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A vida no campo é difícil mas alegre
Rosa Maria, Elisabete Alves, Ana Luísa Bento, Filipa Santos, Jesuína Torres, Delfina Tomé e Maria Alice Pereira (da esquerda para a direita

A vida no campo é difícil mas alegre

Sete mulheres que sabem da poda, todas residentes no concelho de Almeirim, falaram com O MIRANTE num dia de sol a meio da jornada, numa vinha no campo de Vale de Cavalos, Chamusca.

Edição de 09.01.2019 | Sociedade

O MIRANTE encontrou sete mulheres no trabalho da poda numa vinha no concelho da Chamusca. O dia era de muito sol mas fazia frio, como é norma nesta altura do ano. A conversa decorreu enquanto trabalhavam e começou um pouco antes da hora do almoço quando o sol já ia alto.
Todas são residentes no concelho de Almeirim e estão habituadas a fazer muitos quilómetros para trabalhar no campo. Aprenderam a podar com camaradas de trabalho e reconhecem a importância de saber usar a tesoura para que a cepa dê uma boa produção. Filipa Santos, a mais nova do grupo, diz que só o ano passado é que aprendeu a podar com Maria Alice. E ainda anda sob vigilância da camarada de trabalho. Maria Alice tem um sorriso franco quando fala com a jornalista de O MIRANTE e diz com orgulho que não se importa de ensinar.
Ana Luísa Bento confirma que ouviu ralhar muitas vezes até aprender a arte da poda. Para ela, no início o mais difícil era enfrentar o receio de estragar a produção das cepas.
Mulheres do campo, trabalham na lezíria do Ribatejo mas também caminham para o Alentejo, como aconteceu o ano passado, onde podaram cerca de 40 hectares de vinha, saindo de Almeirim às quatro da manhã e regressando bem ao final da tarde.
Porque o trabalho no campo é sazonal, admitem que sabem da poda também noutras espécies, e que, com pequenos intervalos pelo meio, estão sempre disponíveis para trabalhar. “Todos sabemos que há falta de mão-de-obra nesta profissão. Não é por acaso que estamos todas na casa dos cinquenta e sessenta anos e não podemos ficar em casa porque as reformas são curtas como toda a gente sabe e sente”, disse Delfina Tomé, já no final da conversa.
Quando quisemos espreitar o farnel de cada uma foi risada geral. Todas tinham sopa e a maioria levava carne para assar. A repórter ainda assistiu a uma parte do almoço, sentadas em bancos e cadeiras que transportaram na carrinha de nove lugares. Não havia vinho para acompanhar a comida porque para as trabalhadoras só é tomado em dias especiais.
Para provar que os homens são dispensáveis, até nos trabalhos do campo, Ana Luísa Bento acumula o ofício de capataz com o de condutora da carrinha.

A vida no campo é difícil mas alegre

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