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Pouca assistência no Enterro do Galo de Alpiarça mas o testamento foi lido
Enterro do galo em Alpiarça foi feito à luz de archotes

Pouca assistência no Enterro do Galo de Alpiarça mas o testamento foi lido

Edição de 19.03.2019 | Cultura e Lazer

Na noite de Quarta-feira de Cinzas, em Alpiarça, o galo, que é sempre culpado de todo o mal que acontece durante o ano e por isso condenado à morte, teve um funeral com padre, sacristão, choros da viúva galinha e das carpideiras e até banda de música mas atraiu pouca gente.
Se quem não foi teve medo do frio ou de ser mimoseado com alguma quadra de mal dizer no testamento do defunto, que é lido em voz alta, não se sabe. Mas lá que foi uma cerimónia feita na presença de apenas meia dúzia de gatos pingados, é a verdade e o vídeo feito e colocado online no site de O MIRANTE confirmam-no.
O enterro iniciou-se com um cortejo que saiu da sede da Filarmónica Alpiarcense 1º de Dezembro, rumo ao Clube Desportivo Os Águias. Durante o trajecto, acampanhado por uma banda de música, raras foram as pessoas que se deram ao trabalho de ir ver o que se passava e raras as que participaram no cortejo feito à luz de archotes.
Um galo verdadeiro foi levado ao colo de um dos celebrantes e não piou. A viúva riu-se mais do que chorou e as carpideiras não carpiram por aí além. As quadras do testamento, lidas pelo padre, ao longo do cortejo e no clube Os Águias eram na sua maioria referentes aos problemas da terra. Ficam aqui algumas.

Minhas senhoras e meus senhores
O enterro vai começar
Quem tiver dores de barriga
Não é agora que vai cagar
Passei hoje pelo campos
E até me impressionei
O cheiro a merda era tanto
Que até me vomitei

Dizem que é do novo produto
Que ali andam a deitar
Trampa de porco aos montes
Para as terras adubar

Alpiarça enganou
Almeirim e Santarém
Construiu e inovou
Num jardim que ninguém tem

É um jardim bem pensado
Para mostrar que há bom gosto
Com cimento em vez de flores
Até fico maldisposto

Fazer um jardim de pedra
Não lembra nem ao diabo
Num mamarracho assim
Ninguém senta lá o rabo

O jardim dos Patudos
É outra grande aberração
José Relvas sonhou-o verde
Hoje entenderam que não

Aquilo foi premiado
E teve uma condecoração
Não espanta que muito em breve
Condecore o meu cão

Os Correios de Alpiarça
São hoje uma saudade
Como nos puderam fazer
Uma tão grande maldade?

Antigamente as cartas
Chegavam com pontualidade
Agora chegam quando chegam
E com grande dificuldade

Nesta vila de Alpiarça
A luz eléctrica tem enguiço
Umas vezes está em alta
E às tantas nem por isso

As árvores da estrada do campo
Em tempos que já lá vão
Faziam um túnel verde
Que nos dava satisfação

Plátanos com 100 anos
Foram cortados de raiz
Por causa de pivôs de rega
É o que por aí se diz

O nosso querido Tejo
Já foi um jardim de peixe
Hoje está abandonado
E não tem a quem se queixe

Passei agora por lá
Na aldeia do Patacão
O que vi deixou-me triste
E partiu-me o coração

Prometeram a meio mundo
Que seria restaurada
As décadas foram passando
Já lá não há quase nada

Fui há dias passear
No circuito pedonal
Mas tive uma grande surpresa
Porque tudo correu mal

Procurei-o pelo campo
Junto à Vala Real
Mas do circuito nem o cheiro
Aquilo cheirou-me mal

Ali se gastaram milhões
Dele pouco ou nada resta
Estragado por grades de disco
Agora nada ali presta

O enterro que tantos temiam
Está já quase acabado
Um funeral que alguns queriam
Que não tivesse começado

Pouca assistência no Enterro do Galo de Alpiarça mas o testamento foi lido

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