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Aparecimento do cancro corresponde a fases menos boas da vida das pessoas
foto DR Carmo Couto e Luís Vasconcellos e Souza, coordenadores do Grupo de Apoio de Santarém do Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro

Aparecimento do cancro corresponde a fases menos boas da vida das pessoas

Um relatório divulgado no Dia Mundial da Luta Contra o Cancro revela que a doença vai atingir uma em cada cinco pessoas na próxima década. Fruto da genética, de factores ambientais ou dos comportamentos a ciência ainda não chegou a conclusões quanto à sua origem, mas Luís Vasconcellos e Souza, coordenador da Liga Portuguesa Contra o Cancro em Santarém, reforça que a doença é acelerada por tensões nervosas, psicológicas e profissionais.

Edição de 19.02.2020 | Sociedade

O cancro mata dez milhões de pessoas no mundo todos os anos. Um número equivalente a toda a população de Portugal. Os dados da Organização Mundial de Saúde indicam que na próxima década uma em cada cinco pessoas vai desenvolver a doença. Luís Vasconcellos e Souza, 65 anos, presidente da Agromais e um dos coordenadores do Grupo de Apoio de Santarém do Núcleo Regional do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro, faz parte das estatísticas nacionais do cancro. “Estou ligado à Liga há meia dúzia de anos, mas estou ligado ao cancro há mais de 15”, afirma a O MIRANTE em conversa no Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, 4 de Fevereiro.
O mais importante é encarar o cancro como uma doença normal, reitera, acrescentando que tal como na vida o que conta é a atitude. “Reconheço que há vidas muito diferentes e há situações em que é muito difícil ser-se positivo, mas para enfrentar o cancro tem que se ser positivo, senão morre-se”, afirma categórico.
Vasconcellos e Souza fala por experiência própria, pois também ele já passou por diversos cancros. “Lembro-me do primeiro cancro que tive, estava no estrangeiro, não me disseram o que era, deram-me um disco (CD). Vim para Portugal e mostrei-o ao médico que me sugeriu que fosse monitorizando a doença. Disse-lhe que era melhor ser operado porque tinha consciência que isto não ia para melhor. Deixar andar é a pior filosofia de combate ao cancro. O melhor é agir rapidamente, o problema é consegui-lo”, refere aludindo ao facto de não existirem camas suficientes para o número crescente de casos e da distribuição geográfica de meios nem sempre corresponder às regiões mais necessitadas.
Quanto à origem da doença, o presidente da Agromais refere que podem ser de três ordens: do ecossistema, do que se come ou da genética. E adianta que é sabido que a doença é acelerada com desconformidades, como tensões nervosas, psicológicas e profissionais. “São situações que provocam um descontrolo celular interno. Normalmente o aparecimento de cancros corresponde a fases menos boas da vida das pessoas”, remata.
Nos factores externos realça que existem profissões com mais propensão ao cancro como as ligadas ao trabalho ao sol (pescadores, agricultores e construção civil). Outro factor de risco que aponta é a obesidade. “Cabe a cada indivíduo fazer um balanço e perceber onde está o seu risco”, aconselha.

Número de voluntários duplicou
O aumento do número de casos tem sido sentido na Liga, que, de acordo com Vasconcellos e Souza, é cada vez mais procurada, quer porque há uma maior divulgação local do atendimento, com a abertura de novas delegações, quer porque a própria doença se está a expandir. Um duplo efeito que para o coordenador tem ajudado a que se fale mais do assunto e a envolver mais pessoas.
O número de voluntários duplicou em dois anos, chegando agora às quatro dezenas, o que permite ter dois turnos no atendimento. Os voluntários fazem atendimento, admissão e encaminhamento para os rastreios. São também eles que ajudam no “pesado” processo das receitas médicas que envolve provas ao nível da doença e dos rendimentos.
Segundo Vasconcellos e Souza, o objectivo da Liga é ter uma rede paralela aos hospitais do distrito. Depois de delegações em Santarém, Abrantes, Torres Novas e Golegã falta apenas Tomar.
A Liga é uma entidade que tenta chamar a atenção para o cancro. O seu papel é a orientação do doente mas não tem instrumentos próprios. “Não é bem um figurante neste filme, porque faz qualquer coisa, mas não o suficiente para ser protagonista”, refere Vasconcellos e Souza que divide a coordenação com Carmo Couto.

Aparecimento do cancro corresponde a fases menos boas da vida das pessoas

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