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Despejo em Alverca deixa casal com filhos menores a dormir na rua
Bruno Barros e Telma Seabra ficaram sem casa em Alverca no dia 8 de Dezembro

Despejo em Alverca deixa casal com filhos menores a dormir na rua

Família diz que tem procurado casa mas não consegue encontrar rendas compatíveis com o seu parco rendimento. A Segurança Social assegurou um abrigo em Lisboa para o casal e ajudas de custo de transporte. A mãe recusa-se a estar longe das crianças que estão a viver provisoriamente com um familiar, em Vialonga, e diz que prefere “viver na rua, mas estar perto deles”.

Edição de 16.01.2019 | Sociedade

Bruno Barros e Telma Seabra, com dois menores a seu encargo, foram despejados da habitação onde residiam em Alverca no dia 8 de Dezembro. Segundo contam a O MIRANTE, a renda de 200 euros mensais estava paga até ao final do mês de Dezembro e foram despejados sem qualquer aviso prévio por parte do senhorio, que lhes tinha prometido um contrato de arrendamento.
“Ficámos sem casa e apenas com as roupas que tínhamos no corpo. Quando lá chegámos já não conseguimos entrar em casa e ele [o senhorio] recusou-se a abrir-nos a porta para podermos retirar os nossos pertences”, relata Telma Seabra, mãe dos dois menores.
Telma conta que sofreu ameaças para deixar a habitação, na presença da sua filha: “Disse-me que se não saía a bem saía a mal e que se fosse preciso me arrastava pelas escadas abaixo”.
A PSP já interveio na situação e, segundo o casal, podem na sua presença retirar os bens que têm na casa que arrendaram. Porém, de momento, dizem não ter um local para guardar as roupas, mobílias e electrodomésticos.
Assim que perdeu a habitação, o casal entrou em contacto com a Segurança Social, que lhes providenciou alojamento em Centro de Acolhimento de Emergência Social (CAES), em Lisboa e apoio financeiro para deslocações entre o CAES e os locais de trabalho respectivos.

Crianças estão com familiares
As crianças de 12 e 14 anos estão provisoriamente a viver em casa do pai da menina, em Vialonga. Os menores estudam em Alverca e têm de apanhar um autocarro para seguirem até à escola. Telma Seabra, 33 anos, recusa aceitar esta situação e por esse motivo, abandonou o abrigo em Lisboa, a 28 de Dezembro.
“Os meus filhos precisam de mim. Prefiro dormir na rua e estar perto deles, do que estar numa instituição em Lisboa e não ter dinheiro para pagar os transportes para poder vê-los e acompanhá-los até à escola”, explica.
Bruno Barros, 41 anos, concordou com a decisão de Telma em abandonarem o abrigo em Lisboa para enfrentarem o frio de Janeiro nas ruas de Vila Franca de Xira. Dormem nas soleiras das portas, apenas com a roupa que têm no corpo. Desesperada, Telma tira da carteira 80 euros que têm de “render até ao final do mês”. Do bolso tira mais 50 euros e diz: “Este está posto de parte para pagar o passe do autocarro para os meninos irem para a escola”.
Funcionário da OGMA, em Alverca, Bruno Barros recebe de ordenado cerca de 700 euros. A esposa prestava serviços de limpeza através de uma empresa de trabalho temporário a auferir 195 euros, mas de momento está desempregada.
O casal diz que tem procurado casas que possam pagar em Vila Franca de Xira e concelhos limítrofes, mas sentem que estão “entre a espada e a parede”, pois não conseguem encontrar rendas que consigam suportar. “Os valores que nos pedem rondam os 400 e os 450 euros”, refere Telma.
O casal contactou a Câmara de Vila Franca de Xira solicitando uma habitação social. A O MIRANTE, o município de Vila Franca de Xira confirma que recebeu a 27 de Dezembro um contacto dessa família. A autarquia esclarece que “a atribuição de habitação social é sempre efectuada mediante concurso, ao qual este agregado nunca se candidatou em procedimentos anteriores” e que situações como esta, de “emergência social”, não são da competência directa da câmara mas sim da Segurança Social.
O MIRANTE tentou chegar à fala com o alegado senhorio da residência, mas sem sucesso.

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