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Missa em Abrantes com manifestação à porta da igreja
Cerca de uma centena de pessoas juntaram-se à porta da Igreja de São Vicente, em Abrantes, para demonstrarem o seu apoio ao Padre José da Graça, afastado de funções pelo Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco

Missa em Abrantes com manifestação à porta da igreja

Comunidade mostrou-se contra decisão do Bispo D. Antonino Dias, que afastou o padre José da Graça das paróquias de São João e São Vicente, à porta da igreja onde decorreu a missa de apresentação do novo pároco.

Edição de 30.10.2019 | Sociedade

O interior da Igreja de São Vicente, em Abrantes, encheu na tarde de domingo, 20 de Outubro, para assistir à missa de apresentação do novo padre, António Castanheira, enquanto à porta uma centena de pessoas juntou-se numa vigília de apoio ao padre José da Graça. Em causa está o afastamento de todas as funções do padre Zé (como é conhecido entre a população), pelo bispo D. Antonino Dias, por o pároco ter sido condenado em tribunal pelos crimes de burla e falsificação.
Os populares que se concentraram no adro da igreja não estão contra a chegada do novo responsável das paróquias de Abrantes. O seu descontentamento é com a decisão do bispo, que consideram estar a ser intransigente.
Delfina Batista, 55 anos, frequenta a missa com assiduidade e diz que o bispo de Portalegre e Castelo Branco não respeitou a comunidade de Abrantes, tomando uma decisão sem os ouvir. José Pereira Serras, 83 anos, critica a decisão de afastar o padre, considerando uma injustiça o que lhe está a ser feito. “Todos temos defeitos, mas o padre Graça tem uma obra social notável feita ao longo de mais de trinta anos. Não havia necessidade de fazer as coisas desta forma”, lamenta. João Viana, 67 anos, considera que o bispo se precipitou e que só deveria ser tomada uma decisão eclesiástica depois da decisão do recurso judicial que corre no Tribunal da Relação.
O porta-voz do Movimento Social de Apoio e Reconhecimento ao Cónego José da Graça explicou que a vigília representa um manifesto da comunidade para mostrar que o bispo está a proceder mal. Domingos Chambel apela a uma transição pacífica de modo a que José da Graça possa sair pela porta grande depois de 34 anos dedicados às paróquias de São João e São Vicente.
Acrescenta que o bispo deveria congregar todos os interesses e criar a harmonia entre a comunidade, encontrando uma solução que não enxovalhe mas dignifique o padre, que já tem 76 anos. Realçando que a comunidade não deve obediência ao bispo, nem deve bajular ou andar curvada, Chambel diz que sugeriu a possibilidade de os padres António Castanheira e José da Graça trabalharem em conjunto. Uma posição que o bispo rejeitou.
D. Antonino Dias nomeou o padre António Castanheira, de Alcains (Castelo Branco), para substituir José da Graça, tendo tomado posse como administrador paroquial. Recorde-se que o processo de suspensão de José da Graça surge na sequência da sua condenação pelo Tribunal de Santarém, em Junho deste ano, a cinco anos de prisão, com pena suspensa por igual período, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos, porque a instituição que dirigia comunicava utentes que não tinha para receber mais subsídios estatais.
O MIRANTE assistiu à missa de apresentação do padre António Castanheira. No final da eucaristia, o Vigário-Geral da Diocese, monsenhor Paulo Henriques Dias, e o padre Castanheira reconheceram o trabalho desenvolvido pelo padre Graça em Abrantes, dizendo esperar que as pessoas entendam este ponto de viragem nesta paróquia”, disse o Vigário-Geral a O MIRANTE.

Missa em Abrantes com manifestação à porta da igreja

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