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Ruído de fábrica incomoda moradores em Benavente
Fernando Cabaço e Joaquim Duarte, dois moradores que se queixam do barulho ensurdecedor proveniente da Silvex

Ruído de fábrica incomoda moradores em Benavente

Município tenta encontrar soluções que sirvam as duas partes. Confirmaram-se os piores receios dos moradores da Quinta da Brasileira que habitam a poucas centenas de metros da Silvex. Desde que a fábrica foi ampliada, o ruído permanente de ventiladores, empilhadoras e camiões, aumentou e está a motivar queixas de residentes. A empresa diz que ruído não ultrapassa limites estabelecidos por lei.

Edição de 08.05.2019 | Sociedade

A fábrica de plásticos e papéis Silvex, localizada nas proximidades da urbanização da Quinta de Brasileira, em Benavente, está a motivar queixas dos moradores, que dizem estar sujeitos a ruído diurno e nocturno que os impossibilita de usufruírem de “um sossego mínimo estipulado por lei para zonas habitacionais”. A Câmara de Benavente reconhece a preocupação dos moradores e diz estar a procurar soluções, enquanto a empresa nega que emita ruídos acima do que é permitido.
O problema é sentido de noite e de dia e mesmo durante os fins-de-semana. Em causa está o ruído proveniente de ventiladores, maquinaria industrial, circulação de empilhadores e camiões, sentido no interior das habitações mais próximas. “Já tive de sair de casa porque o barulho é insuportável e tem aumentado. Fizemos ali o investimento da nossa vida e sentimo-nos defraudados”, lamenta o morador Joaquim Duarte.
Também Fernando Cabaço, residente na Quinta da Brasileira há 24 anos, refere que sempre que os silos estão a meia carga há “um barulho ensurdecedor, mesmo dentro de casa”, independentemente da hora ou dia. Francisco Paim pensa em tomar uma atitude mais extrema e pôr à venda a casa que construiu de raiz há 20 anos. “Quero viver num sítio onde possa estar descansado e não a ser constantemente perturbado por este ruído”, confessa.
O assunto anda há vários anos a ser reportado à Câmara de Benavente, tal como aconteceu na reunião do executivo de 15 de Abril, pela voz de Joaquim Duarte, que se queixa da falta de esforços da autarquia para resolver o problema. “Olham mais ao prejuízo que a empresa pode ter - por parar um dia para serem feitas medições de ruído - do que para nós moradores, que andamos há dois anos a reivindicar uma solução”, diz.
Num documento que os moradores fizeram chegar à autarquia, no presente mês, lembram que antes de licenciar a ampliação da fábrica, “a câmara deveria ter analisado muito bem as consequências negativas para os residentes na área envolvente e com eles ter realizado uma reunião para aferir pareceres”.
O presidente do município, Carlos Coutinho (CDU), refere que “o actual PDM (Plano Director Municipal) considera toda a área que a Silvex adquiriu e já a classifica como área industrial”.

Empresa nega poluição sonora
“A Silvex não reconhece que alguma vez tenha emitido qualquer ruído a qualquer hora, que tenha ultrapassado os limites legais”, diz o director geral e financeiro da empresa, Paulo Azevedo, que, em resposta a O MIRANTE, reitera que a empresa “tem investido e continuará a investir sempre que for considerado necessário dezenas de milhares de euros” para “reduzir muito abaixo dos mínimos legais qualquer ruído”, para “assegurar o melhor bem-estar de toda a vizinhança”.
Paulo Azevedo alega ainda que se “trata de uma situação pontual”, reclamada apenas por um vizinho, e lamenta que este “mantenha a presente atitude”. “Face ao que precede, a Silvex entende que não tem que chegar a acordo com o vizinho reclamante, porque até à data não tem evidências que o justifiquem”.

Câmara de Benavente reconhece que há ruído e procura soluções
A O MIRANTE, Carlos Coutinho diz que a câmara “reconhece importância de uma empresa com esta dimensão - com 250 postos de trabalho - e reconhece também que as pessoas que ali residem têm direito ao sossego”, evidenciando que querem encontrar soluções que sirvam todas as partes. Acrescenta que ele próprio já reuniu com a administração da Silvex na procura dessas soluções. “Já tive oportunidade de estar presente e reconheço que há um ruído”, diz.
Como forma de comprovar se existe ou não poluição sonora, a autarquia articulou com a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e já foram realizadas medições de ruído durante o período de laboração da fábrica. Faltam realizar as medições fora do período laboral, o que de acordo com o vereador Hélio Justino ainda não foi possível executar, pois a fábrica teria de interromper a sua actividade o que representaria perdas financeiras na ordem dos 30 mil euros. “Não é uma questão fácil de resolver”, diz o vereador.

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