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“Os políticos ao longo dos anos têm queimado a sua própria imagem”
António Duarte está a cumprir o seu primeiro mandato À frente da Assembleia Municipal de Azambuja

“Os políticos ao longo dos anos têm queimado a sua própria imagem”

António Manuel Duarte, 70 anos, presidente da Assembleia Municipal de Azambuja

Edição de 31.10.2018 | Três Dimensões

É natural de Santarém mas foi viver para a Azambuja com os pais quando tinha 14 anos. Aprendeu várias profissões mas acabou por escolher dar um rumo à vida ingressando nos pára-quedistas. Acabou ferido na Guiné e passou sete anos no hospital da Força Aérea até tirar um curso de informática e regressar à Azambuja. Não gosta de estar parado e por isso já assumiu diferentes cargos dirigentes em várias associações e entidades. Está no seu primeiro mandato e confessa estar a gostar do desafio da política local.

Fui pára-quedista e nunca fechava os olhos na altura de saltar. Lembro-me que no primeiro salto não tive medo. Estava calmo e à vontade. Mas a primeira vez é como saltar para o desconhecido, apesar do treino. Há um factor psicológico muito forte.
Em 1967, na Guiné, durante a guerra, fui ferido quando tropecei numa armadilha. Aquilo rebentou-me nos pés. Deu-me cabo dos pés, tive uma fractura na coluna e uma série de problemas que felizmente fui conseguindo ultrapassar. Estive sete anos no hospital.
Não gosto de estar parado. Comecei por ser presidente da Associação de Andebol de Santarém. Ainda passei pela Junta de Freguesia de Azambuja nos anos 80. Foi interessante. Nessa altura havia muito trabalho por fazer e aquilo serviu-me de escola. Fui também vice Provedor da Misericórdia, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa e presidente dos bombeiros de Azambuja durante 13 anos. Ser agora presidente da assembleia municipal está a ser um bom desafio.
Os políticos têm queimado a sua própria imagem nos últimos anos. E isso acontece também a nível local. Apesar de tudo a política local não me desanima. Se for bem compreendida pelas pessoas é muito útil e deve criar condições para os cidadãos locais para poderem ter boas condições de vida.
Há a ideia que as pessoas estão na política para se abotoarem e não é assim. Há muita gente na política que faz um esforço pessoal enorme para conseguir servir as populações. E as pessoas nem sempre compreendem isso.
Há pessoas que enquanto estão a criticar que a rua está suja deitam a beata de cigarro para o chão. Se está sujo ainda ajudam a sujar mais. Pode criticar-se o trabalho dos políticos mas apenas quando não se tem telhados de vidro. Toda a gente deve dar o exemplo.
No município de Azambuja só agora é que começa a haver dinheiro para investir. O Joaquim Ramos [ex-presidente da câmara] muniu-se de gente muito capaz e fez um excelente trabalho. Endividou-se mas havia muito trabalho que precisava de ser feito. O actual presidente, Luís de Sousa tem tido o trabalho de recuperação das finanças da câmara. Tem sido um trabalho difícil, que não se vê na rua mas é importante.
Quando há assuntos polémicos para discutir a população aparece nas sessões. Quando fazemos uma assembleia descentralizada nas freguesias aparece sempre mais gente. Geralmente as pessoas aparecem sempre quando o assunto lhes está directamente ligado ou é polémico. Tira-me do sério quando as pessoas não consideram que erraram. Uma pessoa cometer um erro e dizer que a culpa é do outro e não assumir a sua responsabilidade.
Já existem poucos sítios como Azambuja, para se viver a 20 minutos da capital e com boa qualidade de vida. Gostei de crescer na Azambuja e ainda considero que é uma boa terra para viver e trabalhar. Há sempre possibilidades de melhorar mas a vila para mim é o sitio ideal. Estamos a 50 quilómetros de Lisboa, ar puro, ambiente calmo.
Sou aficionado e gosto de sevilhanas, flamenco e música portuguesa. Gostava de ir ao extremo oriente, conhecer a Índia, por todas as histórias que nos contam. Aos domingos quando está sol gosto de ir à tarde até um local sossegado e ficar a ler o jornal dentro do carro. Sabe bem, com um bocadinho de música. E gosto muito de ver as árvores a balançar com o vento. É o sossego que me cativa.
O vereador Silvino Lúcio podia dar um bom candidato à câmara. É uma pessoa que se farta de trabalhar e isso para mim tem um valor muito grande. Pode ser uma alternativa ao Luís de Sousa, caso ele esteja interessado nisso e o povo lhe dê o seu voto. Acredito que pode ser, caso ele queira, um bom rosto para a terra.

“Os políticos ao longo dos anos têm queimado a sua própria imagem”

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