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Um elefante branco na lezíria ribatejana
Estação da Castanheira do Ribatejo foi construída a pensar em milhares de empregos que nunca chegaram a ser criados na vizinha plataforma logística

Um elefante branco na lezíria ribatejana

Nova estação da Castanheira do Ribatejo é uma obra megalómana subaproveitada. Edifício deveria servir uma plataforma logística que nunca chegou a nascer. Actualmente é uma espécie de cidade fantasma: as bilheteiras estão fechadas, não há casas de banho públicas, não há seguranças e até o café que ali existe nem sempre está aberto.

Edição de 06.11.2019 | Sociedade

A estação ferroviária de Castanheira do Ribatejo é a maior e mais vistosa do concelho de Vila Franca de Xira mas é pouco movimentada e quase nada funciona no seu interior. A meio da manhã ou da tarde é possível parar no seu interior e desfrutar do silêncio durante longos minutos sem que alguém apareça ou percorra os corredores.
Custou mais de dois milhões e meio de euros, foi construída em 2004 e abriu no ano seguinte, em 2005, ainda com as obras a decorrer, a contar com uma plataforma logística que nunca saiu do papel. Hoje é um elefante branco com apenas algumas centenas de passageiros por dia e com o mínimo dos mínimos para se apanhar o comboio.
Quem a frequenta são sobretudo moradores da Castanheira e do Carregado que preferem apanhar ali o transporte em vez de irem a Vila Franca de Xira, graças à maior abundância de estacionamento proporcionado pelos três parques de estacionamento gratuitos que ali foram construídos.
As bilheteiras nunca chegaram a abrir, não há casas de banho públicas em funcionamento e as escadas rolantes nem sempre trabalham. Em algumas ocasiões a limpeza é deficiente e gera queixas dos utentes. Os espaços destinados a lojas estão fechados e de grades corridas. Há um café no edifício mas das três vezes que O MIRANTE esteve na estação o espaço estava fechado.
“A falta de movimento causa maior preocupação porque gera um sentimento de insegurança, especialmente durante a noite, quando há menos gente a apanhar o comboio. Foi uma obra megalómana, mais valia terem construído uma estação mais pequena”, conta Marcelo Leonardo, utente e morador na Castanheira. Diz que já chegou a ver idosos a aliviarem-se nas escadas da estação por falta de casas de banho. O facto de estar longe do centro da vila agrava esse problema.

A culpa é do vandalismo
A Infraestruturas de Portugal (IP), empresa responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária nacional, explica que as casas de banho são frequentemente alvo de vandalismo e que como não há vigilância humana na estação “não estão asseguradas as condições de segurança e higiene necessárias que permitam ter as instalações sanitárias abertas ao público”.
A IP explica a O MIRANTE que não tem recebido reclamações ou informações recentes sobre falta de limpeza do espaço, mas que irá alertar a empresa prestadora do serviço no sentido de reforçar essa tarefa. “Sobre o funcionamento das escadas rolantes não foram identificados registos de avarias prolongadas ou em número significativo nas oito escadas existentes. E uma percentagem significativa de reclamações recebidas confirmaram-se improcedentes”, explica a empresa.
Já a Comboios de Portugal, que tem a responsabilidade da operação, explica que as máquinas de venda automática “têm permitido dar resposta à procura registada” e que têm incluída uma ligação a um centro de apoio “que disponibiliza informação e auxilia os clientes na aquisição dos títulos”. Lembra, também, que os títulos podem ser comprados a bordo dos comboios, uma vez que não parece haver, da parte da CP, intenção de tão cedo abrir a bilheteira da Castanheira, atendendo ao baixo fluxo de passageiros.

Um elefante branco na lezíria ribatejana

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