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José Eduardo Carvalho apela a uma maior intervenção das associações empresariais
José Eduardo Carvalho foi reconduzido na presidência da Associação Industrial Portuguesa até 2022

José Eduardo Carvalho apela a uma maior intervenção das associações empresariais

O presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), reconduzido no cargo até 2022, tomou posse numa acção diferente, perante um grupo de setenta convidados, no Tramagal, que envolveu uma visita ao Museu Metalúrgica Duarte Ferreira e à fábrica da Mitsubishi. José Eduardo Carvalho defendeu uma maior intervenção no país e na política por parte dos patrões e das associações que os representam.

Edição de 30.10.2019 | Economia

O presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), José Eduardo Carvalho, disse na sua tomada de posse para mais um mandato que os interesses económicos têm de ser mais defendidos, perante sindicatos cada vez mais interventivos. O líder da AIP, que protagonizou uma tomada de posse diferente perante um grupo de setenta convidados no Tramagal, Abrantes, que incluiu visitas à fábrica da Mitsubishi e ao Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, realçou que o país atravessa uma crise de representatividade orgânica dos interesses económicos. E é neste quadro que vai trabalhar para reforçar a representatividade das empresas.
José Eduardo Carvalho salientou que ao nível dos sindicatos existe uma emergência de associações independentes com lutas radicalizadas e que no campo das associações empresariais há um alheamento e fragmentação da actividade associativa. O presidente da AIP reconduzido no cargo até 2022, realçou que a situação actual das associações empresariais exige uma gestão esforçada e um “sacrifício” que só se justifica com associações utilitárias que respondam às necessidades das empresas.
“Sempre tive dificuldade em falar dos problemas de fora, sem ter resolvido os problemas de dentro” da associação, começou por referir José Eduardo Carvalho na tomada de posse dos corpos sociais da AIP, na quinta-feira, 17 de Outubro. Acrescentou que é expectável que os salários e a produtividade em Portugal aumentem. Mas ressalvou que é necessário reforçar o papel das associações empresariais e dos interesses económicos. Porque com um associativismo disperso não existem condições de trabalhar no sentido de formatar decisões políticas, nem capacidade de influenciar a definição de políticas económicas.
Neste campo José Eduardo Carvalho valorizou o trabalho da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP), dirigida por António Saraiva, que esteve presente na cerimónia.
A actual conjuntura política do país não assusta José Eduardo Carvalho. Do seu ponto de vista, sejam governos de esquerda ou direita, maioritários ou não, o único aspecto que deve interessar às associações empresariais é se as políticas laborais e fiscais favorecem ou não o tecido empresarial. O dirigente considera mesmo que um Governo minoritário pode até favorecer, uma vez que “obriga” os governantes a terem que ouvir mais entidades e pessoas envolvidas.
Apesar do cenário descrito a AIP teve um crescimento de 40 por cento entre 2011 e 2018. Em 2011, altura em que a actual direcção chegou à AIP, a associação tinha 733 associados. Em 2018 alcançou os 1.104.

Sobreposição de organismos cria dificuldades ao trabalho das associações empresariais
A sobreposição de entidades que intervêm no tecido empresarial, por exemplo, na obtenção e gestão de fundos comunitários representa dificuldades acrescidas e constrangimentos às organizações empresariais.
José Eduardo Carvalho aponta como exemplo a atribuição de competências, na área do empreendedorismo e do emprego, às comunidades intermunicipais. Enquanto SÃO da responsabilidade de outros organismos as áreas da dinamização, inovação e internacionalização. O presidente da AIP defende que este trabalho deveria ser exclusivo das associações empresariais.
O afastamento progressivo das associações empresariais do mercado da formação de activos é outro dos factores que José Eduardo Carvalho aponta como inexplicável.

