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24/06/2017
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“Quando era criança já queria ser professora e dava aulas às minhas bonecas”
Ana Maria Borges, 45 anos, professora de História na Escola Básica 2/3 do Sardoal
Edição de 02.03.2017 | Três Dimensões

Foi ainda em criança que Ana percebeu que queria ser professora. O gosto era tal que dava aulas às bonecas. Estudou em Abrantes e Coimbra e teve imensas saudades do Sardoal. Foi de tal forma que da primeira vez até ficou doente. Já fez teatro, toca clarinete na Banda Filarmónica e canta no coro da igreja. É benfiquista porque a certa altura o pai lhe deve ter dito que era o melhor clube do mundo. Gosta de cinema e de ler e até já pensou escrever um livro policial.

Já pensei escrever um livro policial mas ainda não me atrevi a escrever uma linha. Tenho medo de não estar à altura do desafio. No entanto continuo a pensar que se metesse mãos à obra a história vinha de imediato.
No cinema gosto de todos os géneros, desde comédias, dramas ou filmes históricos. Já a política não me atrai por aí além. Estou a par do que se passa mas não sou de discutir política a não ser na escola, com os alunos, de forma construtiva.
Já na escola primária sabia que queria ser professora e até dava aulas à minhas bonecas. Licenciei-me em História em Coimbra. O meu primeiro e único emprego foi professora. Nunca fiz outra coisa. Durante alguns anos dei aulas nos concelhos à volta do Sardoal. Nunca estive muito longe da minha terra e agora estou cá há três anos.
Gostava muito de ter feito ciências documentais. Era uma complementaridade ao meu curso que poderia ter feito em pós-graduação. Já tentei duas vezes recomeçar e nunca consegui. Da primeira vez fiquei grávida do meu segundo filho. Voltei a tentar mas surgiram alguns problemas de saúde. Talvez um dia ainda concretize esse sonho mas só quando os filhos estiverem criados.
O meu pai sempre me incentivou a estudar. Eu chegava a casa da escola, brincava um bocadinho e esperava por ele porque ele fazia questão de se sentar comigo a fazer os trabalhos de casa. Até ao final da escola primária acompanhou-me todos os dias. Não éramos ricos mas vivíamos comodamente. Disse-me que não me podia deixar uma grande herança mas que me podia deixar uma ferramenta para trabalhar. Ele sempre quis que eu nunca dependesse de ninguém.
Sou muito apegada à minha terra que considero ser a melhor do mundo. Estudei no Sardoal até ao nono ano. Quando fui para a Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes fiquei doente. Custou-me muito a adaptação porque nunca tinha saído do Sardoal. Nunca tinha sequer almoçado na cantina da escola. Foi um choque enorme. Depois em Coimbra sentia muitas saudades de casa, dos meus pais, da terra, do campo. Na cidade só via casas e nos primeiros dois anos foi assustador. Só não pensei desistir porque a minha vontade de fazer o curso era mais forte que as saudades que sentia.
Sempre gostei muito de enigmas. Durante o curso a minha disciplina favorita era paleografia diplomática. Funcionava como duas disciplinas. Estava relacionada com a leitura de manuscritos, documentos antigos, pergaminhos e com a transcrição da escrita antiga para português actual. Era uma coisa desafiante.
A escola em geral mudou muito nos últimos vinte anos e nem sempre pela positiva. Sou professora de História do terceiro ciclo. Comecei a leccionar em 1995 e só entrei para o quadro vinte anos mais tarde mas nunca fiquei sem trabalhar. Acho que me posso considerar uma felizarda no meio de tantos colegas sem trabalho. A escola funcionava de forma completamente diferente.
Quando comecei a dar aulas, como era magrinha e pequenina, cheguei a ser confundida com uma aluna. Aconteceu-me numa altura em Coimbra numa visita de estudo a uma exposição. Quando cheguei ao pé do porteiro para lhe tratar das entradas ele disse que resolvia o assunto...com a professora.
Nos tempos livres toco clarinete na Filarmónica União Sardoalense. E também faço parte da direcção. Também gosto de cantar e pertenci a um grupo coral durante trinta anos. O grupo acabou mas continuo a cantar no coro da igreja. Gosto de todos os géneros de música mas raramente oiço música sozinha. Mas assim que alguém da família entra em casa já não há silêncio até à hora de dormir.
Fiz teatro durante muito tempo no GETAS (Grupo Experimental de Teatro Amador do Sardoal). Ainda pertenço ao grupo mas já não represento. Gosto de ler, de ver documentários na televisão, de cozinhar e de passear com os miúdos. Normalmente nas férias vamos para Vila Nova de Cerveira, fazemos praia em Moledo. Mas tenho o sonho de fazer um cruzeiro pelo Mediterrâneo até às ilhas gregas. Para relaxar escolho Manteigas na Serra da Estrela e São Pedro do Sul, Luso.
Sou benfiquista porque o meu pai me deve ter dito a certa altura da vida que devia ser. Não vejo futebol e nunca fui ver um jogo do Benfica. Curiosamente já vi um jogo do F.C. do Porto e um jogo da Selecção Nacional.
Tentei fazer hidroginástica porque tenho uma vida muito sedentária mas desisti. Sei que é errado mas actualmente não ligo nada ao desporto. Quando era adolescente fiz ginástica rítmica.
Sou um óptimo garfo e tenho uma predilecção por comida tradicional portuguesa. Migas, açordas, ensopados... adoro. Sou muito gulosa e não devia ser porque tenho diabetes. É difícil às vezes controlar porque gosto mesmo de comer.

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