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Nos escoteiros aprende-se a sujar as mãos e as tecnologias ficam à porta
Escoteiros da Póvoa de Santa Iria aprendem todos os dias a viver sem o apoio da tecnologia

Nos escoteiros aprende-se a sujar as mãos e as tecnologias ficam à porta

Grupo da Póvoa de Santa Iria foi criado há três anos na Praia dos Pescadores. Número máximo de escoteiros foi atingido e já existe lista de espera. Numa cidade de prédios como a Póvoa de Santa Iria, o grupo 257 é um dos elos de ligação entre os jovens e a natureza onde se valoriza o trabalho em equipa.

Edição de 17.07.2019 | Sociedade

Afastar os jovens de uma vida sedentária em frente às televisões e dependentes da tecnologia, aproximando-os da natureza, dando-lhes competências e experiências úteis para o resto das suas vidas são alguns dos objectivos do grupo de escoteiros 257 da Póvoa de Santa Iria.
O trabalho tem dado nas vistas e, desde Maio, tornou-se o primeiro grupo de escoteiros do país a receber um desfibrilhador em parceria com a Fundação Portuguesa de Cardiologia (ver caixa). O grupo integra a Associação dos Escoteiros de Portugal, que não tem ligação directa à igreja católica (ao contrário do Corpo Nacional de Escutas - CNE) e por isso tem no seu grupo jovens de várias religiões.
O grupo de escoteiros 257 da Póvoa de Santa Iria foi criado há três anos precisamente porque o grupo do CNE que ali existe, o Agrupamento 773, não conseguia dar resposta à procura. “Abrimos para poder ajudar todos os jovens que quisessem ser escoteiros mas entretanto também nós já estamos cheios e com a nossa própria lista de espera”, lamentam Rocha Coelho e Luís Mata, chefe e sub-chefe do grupo.
Ao todo são 115 jovens que estão a frequentar o grupo 257, que está implantado na Praia dos Pescadores à beira do Tejo. “Os pais cada vez mais querem tirar os miúdos da frente da televisão e permitir que eles possam contactar com a natureza e com as dinâmicas de grupo. Aqui, aprendem fazendo”, explica Rocha Coelho. Tirar os olhos dos telemóveis e das tecnologias é o principal desafio numa sociedade cada vez mais dependente da tecnologia.

Aprender fazendo
“Estamos preocupados com os jovens de hoje e esse é um dos motivos porque o grupo foi criado. Queremos formar melhores adultos no futuro, dar a estes jovens o contacto com a natureza que nós tivemos em crianças e que hoje lhes está vedado por vários motivos, seja por insegurança dos pais ou dependência da tecnologia”, explica Luís Mata a O MIRANTE.
Para os líderes do grupo, o mais importante é que os jovens aprendam coisas simples como sujar as mãos e trabalhar em equipa. Como acender uma fogueira, confeccionar uma refeição praticamente sem nada no campo recorrendo a um tacho e uma faca de mato, saber purificar água, trepar uma árvore, lançar um cabo, atar, criar situações de segurança e construir abrigos. Mas há formação também em relação aos valores fundamentais da sociedade, como a ajuda ao próximo, o combate ao bullying nas escolas e o saber aceitar a diferença racial.

Prontos para salvar vidas

O grupo 257 da Póvoa de Santa Iria é o primeiro do país a ter um desfibrilhador automático externo, que foi entregue em Maio no âmbito do “Projecto salva-vidas” promovido pela Fundação Portuguesa de Cardiologia em parceria com a Senilife. Seis operacionais dos escoteiros receberam formação apropriada para usar o aparelho que pode salvar vidas em caso de paragem cardiorespiratória.
“O desfibrilhador é portátil e podemos até, se necessário, prestar o primeiro socorro aqui no passeio ribeirinho caso seja necessário. Ter nesta zona um aparelho que poderá salvar vidas é fundamental”, considera Luís Mata.

Nos escoteiros aprende-se a sujar as mãos e as tecnologias ficam à porta

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