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Município quer reaver terrenos que custaram uma fortuna e foram cedidos por uma bagatela
Ricardo Gonçalves está em negociações com a Lactogal para tentar reaver os terrenos

Município quer reaver terrenos que custaram uma fortuna e foram cedidos por uma bagatela

Edição de 30.10.2019 | Sociedade

A Câmara de Santarém está em negociações com a Lactogal para tentar reaver para o município as parcelas de terreno que lhe custaram mais de um milhão e 100 mil euros e que cedeu a essa empresa de lacticínios, no início deste século, pelo preço simbólico de um cêntimo por metro quadrado (910 euros no total). O presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves (PSD), conta ter uma proposta concreta para apresentar à empresa até final deste ano.
Os terrenos - com uma área global de 9,1 hectares e situados nas proximidades da fábrica de cerveja Cintra e da A1 - destinavam-se à implantação de uma fábrica de queijos da Lactogal. O empreendimento nunca chegou a concretizar-se porque era necessário mais um terreno contíguo com 4,3 hectares que o município nunca conseguiu adquirir para ceder à Lactogal.
O impasse verificado levou a empresa a desinteressar-se do investimento em Santarém e o projecto de 50 milhões de euros foi parar a Oliveira de Azeméis, conforme noticiámos em Novembro de 2005. Em 2009 chegou a ser noticiado o interesse do grupo JJ Louro em criar uma unidade industrial nesses terrenos da Lactogal, mas o projecto, que tinha a concordância da Câmara de Santarém, também não chegou a avançar.
Agora, o presidente da Câmara de Santarém pretende recuperar para a posse do município os terrenos que custaram mais de um milhão de euros mas falta chegar a entendimento quanto aos números. Para além do valor a receber pelos terrenos, que não conseguimos apurar, a Lactogal quer ser ressarcida dos custos com projectos e estudos relacionados com a fábrica de Santarém que nunca chegou a sair do papel.
Por sua vez, a autarquia contrapõe que alguns desses estudos terão sido aproveitados para outra fábrica da empresa e tenta baixar a quantia a pagar. Na última sessão da Assembleia Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves confirmou que está em negociações com a Lactogal.
Recorde-se que o processo foi inicialmente conduzido, ainda nos finais do século XX, pelo então presidente da câmara José Miguel Noras (PS), que negociou o protocolo original com a Lactogal. A autarquia comprometeu-se a arranjar terrenos para a empresa mas acabou por nunca conseguir chegar a acordo com um dos proprietários envolvidos. Isto apesar das negociações que a autarquia foi mantendo no mandato do socialista Rui Barreiro (2002-2005). Foi já com Moita Flores (PSD) na Câmara de Santarém, no final de 2005, que a Lactogal anunciou ter descartado a opção por Santarém.
Números revelados na altura referiam que a nova fábrica da Lactogal previa criar 200 postos de trabalho directos e produzir cerca de 12 mil toneladas de queijo por ano.

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