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Autarcas de Torres Novas voltam a negar interesse público à Fabrióleo

Dezenas de trabalhadores foram interceder pela empresa na assembleia municipal mas de nada lhes valeu. Com o indeferimento da proposta, a fábrica de óleos vegetais vê-se impedida de regularizar as instalações construídas sem licença.

Edição de 22.12.2016 | Sociedade

A Assembleia Municipal de Torres Novas voltou a pronunciar-se contra a emissão de uma declaração de interesse público municipal à Fabrióleo - Fábrica de Óleos Vegetais, confirmando a posição do executivo camarário e impedindo com isso que a empresa possa regularizar as instalações no Carreiro de Areia que foram construídas sem licença. O assunto foi discutido numa sessão da assembleia realizada na noite de segunda-feira, 19 de Dezembro, em que estiveram presentes cerca de sete dezenas de trabalhadores da empresa que tem estado envolvida em várias polémicas por suspeita de efectuar descargas poluentes na ribeira da Boa Água, afluente do rio Almonda.
Um dos trabalhadores da empresa, Carlos Romeiro, no período destinado à intervenção do público, procurou sensibilizar os autarcas para a questão. “Não estamos a falar em nome dos patrões. Orgulhamo-nos de trabalhar nesta empresa que contribui para a riqueza do município. Exporta mais de 10 milhões de euros por ano, sabiam? Não poluímos. Temos todos os licenciamentos para trabalhar”, afirmou.
No entanto a assembleia municipal voltou a votar contra, seguindo a decisão da câmara. Recorde-se que há um ano a Assembleia Municipal de Torres Novas já tinha aprovado por unanimidade a proposta da câmara no sentido de indeferir a emissão de uma declaração de interesse público municipal à Fabrióleo. Essa declaração, refira-se, é essencial para a regularização de instalações de empresas construídas sem licença - nomeadamente em violação do Plano Director Municipal (PDM) -, ao abrigo do regime extraordinário que vigorou em 2015 e 2016 por iniciativa do Governo.
Na altura, em Dezembro de 2015, a jurista da empresa, Sara Cabeleira, referiu que a Fabrióleo já tem licença e do que se trata é apenas regularizar a sua ampliação.
Apesar de novo indeferimento, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), não esconde que ainda espera uma solução para o problema. “A minha esperança é que apareça uma solução, mesmo sem a declaração de interesse municipal, que resolva a questão daquela fábrica e de outras que possam estar a poluir. Neste momento esta é a que está a ser mais investigada pelas autoridades”. O autarca explica que “apenas está a utilizar as ferramentas que temos disponíveis perante uma desgraça chamada ribeira da Boa Água”.

A Fabrióleo e os autarcas de Torres Novas

Qual é o valor maior para Torres Novas? As empresas ou a saúde pública? Parece ter sido esta a questão principal a que os autarcas de Torres Novas responderam na passada segunda-feira ao votarem mais uma vez contra, e por unanimidade, na assembleia municipal, o estatuto que a empresa Fabrióleo precisa para continuar a laborar sem correr o risco de encerramento a curto prazo.
Apesar da presença da grande maioria dos cerca de 80 trabalhadores que a Fabrióleo emprega, os autarcas não se deixaram comover. Um dos autarcas, em conversa com O MIRANTE, confessou a sua ignorância na matéria mas disse que está na altura de serem esclarecidos por quem de direito e se a empresa tem ou não tem condições para continuar a laborar sem poluir a Ribeira da Boa Água.
“Até agora ninguém conseguiu provar que isso é possível. O povo e os autarcas da junta de freguesia dizem que a poluição é uma realidade. Começa a haver pessoas que partidarizam esta tomada de posição mas o problema é da maioria que governa a câmara”, defende um dos autarcas com quem falamos no final da reunião e fez uma das intervenções da noite.
“Alguém tem que vir explicar o que se passa com a Fabrióleo. Não basta defender os postos de trabalho e o interesse dos empresários. O concelho de Torres Novas é pela saúde pública e só depois pelo interesse dos empresários e dos trabalhadores” defenderam em conversa com O MIRANTE alguns dos autarcas salientando ainda que “se há especulação e má informação a culpa não é de quem ocupa lugares políticos e tem o dever de zelar pelo interesse das populações”.

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