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Padre Aníbal Vieira diz que as meninas já não sonham com o vestido de noiva

Padre Aníbal Vieira diz que as meninas já não sonham com o vestido de noiva

Edição de 19.02.2020 | Sociedade

O Padre Aníbal Vieira, vigário-geral da Diocese de Santarém, garante que a construção de uma família está a deixar de fazer parte do projecto de vida e as jovens já não desejam entrar na igreja de braço dado com o pai e de vestido de noiva.
Para o sacerdote as pessoas são cada vez mais individualistas, não sonham com o copo d’água e não sentem a pressão social de casar antes de juntarem os trapinhos. Aníbal Vieira adianta que, nos últimos 15 anos, aumentou o número de casais que decidiram casar-se após uniões de facto de anos ou com filhos de relações anteriores.
O vigário-geral explica a O MIRANTE que, depois de vários anos em que houve uma quebra, o número de casamentos na diocese tem vindo a aumentar gradualmente. “Posso dizer que há trinta anos registávamos mil e tal casamentos, mas já ficámos abaixo dos 400 a 500 casamentos por ano”, afirma o sacerdote.
Questionado sobre a possibilidade de serem as “imposições” da igreja a afastar os casais do matrimónio, garante que a igreja não é muito exigente. Além das regras gerais, como os noivos serem maiores de idade, não terem vínculos civis ou religiosos, não estarem coagidos a casar e aceitarem-se um ao outro, têm de ser baptizados e frequentar o Curso de Preparação para o Matrimónio (CPM) ou equivalente.

Alguns casais reagem mal aos cursos matrimoniais
E pode ser este curso o responsável pelo baixo número de casamentos. “Algumas pessoas reagem um bocadinho mal ao curso de preparação, mas depois de o fazerem acabam por gostar. As pessoas já não querem perder muito tempo com cursos, nem ter trabalho para tratar do processo canónico”, admite o vigário, revelando que já aconteceu alguns casais frequentarem a preparação e depois desistirem de se casar. “É algo natural. Aperceberam-se que não deviam casar e não nos cabe a nós fazê-los mudar de ideias”, remata.
Os cursos podem ter uma duração entre 15 dias a cinco meses e pretendem despertar ou fazer crescer a fé, promover o diálogo entre o casal, desenvolver atitudes que desencorajem o recurso ao divórcio e ao aborto e capacitar o casal no sentido de uma paternidade consciente e responsável.
Durante o curso há também momentos de partilha proporcionados por casais com matrimónios duradouros. Segundo o sacerdote, em Santarém costumam decorrer três por ano. “Neste momento está a decorrer um curso que tem oito casais inscritos. Temos um outro que vai começar em Maio, onde vamos contar com cerca de trinta casais”, realça Aníbal Vieira. Além de Santarém, os Cursos de Preparação para o Matrimónio da Igreja Católica, podem ser frequentados em Torres Novas, Tomar e na Golegã.

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