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Pensavam que iam ao teatro mas acabaram num debate sobre dumping
Grupo de Teatro Fatias de Cá promove mais uma conversa no Convento de Cristo
Dois casais combinaram uma saída a quatro e resolveram ir até ao Convento de Cristo depois de terem ouvido falar na iniciativa “Sala de Estudos” do Grupo de Teatro Fatias de Cá. Pensavam que iam assistir a uma peça de teatro. Ao chegarem à cafetaria do monumento estranharam ver a mesa posta. Acabaram a jantar na quarta-feira, 29 de Agosto, com o grupo de actores da companhia de teatro de Tomar, divertiram-se e acompanharam um debate sobre “dumping” numa noite, pelo menos, diferente.O Fatias de Cá está a organizar na última quarta-feira de cada mês, debates sobre diversos temas. Os primeiros foram sobre corrupção e astrologia. Desta vez o tema foi o “dumping” (venda de produtos abaixo do preço de custo), um assunto que esteve na ordem do dia quando o hipermercado Pingo Doce fez a superpromoção dos 50% a 1 de Maio, Dia do Trabalhador. O convidado foi o deputado do Partido Socialista (PS), eleito pelo distrito de Santarém, João Galamba.O jantar, uma jardineira, regada com vinhos ribatejanos, serviu para a confraternização. À excepção dos dois casais, todos os participantes, cerca de duas dezenas e meia, pertenciam ao grupo de teatro de Tomar. Pelo que nos explicaram a iniciativa serve também para juntar os elementos do Fatias de Cá que aproveitam para conviver e trocar ideias. No final do jantar, Paula Junqueira, deu início à conversa, que decorreu à mesa da refeição, depois de duas funcionárias da cafetaria levantarem os pratos. João Galamba prometeu falar apenas dois minutos e depois responder às perguntas que surgissem mas como bom político entusiasmou-se e estendeu a sua palestra inicial por mais de um quarto de hora. Após a explicação inicial sobre o que é o dumping, a conversa acabou por desviar-se várias vezes para a grave situação económica instalada em Portugal e no mundo. Foi o actor e encenador Carlos Carvalheiro que também por diversas vezes, e de forma animada, tentou pôr ordem no debate fazendo-o regressar ao tema proposto. O encenador quis saber se pelo facto da sua companhia de teatro praticar preços mais baixos que a concorrência também estaria a praticar dumping. O orador convidado tranquilizou-o dizendo que dumping só existe entre empresas.João Galamba explicou que o dumping é um flagelo dos tempos modernos e que é cada vez mais uma prática dos grandes grupos económicos. Os pequenos empresários só podem defender-se se o Governo tiver a funcionar como deve as autoridades que supervisionam estas práticas.O deputado desvaloriza a iniciativa do Pingo Doce mas não gostou da data escolhida. “Podia ter escolhido outro dia”, referiu. O debate foi animado e envolveu todos os presentes. A conversa foi sempre sobre coisas sérias mas a certa altura fez-se algum “teatro” que ajudou a animar a conversa. Ao contrário do que é habitual nestas conferências não houve tempos mortos. Os convivas saíram cedo para suas casas porque o orador convidado saiu a tempo de ainda encontrar a família acordada viajando na sua mota em direcção a Lisboa.
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