Camião carregado de cortiça arrasa luminárias da ponte entre Praia do Ribatejo e Constância Sul
Condutor de um veículo pesado, que transportava cortiça, atravessou ilegalmente a Ponte da Praia e destruiu praticamente toda a iluminação da travessia sobre o Tejo. Antes de chegar a Constância, o camião já tinha provocado danos em telhas e beirados de casas no Tramagal. Motorista foi identificado.
A passagem ilegal de um camião pela Ponte da Praia, em Constância, voltou a expor as fragilidades de uma travessia onde a circulação de veículos pesados está proibida por razões estruturais. O veículo, carregado de cortiça, embateu nos candeeiros instalados ao longo da ponte e destruiu praticamente todas as luminárias, deixando a travessia sem iluminação pública e obrigando os automobilistas a cuidados redobrados durante a noite. Segundo O MIRANTE apurou, antes de atravessar a ponte o mesmo pesado já tinha provocado estragos no Tramagal, concelho de Abrantes, onde terá destruído telhas e beirados de habitações. A Guarda Nacional Republicana confirmou que o condutor foi identificado.
Um levantamento preliminar realizado pelos técnicos da Câmara de Constância aponta para prejuízos na ordem dos três mil euros. O presidente da autarquia, Sérgio Oliveira, considera que o novo incidente demonstra que a situação chegou a um ponto insustentável. “É urgente encontrar uma solução definitiva para acabar de uma vez por todas com este problema das acessibilidades na região”, afirmou a O MIRANTE. O município decidiu, entretanto, deixar de instalar os postes destinados a limitar a altura dos veículos à entrada da ponte. De acordo com o autarca, esses equipamentos eram repetidamente destruídos por camiões que ignoravam a sinalização e tentavam atravessar a estrutura. “É uma situação que tem vindo a piorar de dia para dia”, lamenta Sérgio Oliveira.
O episódio não é isolado. Em Fevereiro, O MIRANTE noticiou que vários camiões tentaram atravessar a Ponte da Praia, tendo sido impedidos pela GNR. Na altura, os constrangimentos na Ponte da Chamusca fizeram disparar o tráfego nesta travessia, com filas de centenas de metros e um aumento significativo do número de veículos ligeiros. A circulação continua a fazer-se alternadamente, regulada por semáforos, enquanto os pesados permanecem proibidos. Sob gestão municipal desde 1988 e fora da rede estruturante da Infraestruturas de Portugal, a ponte é há cerca de quatro décadas motivo de reivindicações por parte dos autarcas. Sérgio Oliveira tem defendido a reabilitação da estrutura ou a construção de uma nova travessia que permita a circulação de pesados e o tráfego nos dois sentidos.


