Jogadores veteranos arrastam-se nos clubes de futebol porque não há jovens à altura para os substituir
Querem estar mais tempo com a família mas vão continuando a jogar para evitar que os clubes acabem
Há jogadores quase nos quarenta anos que se mantêm nas equipas de futebol porque os clubes não conseguem cativar futebolistas mais jovens. Sacrificam o tempo que gostariam de estar com a família pelo amor que têm pelos clubes e para evitarem que estes acabem, apesar de considerarem que mais tarde ou mais cedo esse vai ser o desfecho para muitos.
Eduarda SousaHá futebolistas a jogar há mais de 20 anos em clubes de futebol de Benavente. Muitos querem arrumar as chuteiras e dedicar mais tempo à família e ao trabalho, mas os clubes não deixam. O que se passa neste concelho é uma amostra do que acontece em outros clubes. Há falta de jovens com garra para irem para os seus lugares, mas o facto de terem acabado os “ordenados” apetecíveis também explica o que se está a passar.Gualdino Neves, 38 anos, garante que esta é a última época que veste o equipamento da Associação Recreativa do Porto Alto (AREPA). Mas a promessa pode não ser cumprida. Já tinha prometido o mesmo no ano passado, mas voltou perante os pedidos dos dirigentes. Três vezes por semana, depois do trabalho, vai treinar durante uma hora e meia. “Estou numa etapa da minha vida em que quero dar prioridade à minha família e ao trabalho. Nem ao domingo consigo estar com a minha mulher porque saio sempre para os jogos”, explica. A AREPA ainda não conseguiu este ano criar uma equipa de juniores porque não tem jogadores. “Isto um dia vai acabar. Os miúdos já não se interessam pelo futebol. Há carrinhas dos clubes para os irem buscar à porta de casa, mas nem assim”, repara Gualdino Neves. O jogador ainda se recorda dos tempos em que chegava a receber cerca de 250 euros mensais ou mais do clube onde jogava. Estes pequenos incentivos já desapareceram na maioria dos pequenos clubes. Outro veterano, Bruno Pedro, 38 anos, é o jogador mais velho do Grupo Desportivo de Benavente (GDB). Desde os 12 anos que joga futebol. Teve apenas duas passagens rápidas por outros clubes. Casado e com dois filhos, conta com a presença assídua da esposa na bancada. Integrou ainda com outros jogadores as sucessivas comissões administrativas que geriam os destinos do clube por não aparecerem pessoas disponíveis. “Eram tantos os jogos em que antes de começarmos a treinar ainda andávamos a cortar a relva ou a marcar o campo”, lembra Bruno Pedro. O núcleo duro da equipa do GDB é constituído por jogadores com mais de 30 anos. “Tentamos puxar os mais novos mas é difícil. Parece haver uma grande falta de vontade. Não vejo a nova geração a fazer pelos clubes o mesmo que a minha fez e continua a fazer. Não sei como será depois”, conclui. Mais novo mas também com vontade de arrumar as chuteiras está Rui Vale. Há dois anos disse que se a AREPA subisse de divisão, já não jogava mais. Cumpriu a promessa, mas pouco tempo depois não conseguiu dizer não quando voltaram a pedir o seu regresso à equipa. “Lembro-me ainda de ser um miúdo e termos 25 jogadores num plantel de camadas jovens. Deste grupo só um ou dois é que conseguiam chegar à equipa sénior que ia contratar sempre jogadores de outros clubes porque tinham dinheiro para pagar. Hoje já não se conseguem ter equipas de juniores ou juvenis”, refere o jogador de 28 anos de idade. Rui Vale joga desde os seis anos e mesmo quando deixou de receber um subsídio do clube, não conseguiu abandonar o “bichinho” da bola. “Trabalho de segunda a sábado e nem sequer ao domingo consigo estar com a minha esposa”, refere para justificar a vontade de abandonar a modalidade. “Chega a um ponto da nossa vida em que temos de estabelecer os nossos objectivos”, explica. Grupo Desportivo de Benavente vence Torneio do MunicípioO Grupo Desportivo de Benavente (GDB) venceu o Torneio do Município, organizado pela Câmara Municipal de Benavente, que decorreu entre 1 e 2 de Setembro no estádio dos Camarinhais. O GDB, orientado por Luís Semeano, derrotou o Barrosense por 4-1 e obteve o primeiro lugar. Destaca-se a qualidade da equipa da Barrosa que em sete anos de torneio, conseguiu chegar pela primeira vez a uma final. Uma nova comissão administrativa que está a gerir o clube e o novo treinador, Rui Ribeiro, mais conhecido por Muller, estão a dar um novo fôlego à equipa. No jogo em que se disputou o 3º e 4º lugar, o Samora Correia venceu a AREPA por 3-2, numa partida que acabou com os jogadores e técnicos da equipa a protestarem contra o árbitro.
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