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Virtuoso Serafim das Neves

Edição de 10.10.2018 | Emails do Outro Mundo

Mário Nogueira, que alguns cidadãos mais velhotes se lembram vagamente de ter dados umas aulitas, quando era novo e ainda não tinha descoberto a sua vocação de sindicalista, anunciou, com a habitual jovialidade dos dias de greve, que o ano lectivo teve “um excelente arranque”.
Para ilustrar a eufórica informação deu como exemplo o facto de o Jardim-de-Infância dos Templários, na sua Tomar natal, ter permanecido fechado.
Os pais que o ouviram dar a nova devem ter saltado de alegria. Eu próprio, que já não tenho rebentos na escola, senti-me invadido por uma gigantesca sensação de bem-estar. Afinal, ao contrário do que alguns teimam em afirmar, o mundo não está perdido.
As greves são uma coisa maravilhosa, pelo menos para os sindicalistas. É vê-los a correrem de televisão para televisão a darem entrevistas, a emitirem declarações e a lerem comunicações. O ar vitorioso que ostentam compreende-se. Que melhor notícia pode haver do que aquela que refere serviços públicos parados?!!!
Eu já sabia que em certos serviços do Estado os grevistas nem sequer perdem a remuneração referente ao dia em que não trabalham, o que é justo porque fazer greve é um trabalho meritório que ajuda a preservar a democracia. Mas infelizmente aquela regalia não é para todos e isso é que me chateia. Mas chateia mesmo!!
Hoje li que na Polícia há 15 sindicatos e quase três mil sindicalistas. E que cada elemento dos corpos gerentes dos sindicatos tem direito a faltar quatro diazitos por mês para trabalho sindical que, azar dos azares, calha sempre às sextas-feiras e vésperas de feriados...ou mesmo aos fins-de-semana e feriados se por acaso esses mártires da luta pelos direitos inalienáveis do povo policial foram malevolamente colocados na escala de serviço. O ano passado os dias usado para sindicalismo policial, digamos assim, foram mais de trinta e um mil. Abençoados dias!
Eu fico sempre felicíssimo da vida por saber que o dinheiro dos nossos impostos é tão bem gasto. Que é gasto para aliviar o cansaço de quem tanto se esforça a lutar pelo descanso do povo. Quem é o contribuinte que não rejubila com isto?!!
No domingo passado repetiu-se aquela história tantas vezes repetida do morto-vivo. Desta vez calhou ao ilustre tomarense José Augusto França ter oportunidade de ler o seu obituário antes de morrer.
Quem matou prematuramente o conhecido historiador, sociólogo e crítico de arte, foi o jornal Público mas não houve cão nem gato que não quisesse mostrar que preza muito a cultura e os agricultores, perdão os cultos e vai daí, foi tudo de cambulhada. Jornais mais sérios que a seriedade, rádios, televisões, desataram todos a carpir o defunto vivo que felizmente foi ressuscitado horas mais tarde porque, como disse o escritor Mark Twain, quando lhe aconteceu o mesmo, as notícias do seu falecimento eram...francamente exageradas.
Termino com duas menções a dois acontecimentos que me tocam particularmente. Talvez por saber que o seu camarada de partido socialista e presidente da Câmara da Chamusca, Paulo Queimado, tinha ido, há uns anos, de calções e chinelos a uma homenagem a um médico falecido, o primeiro-ministro desembarcou em Angola para uma visita de Estado, de calças de ganga e mocassins, para provar que também é um político arejado.
Soube-se esta semana que o aparecimento, na Chamusca, do material de guerra roubado em Tancos foi uma encenação da Polícia Judiciária Militar. O grupo de teatro lá da terra que é especializado em copiar encenações teatrais não deverá perder a oportunidade e de certeza que vamos poder ver a peça...antes de rebentar o Ano Novo.
Saudações brejeiras
Manuel Serra d’Aire

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