Pedro Ferraz da Costa é forte contestatário das políticas económicas nacionais

Pedro Ferraz da Costa quer patrões metidos na política

Presidente da mesa da assembleia-geral da AIP diz que é preciso que os patrões se envolvam no combate à corrupção.
O economista e presidente da mesa da assembleia-geral da AIP, Pedro Ferraz da Costa, não se admira que os processos mediáticos relacionados com a corrupção acabem prescritos. Forte contestatário das políticas económicas e do papel dos empresários na vida política, que diz ser nula, o economista realçou que Portugal atravessa um período de políticas “fortemente anti-empresariais”, acrescentando que não há medidas para pôr o país a crescer.
Segundo aponta, o governo PSD/CDS também teve responsabilidades, “muito por culpa do CDS”, que travou um conjunto de liberalizações que estavam previstas sob o programa da troika e que tiveram uma oposição do lado de quem as devia ter apoiado. Exemplo gritante foi a caducidade das contratações colectivas que apelida de “um arrastar de uma visão obsoleta” sobre as condições de trabalho que têm mais de trinta anos.
O resultado que apelidou de “catastrófico” nas últimas eleições atribuiu-o em parte à falta de envolvimento dos patrões na política, ao contrário do que fazem os líderes das centrais sindicais. Pedro Ferraz da Costa criticou o facto de as entidades patronais não terem uma voz activa, sublinhando que o que se ouve por parte destas “são afirmações tímidas e ridículas dizendo que não se metem” naquilo que é da esfera da política. “Parece que estamos num país de Leste quando o que precisávamos era de equilíbrio”, realçou.
Pedro Ferraz da Costa defende que os empresários não podem alhear-se de um combate que defenda os valores da iniciativa do livre mercado, da progressão salarial e das carreiras. “As empresas parece que são as defensoras dos baixos salários. O único objectivo é pagar o menos possível”.
O presidente da mesa da assembleia-geral da AIP diz que é preciso que os patrões se envolvam no combate à corrupção. “A estrutura patronal devia manifestar-se no combate sério à corrupção, o que não tem existido”, sublinhando que “gostava que os empresários estivessem do lado de quem defende uma justiça diferente”, advertiu.
O sistema de políticas activas de emprego foi também alvo de crítica. “Tínhamos programas para ocupar pessoas que não encontravam emprego e continua tudo igual como se a realidade fosse a mesma”. Portugal precisa agora de “menos incentivos para as pessoas ficarem em casa e mais para irem trabalhar, porque melhora a dignidade da própria pessoa e porque o país precisa de incrementar a sua produtividade”, referiu Pedro Ferraz da Costa.
O programa de Rendimento Social de Inserção (RSI) também é criticado pelo economista. Quem beneficia deste programa e entra no mercado de trabalho é obrigado a devolver até 80% do que recebia. E exemplifica: “quem comece a ganhar 600 euros e recebia 500 euros no âmbito do RSI, tem que devolver quase a totalidade. São políticas de emprego sem nexo. Ninguém sabe para onde vai o dinheiro, deitamos dinheiro pela janela em quantidades assombrosas”, apontou.

Salomé Rafael confia nos objectivos traçados por José Eduardo Carvalho

A presidente da direcção da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), Salomé Rafael, confia na “qualidade e eficiência” do trabalho de José Eduardo Carvalho, que já foi presidente da Nersant, e da equipa que o acompanha. “Não tenho dúvida de que, apesar de paradigmas diferentes que atravessamos nos dias de hoje” ao nível empresarial, “vai conseguir alcançar os objectivos que tem delineados” para a AIP. No que respeita ao quadro político actual, Maria Salomé Rafael faz uma leitura positiva. “Apesar de o Partido Socialista não ter ganho com maioria absoluta, ganhou com uma maioria confortável”. Nestes casos os governos “têm que ter mais cuidado” em ouvir os outros partidos e organizações e a tomar decisões.

