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O dia em que os avieiros pedem protecção à santa
O barco de Agostinho Pereira está decorado com primor para participar na tradicional bênção dos barcos avieiros da Póvoa de Santa Iria. É o ponto alto das festas em honra de Nossa Senhora da Piedade. No barco a sua mulher, Maria de Lurdes e a sobrinha, Carla Pereira, dão um toque feminino à decoração da embarcação, antes de esta se fazer ao rio para receber a bênção do padre. O barco de Agostinho Pereira vai juntar-se a outros vinte de várias aldeias avieiras. Por um dia os avieiros da Póvoa esquecem as adversidades da vida e fazem uma festa. Como tantos outros avieiros, o rio ainda é o ganha-pão de Agostinho Pereira. Mas as águas do Tejo dão cada vez menos peixe e ultimamente são os polvos pescados na barra, já bem longe da Póvoa, que vão ajudando a manter a carteira com dinheiro. A sobrinha honra a tradição da família mas não pensa viver da pesca. O mesmo se passa com os filhos de Agostinho e Maria. “Isto é uma vida muito dura. Sempre foi dura e continua a ser”, conta o pescador. A tristeza de ver que os mais novos não querem pescar magoa quem sempre viveu do que o rio dá. “Há jovens com barcos que não pescam profissionalmente porque isto dá pouco. Preferem comprar nas lotas e revender nos mercados”, lamenta Agostinho. Ainda assim há um grupo de avieiros que não se amedronta com as adversidades e, faça sol ou faça chuva, lá estão no rio. À santa pede-se saúde, trabalho e que os proteja nas adversidades. Vida de avieiro é dura, mas é única, conclui Agostinho com um sorriso. Filipe Matias
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