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Os milagres de Tancos e as picardias em Vila Franca de Xira que só se resolvem com um duelo

Edição de 15.10.2019 | Emails do Outro Mundo

Façanhoso Manuel Serra d’Aire

O caso Tancos abalou a campanha eleitoral e pode ter sido um factor decisivo para o PS não conquistar a ambicionada maioria absoluta. Mais uma vez a região foi determinante na história de Portugal, mesmo que não tenha sido por boas razões. Mas, enfim, mal ou bem, o que interessa é que falem de nós, não é? Alguém até já classificou o imbróglio como mais um milagre de Tancos, pois só mesmo com intercessão divina Rui Rio escaparia a uma hecatombe eleitoral e Costa seria despojado da sua maioria absoluta.
Recordo que o primeiro milagre de Tancos, assim baptizado à época, foi há mais de um século, quando em três meses se criou ali uma estrutura para formar à pressão os mais de 20 mil portugueses que combateram na 1ª Guerra Mundial. E atenção, meu caro, porque esse suposto milagre é anterior às aparições de Fátima e, só por isso, Tancos merecia o nosso mais profundo respeito.
Até porque, um século depois, os milagres voltaram a acontecer por ali. Primeiro foi o misterioso desaparecimento do material de guerra dos paióis militares; depois foi a sua reaparição na charneca da Chamusca; e por fim a queda do optimista António Costa nas sondagens e nas urnas, à custa de um despacho de acusação do Ministério Público saído cá para fora a uma semana das eleições. Se isto não são milagres, são o quê?
Na Câmara de Vila Franca de Xira anda uma picardia política entre um vereador do Bloco de Esquerda (Rui Perdigão) e o autarca socialista que é vice-presidente do município (António Oliveira). Depois do primeiro ter chamado mentiroso ao segundo numa reunião de câmara - quando o visado estava ausente de férias -, foi a vez de o ofendido responder publicamente para defender a sua honra, numa reunião de câmara onde dessa vez não estava o ofensor.
Os dois andam, obviamente, desencontrados. Por isso, vejam lá se se organizam e marcam local e data e escolhem as armas para um duelo à boa maneira do século XIX. Porque essa coisa de xingar nas costas é coisa de putos da escola primária. Ofereço-me para árbitro (e fiquem sabendo desde já que aceito subornos, desde que sejam devidamente apelativos).
Por fim, caro Manel, a Rui Barreiro o que é de Rui Barreiro. No teu último escrito, na lista de cargos que o insigne estadista já ocupou ou quis ocupar esqueceste-te (quero crer que involuntariamente) de mencionar o que actualmente desempenha, como vogal executivo de uma empresa pública de gestão florestal chamada Florestgal (criada pelo Governo do seu PS), que para além de ter criado mais alguns empregos ninguém sabe muito bem o que faz ou tem feito. Embora eu suspeite que a redução do número de incêndios florestais este ano já esteja relacionado com o trabalho de sapa que tem sido feito longe da luz dos holofotes pelo consagrado Rui Barreiro e companhia, porque, como tu bem sabes, a modéstia e a discrição são características vincadas desse ilustre político a quem o nosso país tanto deve.
Uma continência do
Serafim das Neves

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