Tomada de posse de José Eduardo Carvalho contou com várias personalidades da região e não só

Tomada de posse restrita a cerca de setenta individualidades

A tomada de posse reuniu um grupo restrito de associados e representantes dos núcleos empresariais de norte a sul do país. Entre algumas das personalidades marcaram presença Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização, que foi homenageado pela AIP pelo trabalho desenvolvido durante o seu mandato ao nível das exportações. “Das políticas públicas a internacionalização foi a que teve mais sucesso”, apontou José Eduardo Carvalho.
Outra das presenças mais notadas foi de Maria do Céu Albuquerque, ex-presidente da Câmara de Abrantes e ex-secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, que esta semana tomou posse no cargo de ministra da Agricultura. Luís Mira Amaral, ex-ministro do Trabalho e Segurança Social e, posteriormente, da Indústria e Energia; António Saraiva, presidente do conselho geral da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), bem como o presidente da Câmara de Abrantes Manuel Valamatos, também estiveram presentes.
Na cerimónia estiveram ainda representantes de várias instituições e empresas como a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e Inovação (IAPMEI), Agência para o Investimento Comercial Externo de Portugal (AICEP), Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Automação Industrial, Estudos e Projectos LDA (AIEP), bem como representantes da banca e outras empresas que trabalham na execução dos projectos dos associados da AIP.
A comitiva visitou as instalações da empresa Mitsubishi, divididas em quatro grupos de 15 pessoas, guiadas por técnicos da empresa. Os associados colocaram questões sendo as de maior interesse o nível de exportação da empresa e o número de funcionários que emprega. A Mitsubishi emprega cerca de 500 pessoas, sendo uma das indústrias com mais postos de trabalho criados no concelho de Abrantes. Fazem dez mil carros por ano, entre carros completos e chassis para os Estados Unidos da América (EUA). Recebem cerca de cinco contentores por dia de material vindo do Japão para transformar e saem, também por dia, cinco contentores com material já transformado para os EUA. Cerca de 90% da produção destina-se à exportação para mais de 30 países.
O Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, onde a AIP fez questão de concretizar a sessão de tomada de posse, foi também ponto de visita guiada. A AIP pretendeu homenagear o espaço que, em 2018, foi distinguido pela Associação Nacional de Museologia como Melhor Museu do Ano. Depois da visita o professor catedrático e vice-presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa, Mira Godinho, apresentou uma palestra sobre o Passado e Futuro da Produtividade e Eficiência da Economia Portuguesa.
O jantar volante foi servido na Quinta Casal da Coelheira, confeccionado e servido pelos alunos da Escola Profissional do Vale do Tejo.

Maria do Céu Albuquerque, nova ministra da Agricultura

Maria do Céu Albuquerque sente ter capacidade para o desafio do ministério da Agricultura

Dias antes de ser empossada como ministra da Agricultura O MIRANTE questionou Maria do Céu Albuquerque sobre se esta era a pasta dos seus sonhos ou se lhe foi feito o convite e teve que aceitar. Com um largo sorriso, a agora ministra da Agricultura respondeu apenas que “os desafios são os que temos capacidade de aceitar”.
Aludindo a Eduardo Duarte Ferreira, fundador da Metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal, a governante disse ainda que: “ferreiro já sou, se puder ser algo mais e com isso contribuir, colectivamente, para as melhores condições de vida dos portugueses, aqui estou”.
As declarações foram feitas à margem da tomada de posse dos corpos sociais da Associação Industrial Portuguesa (AIP), onde Maria do Céu Albuquerque ainda surgiu enquanto secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, cargo que exerceu durante sete meses. A ex-autarca recebeu vários cumprimentos e felicitações por parte dos presentes, principalmente de personalidades da região do Ribatejo, começando desde logo por José Eduardo Carvalho.

Manuel Valamatos enalteceu Abrantes num breve discurso

Valamatos aproveitou para promover o concelho de Abrantes

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, aproveitou a tomada de posse dos órgãos sociais da AIP para promover o seu concelho. Apesar de não estar previsto usar da palavra, o autarca, que substituiu Maria do Céu Albuquerque, conseguiu valorizar Abrantes em cinco minutos de discurso. Referiu-se ao valor das taxas e impostos municipais competitivos, congratulou-se por Abrantes ser uma cidade do centro do país com excelentes acessibilidades, quer para Sul quer para Norte. “Estamos a uma hora do mar e a uma hora e meia da neve”, rematou. O autarca apontou ainda algumas das empresas bemsucedidas estabelecidas no concelho, como é o caso da Mitsubishi, no Tramagal.

José Eduardo Carvalho apela a uma maior intervenção das associações empresariais

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