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Escolha do Montijo para novo aeroporto não afecta interesses da região
Futuro. Pista de Alverca continua por explorar ao nível comercial

Escolha do Montijo para novo aeroporto não afecta interesses da região

Governo já terá escolhido utilizar a base aérea do Montijo como complemento ao aeroporto de Lisboa. Autarcas de Benavente e Vila Franca de Xira dizem que a opção não colide com a estratégia dos seus concelhos.

Edição de 02.02.2017 | Sociedade

A escolha do Governo de avançar no Montijo com a solução complementar para esticar a vida do aeroporto internacional de Lisboa não prejudica os interesses da região, no entender dos autarcas de Vila Franca de Xira e de Benavente. O Governo quer ter o novo aeroporto do Montijo a funcionar, o mais tardar, até 2019.
Há mais de uma década que a construção de uma alternativa ao aeroporto da Portela é falada sempre que o cenário económico melhora e ninguém melhor do que Benavente sabe o que a demora na tomada de uma decisão tem custado, nomeadamente no que diz respeito a um conjunto de condicionantes no seu Plano Director Municipal (PDM) quando o campo de tiro de Alcochete era encarado como opção para novo aeroporto internacional de Lisboa.
“Com esta decisão do Governo, a qual já estávamos à espera, temos a expectativa que a muito breve prazo possam ser levantadas essas restrições. Há muito que esta situação se arrasta e finalmente já temos as coisas bem encaminhadas para que isso aconteça e Benavente possa continuar o seu caminho de desenvolvimento sustentável”, explica Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente.
O autarca diz que, no seu concelho, nada mudará com a escolha do Montijo. “A escolha do Montijo não é obviamente uma boa notícia mas também não se pode dizer que é má, porque vamos continuar a apostar e a potenciar o nosso concelho, por exemplo, ao nível do turismo de natureza”, explica a O MIRANTE.
Já no concelho de Vila Franca de Xira os autarcas há muito haviam assumido a corrida para a captação de aviação comercial na pista de Alverca mas apenas de voos executivos e empresariais. Pelo que a escolha do Montijo para receber voos comerciais de baixo custo (“low cost”) não faz qualquer diferença.
“As potencialidades da pista de Alverca, a nosso ver, devem ser desenvolvidas na manutenção e na captação de voos privados que neste momento não têm capacidade para serem acolhidos em Lisboa, Tires ou Sintra. O que vai ser feito no Montijo é um complemento da Portela, o que quer dizer que vão estar ali sistematicamente a levantar e aterrar aviões de grande porte. Não é isso que queremos em Alverca, até por termos preocupações ambientais com a nossa população”, explica Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira.
O autarca lamenta que a pista de Alverca esteja “subaproveitada” e ainda acredita que uma solução com os militares, que anda a ser discutida ao mais alto nível, será possível de acontecer. “O que reivindicamos é o aproveitamento da pista de Alverca para outros domínios que não os voos de baixo custo ou outros movimentos aeronáuticos. Temos feito um caminho e acredito que mais tarde ou mais cedo algumas ideias vão concretizar-se”, refere Mesquita, que diz ser “justo e necessário” que Alverca rentabilize aquela estrutura.

Alverca vai fazer manutenção de aviões chineses

A OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, sediada em Alverca, continua a captar investimento estrangeiro e assinou recentemente um contrato de três anos para a manutenção geral de 15 aeronaves do continente asiático. Segundo noticiou esta semana o semanário Expresso, foi firmado também um contrato de três anos com um operador chinês para manutenção dos trens de aterragem de uma frota de 20 aviões E-Jets de médio curso da Embraer, a empresa brasileira que é dona da maioria do capital da OGMA.
A empresa promete contratar mais trabalhadores este ano e investir 14 milhões na robotização da fábrica de Alverca, ao mesmo tempo que aumentou as suas valências com uma nova área de pintura de aviões. A OGMA viu este ano o seu volume de negócios aumentar em quatro por cento e apresentou um lucro recorde de 11,6 milhões de euros.

Escolha do Montijo para novo aeroporto não afecta interesses da região

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