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Hospital de Santarém desbloqueia mais um contrato para a renovação da informática

Mesma engenharia financeira permite obter o visto do Tribunal de Contas para renovação da rede informática.

Edição de 16.01.2019 | Sociedade

O Hospital de Santarém já conseguiu desbloquear mais um contrato que tinha sido recusado pelo Tribunal de Contas, devido à insuficiência de fundos próprios disponíveis. O visto para a requalificação da rede informática e digitalização dos processos clínicos, foi obtido cerca de uma semana após a resolução das obras do bloco operatório, que também estavam bloqueadas desde Abril. A estratégia foi a mesma: engenharia financeira que permitiu ao hospital ter, apenas por poucas horas, saldo positivo, condição essencial para a obtenção do visto. O reinício dos trabalhos de instalação da climatização do bloco vai permitir concluir a obra ainda este ano. Actualmente os doentes estão a ser operados no Hospital de Torres Novas.
A nova administração do hospital conseguiu que os 16 milhões de euros que o Governo tinha dado ao hospital como adiantamento ao orçamento, fossem considerados não um adiantamento, mas sim um reforço orçamental. Esta operação financeira permitiu que o hospital ficasse temporariamente com fundos disponíveis para demonstrar ao tribunal, que desta forma e por esse motivo não podia recusar o visto. O contrato da rede informática tem um valor de 626 mil euros e esta intervenção é uma necessidade sentida há algum tempo, atendendo a que o sistema actual está obsoleto.
A nova administração, nomeada em Julho para substituir a que era liderada há anos por José Josué, que foi bastante criticado pelos autarcas da região, começou a trabalhar na reformulação dos vários processos logo após ter tomado posse. Os processos que tinham sido recusados pelo tribunal por duas vezes, já que o hospital tinha recorrido da decisão, foram todos refeitos, num trabalho que ficou concluído há cerca de um mês. Altura em que foram entregues no tribunal.
A recusa de vistos estava a colocar o hospital numa situação difícil, agravada pela situação financeira complicada, que apesar de ter melhorado, está longe de ser estável. Esta situação ocorre em grande parte porque os vários governos não fizeram face aos resultados negativos dos hospitais, colocando as contas em positivo através de injecções de capitais. Também contribui bastante o facto de os montantes a transferir para o orçamento anual dos hospitais não ser feito todo de uma vez, mas por tranches, que geralmente chegam atrasadas.
No recurso remetido ainda pela administração de José Josué, que não teve provimento, dizia-se que os fundos disponíveis negativos, “resultam de dez anos de orçamentos de exploração muito deficitários”. O hospital apontava ainda o dedo ao Estado, salientando a “ausência de medidas estruturais de tutela”, e sendo mais específico sublinha que a situação contabilística e orçamental “persiste porque nunca qualquer orçamento de exploração corrigiu os desequilíbrios do ano anterior”.

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