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“Namoro” com Golegã e Santarém é tabu na Águas do Ribatejo em ano de autárquicas

“Namoro” com Golegã e Santarém é tabu na Águas do Ribatejo em ano de autárquicas

Presidente do conselho de administração da empresa intermunicipal não quer tropeçar nas negociações com os dois municípios. A O MIRANTE, Francisco Oliveira reafirma que o sistema intermunicipal dá mais garantias às populações.

Edição de 02.02.2017 | Economia

A possível adesão dos municípios da Golegã e de Santarém à Águas do Ribatejo (AR) é um tema que não merece comentários por parte do presidente do conselho de administração dessa empresa intermunicipal. “É um tema tabu. O namoro continua mas prefiro não fazê-lo. Este ano vamos ter eleições e quando for tempo os respectivos presidentes trarão a público ou não essa notícia. Não me parece correcto e pode não cair muito bem na outra parte”, explica a O MIRANTE Francisco Oliveira, que é também presidente da Câmara de Coruche.
Recorde-se que, a 13 de Outubro de 2016, Francisco Oliveira afirmou no final da assembleia geral da AR que o município da Golegã iria integrar a empresa até ao final de 2016, algo que não se concretizou e que gerou confusão entre autarcas. O presidente da Câmara da Golegã, Rui Medinas (PS), afirmou na altura a O MIRANTE que não existia qualquer decisão nesse sentido.
Na altura, Francisco Oliveira admitia ainda negociações com a Câmara de Santarém e afirmou que a entrada de Santarém daria uma maior escala à empresa mas que isso só aconteceria “se houver vontade”. No entanto, segundo diz agora Oliveira, essa vontade tem sido “intermitente” por parte do município de Santarém.

O bom exemplo das águas
Numa altura em que o ministro do Ambiente dá a AR, empresa com capitais exclusivamente públicos, como exemplo a replicar pelo país, o presidente da empresa intermunicipal fala sobre a realidade do sector. Francisco Oliveira é apoiante de sistemas intermunicipais de abastecimento e tratamento de águas e afirma que as parcerias com privados têm bons e maus exemplos.
“Conhecemos os exemplos menos bons, onde as águas foram concessionadas e com um reflexo muito negativo para as populações. Para além de não ter havido investimento, estava consagrado nessas concessões um estudo económico com uma perspectiva de rentabilidade que não foi conseguida e que agora é suportada pelos municípios ou na factura das pessoas”, sublinha o autarca que entende a água como um bem público.
Segundo diz, os sistemas com privados retiram às autarquias o poder de gestão e da equação dos interesses das populações, tanto que recentemente foram blindados os estatutos da AR para evitar a entrada de privados. “Em intermunicipalidade cabe aos autarcas perceber o que é melhor para a sua região, quer em investimento quer em tarifários. Em última instância os municípios podem suportar algumas situações com tarifários sociais para as famílias com dificuldades e para famílias numerosas - uma situação que normalmente não se coloca nas empresas privadas que visam o lucro”, explana.
Na AR os objectivos têm sido alcançados: aumento da disponibilidade do serviço às populações, melhoria na relação com o meio ambiente e no tratamento dos efluentes, rentabilidade económica face aos investimentos e ao pagamento do serviço da dívida, e o não aumento dos tarifários. “Temos tarifas muito abaixo do que é praticado na região e no país”, destaca.

Comportamento com a água deve ser alterado
As preocupações crescentes com a escassez da água e questões ambientais são também destacadas pelo autarca: “Hoje assistimos a sistemas de irrigação mais eficientes e económicos quando se sabe que a água para consumo humano é muito menor do que a água utilizada na agricultura. Temos sistemas de rega por gotejamento, pivô ou enterrada no solo para infiltração lenta, onde o desperdício e a evaporação são menores”.
Mas apesar dessa sensibilidade são necessárias mais medidas e, acima de tudo, mudança de comportamentos: “A água para consumo humano é usada para a rega de jardins e espaços públicos ou a lavagem de viaturas”. Francisco Oliveira aponta a educação para não comprometer o futuro e admite ainda que os furos de captação da AR têm de ser cada vez mais profundos para que a água não tenha contaminação por produtos da agricultura.

Futuro do sector em encontro nacional

A Águas do Ribatejo esteve presente no debate nacional “GERA 2017 - Gestão Eficiente das Redes de Águas” que decorreu nos dias 18 e 19 de Janeiro em Beja. Estiveram mais de 150 participantes nacionais entre municípios e serviços municipalizados, empresas municipais, comunidades intermunicipais, empresários e empresas prestadoras de serviços.
Francisco Oliveira levou o exemplo da AR e destacou vários indicadores após sete anos de actividade: 130 milhões de euros investidos na construção e renovação de mais de centena e meia de equipamentos e mais de mil quilómetros de redes de abastecimento e saneamento.
A qualidade e segurança dos sistemas, assim como do abastecimento e do tratamento de águas, são as apostas da empresa que tem como meta a redução das perdas de água até 20% em 2020 - actualmente estão nos 34%. Fornece água e faz a drenagem e tratamento de águas residuais de cerca de 150 mil habitantes.

“Namoro” com Golegã e Santarém é tabu na Águas do Ribatejo em ano de autárquicas

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