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Gostar de animais e de touradas
Associação Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira tem uma estrutura envelhecida e precisa de sangue novo

Gostar de animais e de touradas

Associação de Vila Franca de Xira dá apoio a animais abandonados e diz que um animal que não é alimentado torna-se perigoso numa crítica a Jorge Ribeiro. Foi fundada em 1985 e tem feito um trabalho meritório na recolha e esterilização de animais abandonados, na sua maioria cães e gatos. A Associação Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira é apoiada financeiramente pelo município e diverge da opinião extremada de outras associações de defesa animal em relação às touradas. É preciso é ter respeito mútuo, dizem.

Edição de 27.03.2019 | Sociedade

Não é incompatível gostar-se de animais e de touradas e, por isso, a Associação Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira (AAVFX) não radicaliza o seu discurso contra a tauromaquia, optando pela via do respeito mútuo que, garante, sempre existiu na região. “Não morremos de amor pelas touradas mas conhecemos pessoas que têm animais, adoram-nos e vão às touradas. O que está em causa é analisar se maltratar pessoas ou animais, gratuitamente, por diversão, é algo aceitável. Essa é a questão. Não vamos às touradas mas respeitamos quem gosta”, referem Telma Ferreira e Sérgio Messias, presidente e vice-presidente da associação.
O discurso dos dirigentes difere da posição da maioria dos movimentos de defesa da causa animal, que simplesmente não admitem uma posição intermédia: no que toca a tourada, ou se é a favor ou contra. “Quem somos nós para impor algo desse género. A nossa associação nunca maltratou ninguém e temos muitos amigos que gostam de touradas. Acima de tudo deve existir respeito entre todos”, defende Telma Ferreira.
A associação foi fundada em 1985. O seu trabalho é recolher e dar abrigo temporário, com tratamento veterinário, a animais abandonados do concelho de Vila Franca de Xira e encontrar-lhes famílias de acolhimento. Tem um terreno de 2.500 metros quadrados cedido pela câmara municipal para construir um canil, na Vala do Carregado, mas por falta de dinheiro o projecto nunca avançou. Actualmente recebe um apoio financeiro do município para ajudar na esterilização de alguns animais. Mas de resto é a boa vontade e o amor aos animais que vai fazendo a associação existir.
Os voluntários são poucos ou nenhuns e os donativos chegam sobretudo de fora do concelho, de clínicas de Lisboa e Setúbal. “Não podemos dizer que a associação está bem. Quase todos os dias recebo telefonemas de gente a pedir para ficarmos com animais mas já não podemos dar resposta. Algumas pessoas, só porque mudam de casa, querem livrar-se dos animais. A maioria das vezes não podemos ficar com eles e o canil municipal também já não está a receber mais animais”, lamenta Telma Ferreira. Os dirigentes elogiam o canil municipal, dizendo que está hoje melhor do que no passado e consideram positivas as campanhas de adopção que têm sido promovidas pelo município.

Crise de voluntários
Quem estiver a pensar ter um animal de estimação deve optar pela adopção em vez da compra, apelam os dirigentes, já que existem muitos animais e precisar de novo dono. “O abandono dos animais é um problema grave. Já tive gente a querer livrar-se de um cão só porque urinou em cima de uma passadeira”, lamenta Telma. O Verão é o período mais crítico. “Não há pessoas a voluntariar-se para fazer um peditório no supermercado ou para nos ajudar no dia a dia. Revolta-me muito não haver ninguém disponível para ajudar. As pessoas só pensam nelas e estão-se borrifando para as outras”, lamentam Telma e Sérgio Messias.
Quem quiser apoiar a associação com donativos financeiros que permitam aumentar a quantidade de esterilizações feitas aos animais de rua pode fazê-lo para a conta 99100080539 (Montepio).

Um animal que não é alimentado torna-se perigoso

A Associação Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira é a favor que a população alimente animais abandonados na rua, uma posição contrária à da maioria dos autarcas que considera que a prática é promotora de insalubridade. “Um animal que não é alimentado acaba por ser maltratado e torna-se perigoso. Há quem alimente animais e depois vá arranjando donos para eles. Quem o faz não leva os animais para casa por não poder e por já lá ter vários. Há quem goste e não goste disso mas a vida é mesmo assim”, refere Telma Ferreira. A ideia de colocar alimentadores de rua, locais específicos onde a população possa deixar comida, é elogiada pelos dirigentes.
A associação condena a decisão de alguns autarcas, como a de Jorge Ribeiro, presidente da Junta da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, que ordenou aos trabalhadores da freguesia que deitem no lixo todos os recipientes com comida que encontrem espalhados na rua. “Gostava que ele estivesse uma semana na rua sem comer e sem beber para saber dar o valor”, considera Sérgio. “Esse presidente da junta não deve gostar de animais. Espanta-me que ele tenha animais em casa e possa ter essa ideia”, lamenta Telma Ferreira.

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