundo, acreditam em milagres e querem o Tejo de há 50 anos: demolimos as barragens e compramos energia (nuclear?) a Espanha?
A sustentabilidade do rio é um enorme desafio e uma história que tarda em acontecer. Considerando os justos e inalcançáveis (?) objetivos da organização, entre a utopia do “tempo volta para trás” e o politicamente correto, ouvimos alguns dos maravilhosos mundos que “governam” o Tejo. A grande questão é saber o que fica para o dia seguinte? Ou seja, no que resulta positivamente tudo o que se ouve e conversa nestes auditórios? Na prática, como se concilia a ação dos “donos do rio” e o mundo real das populações e atividades económicas locais/regionais que vivem o rio e do rio?
Júlia Amorim, a presidente da Câmara de Constância, falou com verdade e autoridade. Deixemo-nos de ilusões: tudo o que se possa afirmar e dizer nesta Conferência vale o que vale mas não vai resolver os muitos problemas do Tejo. O que na verdade conta é o dia a dia. Só para ouvir a presidente de Constância valeu a pena vir à Barquinha. Uma nova “coligação do nosso rio” parece ser uma realidade, disse Nuno Lacasta. É necessário arrumar a casa..., que estranho: ainda estamos a arrumar a casa? Outros, Paulo Constantino, estão satisfeitos porque o Tejo faz parte da agenda política do país, Assembleia da República e Governo. Como se isto viesse resolver alguma coisa? A presença de Pedro Serra na mesa é a garantia de simplicidade de ideias, conceitos e verdade, só ao alcance dos bons. Tudo fica claro, até o açude de Abrantes que não devia existir. Também percebemos pelas suas palavras que, como sempre, para além do enorme desafio existe uma real capacidade instalada para conseguirmos melhorar o rio de todos.
No fim, Carlos Martins, reconhecido e experiente técnico do setor, como todos os governantes, tem um discurso marcadamente otimista e aponta para o trabalho conjunto e articulado que está a ser desenvolvido por várias entidades. O pior de tudo, muito surpreendente, é sabermos que ao fim de cerca de 20 anos de estudos e planos, se admite que faltam realizar alguns estudos complementares. Como é possível? É altura de aplicar conhecimento, assumir responsabilidades, monitorizar e avaliar resultados. Sem dúvida, uma boa jornada que anuncia um Congresso do Tejo que será, esperamos, um momento de cumplicidade em prol do Tejo.
Carlos Cupeto – Universidade de Évora

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