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Industriais dos curtumes preocupados com anunciada mudança de gestão da ETAR
Nuno Carvalho da APIC lançou preocupações durante o arranque da última Expopele em Alcanena

Industriais dos curtumes preocupados com anunciada mudança de gestão da ETAR

Situação avançada pelo presidente da APIC na abertura da EXPOPELE by PT Leather inDesign. Curtimenta tem processos específicos que não estão reflectidos no decreto-lei que regula as emissões poluentes.

Edição de 24.04.2019 | Economia

Os industriais de Curtumes de Alcanena estão preocupados com a transição da gestão da ETAR de Alcanena da AUSTRA- Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena para a empresa municipal recém-criada AQUANENA. A preocupação foi avançada por Nuno Carvalho, presidente da APIC - Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes na abertura da EXPOPELE PT/Leather in Design, que decorreu nos dias 11 e 12 de abril, no Museu do Curtume em Alcanena.
A aplicação dos Valores Limite de Emissão (VLE) das descargas, que se encontram nos níveis de uma ETAR doméstica é uma acção que estará enquadrada na lei, mas não responde às necessidades do sector dos curtumes. Os VLE são um método estipulado pela lei de controlo das emissões poluentes, que protege a saúde humana e o ambiente. O sector dos curtumes está regulado pela lei geral para os VLE, pelo que, dado a carga química presente no processo industrial, a AUSTRA foi negociando ao longo dos anos licenças específicas de descarga para as fábricas de Alcanena, conforme esclareceu o diretor-geral da AUSTRA, Carlos Martinho, na conferência sobre Economia Circular e Sustentabilidade.
Nuno Carvalho na sua intervenção sobre a “Visão 2030” para a indústria constatou que a grande questão é o próprio decreto-lei que regula estas emissões e que não tem em conta a especificidade dos processos industriais de curtimenta, considerando ser “urgente” a sua alteração.
A mesma preocupação foi partilhada pelo secretário-geral da APIC, Gonçalo Santos. Numa edição da EXPOPELE by PT Leather inDesign em que a inovação ao longo de toda a fileira do couro, a certificação da autenticidade do produto e a internacionalização foram dos temas mais discutidos, manter o sistema de Alcanena a funcionar de forma integrada – ou seja, ocupando-se da ETAR, do SIRECRO – Sistema de Recuperação do Crómio, Aterro de Lamas e Aterro de Resíduos Sólidos Industriais -, é um activo ambiental de peso que a indústria teme perder e que vai ter influência directa na vida dos trabalhadores do sector. Caso as empresas não tenham capacidade para ultrapassar os constrangimentos desta nova gestão, poderão ter de deslocalizar as suas unidades para países onde seja possível laborar, o que implicará a perda de postos de trabalho no concelho de Alcanena.
“Se o sistema de Alcanena no seu todo se desintegrar é um risco muito grande para a indústria porque perderá aqui uma fonte muito grande de competitividade” adiantou Gonçalo Santos, secretário-geral da APIC. “Um dos activos importantes que temos na indústria é a gestão integrada de toda a dimensão ambiental, com bons níveis de economia circular, que podem ser superiores, nomeadamente com o reaproveitamento da água, que é hoje uma prioridade”, destacou.
Gonçalo Santos defende que há “condições únicas para proceder à reutilização da água” no concelho, mas entende que tal deve competir à indústria de curtumes, que tem o conhecimento e a experiência necessários para gerir o processo da melhor forma.
O empresário e artista João Carvalho, na conferência sobre a História da Pele e Sustentabilidade do Couro defendeu que o Couro é um material sustentável que resulta do abate de animais criados para consumo humano garantindo que do ponto de vista ecológico pode dizer-se que o aproveitamento das peles dos animais evita a degradação de toneladas de peles em aterros, e os problemas que lhe estariam associados. Ao contrário das polémicas dos plásticos hoje já se produzem peles biodegradáveis e desintegráveis.
A EXPOPELE by Leather inDesign foi uma organização da APIC, com as parcerias da Câmara Municipal de Alcanena, CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro e da ACIS – Associação Empresarial de Torres Novas, Entroncamento, Alcanena e Golegã.

Industriais de curtumes apostam forte na sustentabilidade ambiental
A indústria de curtumes Portuguesa desde há 30 anos que vem aplicando os princípios da Economia Circular, que se iniciaram com a criação da unidade de reciclagem de crómio, implementação de uma ETAR industrial que constitui o Sistema de Alcanena. Sendo na altura o primeiro exemplo nacional da aplicação do princípio do poluidor-pagador.
Também nas unidades de curtumes foram e continuam a ser aplicadas diversas medidas que fomentam o mesmo princípio (tendo em conta as certificações que são pedidas pelos clientes nacionais e internacionais).
A integração do Sistema de Alcanena com a possível recuperação de águas, eliminação total do passivo ambiental (aterros = energia, podendo ser a mesma utilizada para o funcionamento da ETAR), significa que existe em Alcanena uma oportunidade única, que não deve ser desperdiçada, de conciliar o expoente máximo ambiental com a competitividade.

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