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Pais de Rosa Grilo dizem que a filha está nas mãos de Deus e da Justiça
Luís Grilo foi assassinado a 15 de Julho na casa onde vivia com Rosa Grilo, nas Cachoeiras

Pais de Rosa Grilo dizem que a filha está nas mãos de Deus e da Justiça

Os pais de Rosa Grilo receberam O MIRANTE na sua casa em Alverca. Oportunidade para contarmos um pouco da vida de um pai e de uma mãe desesperados e em sofrimento. Esta reportagem não inclui fotos dos entrevistados que nos pediram encarecidamente que respeitássemos a intimidade do lar e os seus rostos tristes e enrrugados.

Edição de 09.01.2019 | Sociedade

Antónia e Américo Pina, pais de Rosa Grilo, abriram as portas de sua casa a O MIRANTE, em Alverca, para contarem o inferno em que vivem desde que a sua filha foi detida. Choram pela desgraça da filha e repudiam os comentários da população que ferem a memória de Luís Grilo e o nome da família Pina.
Rosa Grilo está detida há três meses por suspeita de co-autoria do homicídio de Luís Grilo. Desde essa data que os seus pais não conseguem dormir uma noite tranquila, na habitação modesta onde residem no centro de Alverca, enquanto sentem a saúde a degradar-se com o impacto do caso na opinião pública.
O casal Pina abriu as portas do apartamento, num rés-do-chão junto ao Largo São Gonçalo, a O MIRANTE. Pelas paredes da casa onde Rosa Grilo cresceu, há retratos do único neto, Renato Grilo, e fotografias do casal Pina, a preto e branco, tiradas nos seus tempos de juventude. Na sala, junto à lareira, que não acendem há muito tempo, porque enche a casa de fumo, estão espalhados vários jornais e revistas, com artigos sobre o caso.
De dentro da prisão, a viúva continua a receber o afecto e apoio dos seus pais, que não falham uma visita, a menos que a saúde não o permita. Consigo levam os recortes das notícias, a pedido da filha. “Ela quer estar informada de tudo”, refere Antónia Pina, que vai passando os olhos tristes em mais uma revista onde a filha é foto de capa.
O cheiro a queijo em casa é motivo de conversa com a repórter de O MIRANTE: “É para levarmos à Rosa na próxima visita”, esclarece Antónia. Numa das duas visitas semanais, que lhes são permitidas, contam que é habitual levarem queijo e bolachas.
O caso da morte do triatleta das Cachoeiras, cujo corpo esteve mês e meio desaparecido, não dá descanso à família Pina. “Estão-nos a roubar a saúde, não conseguimos ter paz”, afirma o pai de Rosa Grilo, que há três anos foi operado a um aneurisma e sofre de dores na coluna, desde que caiu num dia em que também ele foi à procura do genro.
Magoada com os comentários que lê e ouve acerca da filha, Antónia Pina lamenta a “falta de respeito pela família”. “Se a novela do morto Grilo enjoa tanto, não a vejam, não comentem. E se falarem pensem naquilo que dizem, pois não há ninguém que não erre. Amanhã poderão ter um filho, um neto ou um familiar na mesma situação”, diz a chorar e meio da conversa.

“A minha filha está nas mãos da justiça”
Antónia Pina sofre com vários problemas de saúde que lhe afectam a mobilidade. Passa os dias entre consultas, fisioterapia e a lida da casa, que se enche de alegria quando tem a presença do neto. “Foi criado connosco desde que nasceu. Ficava aqui enquanto a Rosa e o Luís trabalhavam”, conta enquanto pousa a canadiana e tenta acomodar-se na cadeira.
Durante a conversa com a repórter de
O MIRANTE, Antónia Pina vai recordando as memórias de infância da filha, enquanto as lágrimas lhe escorrem pelo rosto. “Sempre foi uma menina muito meiga e sossegada. Podia passar horas sentada a brincar com legos e gostava de brincar na rua com as primas. Quando estava à mesa não saía enquanto não terminava de comer e só depois de perguntar ao pai se podia levantar-se”, conta.
Para falar de alguns predicados da filha Antónia conta que desde miúda que Rosa Grilo demonstra habilidade para artes plásticas. No Estabelecimento Prisional de Tires, a detida compra cartolinas de várias cores para construir pequenas lembranças para oferecer ao filho e aos pais. Enquanto conta mostra flores feitas em cartolina que lhe foram entregues pela filha nas últimas visitas.
Questionada sobre se acredita na inocência da filha, Antónia responde como se tivesse a filha à sua frente: “Rosa, se és culpada acusa-te e se fores inocente defende-te”. E depois acrescenta: “Não há dia em que não chore. Ela está nas mãos de Deus e da justiça. Se pudesse trocava de lugar com ela”.
O primeiro e único namorado que Rosa apresentou aos pais foi Luís Grilo. Namoriscou um outro jovem de Alverca, mas não foi nada sério, conta. Na casa não há retratos do casal Grilo mas Antónia diz que “ Luís era como um filho, era o nosso pilar. Vou chorar por ele enquanto viver”. De vez em quando vou vê-lo no vídeo que O MIRANTE fez com ele, diz emocionada .

Não houve agressão a guarda prisional nem cartas apreendidas
Na sequência da notícia avançada pelo Correio da Manhã sobre uma agressão de Rosa Grilo a um guarda prisional, a Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais já negou o episódio. A história das cartas apreendidas também é mentira, diz a mãe de Rosa que lamenta a desinformação.

Tribunal mantém prisão preventiva para Rosa Grilo e António Joaquim
A juíza do Tribunal de Vila Franca de Xira que conduz o processo do homicídio decidiu manter em prisão preventiva Rosa Grilo e António Joaquim. A decisão foi tomada na segunda-feira, 24 de Dezembro, na sequência do cumprimento da Lei que exige a reavaliação ao fim de três meses da medida de coacção aplicada.
Depois da aplicação da primeira medida de coacção, a 29 de Setembro, a defesa dos suspeitos interpôs um recurso no Tribunal de Vila Franca de Xira a contestar a prisão preventiva, pedindo que lhes fosse permitido aguardar julgamento em liberdade, mas sem êxito.
O Ministério Público ( MP) entende que há fortes indícios susceptíveis de crime de homicídio qualificado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida. Depois da detenção, a 26 de Setembro, o MP reforça que há mais provas de que a viúva e o amante são co-autores do homicídio do triatleta. Ao processo juntam-se as provas recolhidas pela Polícia Científica que provam que a arma usada para matar o triatleta foi uma CZ 7,65mm, pouco comum em Portugal. As características do cano e estrias correspondem às da arma registada em nome de António Joaquim.

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