
Escolha do Montijo para novo aeroporto não afecta interesses da região
Governo já terá escolhido utilizar a base aérea do Montijo como complemento ao aeroporto de Lisboa. Autarcas de Benavente e Vila Franca de Xira dizem que a opção não colide com a estratégia dos seus concelhos.
A escolha do Governo de avançar no Montijo com a solução complementar para esticar a vida do aeroporto internacional de Lisboa não prejudica os interesses da região, no entender dos autarcas de Vila Franca de Xira e de Benavente. O Governo quer ter o novo aeroporto do Montijo a funcionar, o mais tardar, até 2019.
Há mais de uma década que a construção de uma alternativa ao aeroporto da Portela é falada sempre que o cenário económico melhora e ninguém melhor do que Benavente sabe o que a demora na tomada de uma decisão tem custado, nomeadamente no que diz respeito a um conjunto de condicionantes no seu Plano Director Municipal (PDM) quando o campo de tiro de Alcochete era encarado como opção para novo aeroporto internacional de Lisboa.
“Com esta decisão do Governo, a qual já estávamos à espera, temos a expectativa que a muito breve prazo possam ser levantadas essas restrições. Há muito que esta situação se arrasta e finalmente já temos as coisas bem encaminhadas para que isso aconteça e Benavente possa continuar o seu caminho de desenvolvimento sustentável”, explica Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente.
O autarca diz que, no seu concelho, nada mudará com a escolha do Montijo. “A escolha do Montijo não é obviamente uma boa notícia mas também não se pode dizer que é má, porque vamos continuar a apostar e a potenciar o nosso concelho, por exemplo, ao nível do turismo de natureza”, explica a O MIRANTE.
Já no concelho de Vila Franca de Xira os autarcas há muito haviam assumido a corrida para a captação de aviação comercial na pista de Alverca mas apenas de voos executivos e empresariais. Pelo que a escolha do Montijo para receber voos comerciais de baixo custo (“low cost”) não faz qualquer diferença.
“As potencialidades da pista de Alverca, a nosso ver, devem ser desenvolvidas na manutenção e na captação de voos privados que neste momento não têm capacidade para serem acolhidos em Lisboa, Tires ou Sintra. O que vai ser feito no Montijo é um complemento da Portela, o que quer dizer que vão estar ali sistematicamente a levantar e aterrar aviões de grande porte. Não é isso que queremos em Alverca, até por termos preocupações ambientais com a nossa população”, explica Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira.
O autarca lamenta que a pista de Alverca esteja “subaproveitada” e ainda acredita que uma solução com os militares, que anda a ser discutida ao mais alto nível, será possível de acontecer. “O que reivindicamos é o aproveitamento da pista de Alverca para outros domínios que não os voos de baixo custo ou outros movimentos aeronáuticos. Temos feito um caminho e acredito que mais tarde ou mais cedo algumas ideias vão concretizar-se”, refere Mesquita, que diz ser “justo e necessário” que Alverca rentabilize aquela estrutura.
Alverca vai fazer manutenção de aviões chineses
A OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, sediada em Alverca, continua a captar investimento estrangeiro e assinou recentemente um contrato de três anos para a manutenção geral de 15 aeronaves do continente asiático. Segundo noticiou esta semana o semanário Expresso, foi firmado também um contrato de três anos com um operador chinês para manutenção dos trens de aterragem de uma frota de 20 aviões E-Jets de médio curso da Embraer, a empresa brasileira que é dona da maioria do capital da OGMA.
A empresa promete contratar mais trabalhadores este ano e investir 14 milhões na robotização da fábrica de Alverca, ao mesmo tempo que aumentou as suas valências com uma nova área de pintura de aviões. A OGMA viu este ano o seu volume de negócios aumentar em quatro por cento e apresentou um lucro recorde de 11,6 milhões de euros.

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