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Prédios do Monte Gordo desapareceram da paisagem depois de demolições complexas
OBRA. Prédios do Monte Gordo que ameaçavam ruir estão já praticamente destruidos

Prédios do Monte Gordo desapareceram da paisagem depois de demolições complexas

O MIRANTE visitou a obra para perceber as dificuldades de um trabalho de risco

Edição de 06.07.2017 | Sociedade

Os dois edifícios de sete pisos que ameaçavam ruir estão praticamente destruídos e a obra fica concluída em Setembro. Trabalhos foram de tal complexidade que os técnicos não falam em demolição mas antes em desconstrução.

Com “pés de lã” e de forma “quase cirúrgica”, é desta forma que os técnicos explicam aquela que foi uma das desconstruções mais complexas jamais efectuada no concelho de Vila Franca de Xira, a de destruição simultânea dos dois edifícios de sete andares que, na encosta do Monte Gordo, ameaçavam ruir sobre a via pública e colocavam em perigo a segurança de pessoas e bens.
Os trabalhos já estão em avançado estado de conclusão e tudo aponta para que fiquem prontos dentro do prazo, ou seja, em Setembro. A cada piso que se destrói é um capítulo que se fecha sobre um problema que esperava há décadas por resolução e que incluiu o despejo forçado dos moradores do lote 1 e a recente indemnização de quem ali comprou casa sem que os edifícios tivessem condições de segurança para poderem ser habitados.
O vizinho lote 2 nem sequer chegou a ser habitado, por estar a inclinar-se perigosamente por causa da pressão exercida pela encosta. Dos prédios restam apenas imagens do que foi um poço do elevador, das garagens, uma cozinha e das escadas principais do prédio. Tudo o resto já foi eliminado.
Como se destruíram então dois edifícios que ameaçavam ruir a qualquer momento sem prejudicar os moradores das vivendas que ocupam o outro lado da rua? Cristina Monteiro, engenheira da Câmara de Vila Franca de Xira que acompanha os trabalhos, explica: “Com um processo praticamente manual. Não chamamos demolição porque não foi uma demolição, foi uma desconstrução piso a piso, desde a cobertura do edifício até cada um dos pisos. Tivemos trabalhadores com marretas e martelos eléctricos a fazer o trabalho um a um. Começou-se com a destruição de janelas, portas, loiças, cozinhas, paredes interiores, exteriores e só depois a desconstrução dos elementos estruturais do edifício, como as vigas e pilares, através do processo de corte com discos”, explica.

Obra feita em “pezinhos de lã” por 30 homens
Além de minimizar os impactos na vizinhança, a desconstrução piso a piso pretendeu também reduzir o risco dos prédios cederem. “Os dois prédios foram sendo desconstruídos em simultâneo por uma questão de segurança. Ao descermos ambos ao mesmo tempo não se criou um desequilíbrio entre as duas estruturas. Eles vão descendo e mantendo entre si uma laje contínua. Todos os elementos saíram ao mesmo tempo. O perigo da estrutura, no seu todo, poder cair estava tido em conta desde a fase de preparação. Por isso optámos por fazer os trabalhos da forma menos intrusiva possível para a estrutura”, explicam João Pedro Silva e João Camacho, da firma HCI Construções, que realiza a obra.
Uma obra feita “com pezinhos de lã” por 30 trabalhadores e em que a integridade estrutural dos dois edifícios foi sendo sempre monitorizada para não haver o risco de estes se desmoronarem a meio do processo. Apesar deste tipo de empreitada “nunca ser sereno” e ter obrigado a uma atenção reforçada, a verdade é que não surgiu nenhum imprevisto. “Felizmente tudo está a correr como planeado”, conclui Cristina Monteiro.

Moradores indemnizados

Os dois prédios de sete pisos, com 14 apartamentos cada, foram construídos no início da década de 1990 mas a partir de 1999 começaram a apresentar fissuras e um deles a inclinar-se para a frente. O agravamento da situação foi tal que, em 2013, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil concluiu que existiam sérias deficiências nas estruturas que condenavam os prédios a ruir devido a problemas com as fundações e a pressão da encosta, recomendando a sua demolição.
No lote 1 viviam nove famílias que foram alvo de um despejo administrativo e posteriormente indemnizadas em quase 50 mil euros por apartamento, um valor bem abaixo do que a maioria pagou pela habitação. A obra de demolição custou aos cofres da câmara 750.600 euros e o espaço vai ser deixado com terra, como se encontrava inicialmente, apesar do presidente do município, Alberto Mesquita (PS), já ter confessado a ideia de criar na zona um parque de lazer.

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