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Um ‘menino do Rio’ que decidiu fazer vida em Santarém
Gabriel Immendorff nasceu no Rio de Janeiro mas decidiu viver em Portugal devido à insegurança que se vive na sua cidade. Está a gerir o bar R25 Tapas, no Jardim da República, em Santarém

Um ‘menino do Rio’ que decidiu fazer vida em Santarém

Gabriel Immendorff é proprietário do bar R25 Tapas, no Jardim da República, em Santarém. Foi através da Internet que o empresário natural do Rio de Janeiro descobriu uma oportunidade de negócio que lhe trocou as voltas e o trouxe até Santarém. Não se está a dar mal, mas queixa-se que em Portugal há sempre uma surpresa burocrática à espreita.

Edição de 24.07.2019 | Identidade Profissional

Gabriel Immendorff, 35 anos, era um homem feliz no Rio de Janeiro, cidade brasileira onde passou a mocidade e constituiu família. Mas o facto de se sentir cada vez mais inseguro quando andava na rua e de estar cansado de ver a filha a não ter a infância que devia, fez com que decidisse fazer as malas e viajasse para Portugal no ano passado.
Os planos passavam por ir viver para as proximidades de Lisboa, mas as intenções mudaram quando viu no site da Câmara de Santarém na Internet que estava aberto um concurso para concessão da cafetaria do Jardim da República, na cidade ribatejana onde já tinha família. Ganhou a concessão e hoje gere o bar R25 Tapas, dividindo o seu dia entre a papelada, organização de eventos e a sua família.
Gabriel Immendorff, carioca de gema e com uma costela alemã por parte dos pais, sempre foi uma criança mexida e sociável, tanto que ainda hoje gosta de se meter em tudo e com todos. Com primos da mesma idade que considera como verdadeiros irmãos, a infância do empresário de 35 anos foi passada a brincar com legos e carrinhos, a jogar futebol e a surfar na praia. “Só tive a minha primeira consola de jogos aos 18 anos”, conta, referindo que ainda chegou a fazer parte da equipa de voleibol do Flamengo entre os 12 e os 16 anos, altura em que uma complicação num joelho o levou a abandonar a modalidade.
Licenciou-se em periodontologia (área da medicina dentária que se dedica ao estudo, diagnóstico e tratamento das patologias que afectam os tecidos de suporte dos dentes ou seja osso de suporte dentário e gengiva) e foi ainda como estudante que começou a interessar-se pela área dos eventos, ajudando a organizar muitas festas na faculdade.
“Os meus primeiros eventos eram para cem pessoas. Depois para mil, dois mil e foi crescendo cada vez mais até organizar um festival para 35 mil pessoas – o Green Rock Festival – que teve também transmissão na televisão brasileira”, adianta o empresário que foi ainda coordenador da parte estrutural nos Jogos Olímpicos 2016 antes de decidir emigrar para Portugal, em Maio do ano passado. “Vim primeiro de férias e o objectivo era viver perto da capital, nunca na cidade onde vivem os meus primos”, confessa, adiantando que foi em Novembro de 2018 que viu o edital no site do município e decidiu concorrer por considerar que o espaço era bom e bem situado.
Casado e com uma filha de dois anos, Gabriel Immendorff conta que o seu dia-a-dia é sempre muito movimentado, sobretudo às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriado à noite. O empresário acorda sempre pelo meio-dia. É já depois do almoço que costuma deslocar-se até ao bar para começar a trabalhar. “Normalmente vejo os stocks de bebidas, monto a programação de eventos da semana e actualizo as redes sociais”, conta o empresário que fica todos os dias no estabelecimento até às três da madrugada. Os poucos tempos livres que tem são dedicados inteiramente à família.
Gabriel Immendorff não tem dúvidas que, neste momento, ser empresário em Portugal é uma loucura, especialmente quando se acabou de chegar de outro país. “Como não conhecemos as leis é necessário contratarmos advogados. Além disso há sempre uma surpresa burocrática”, conta, dizendo que os três primeiros meses depois de abrir o negócio foram os mais difíceis de lidar.
Com uma clientela sobretudo nocturna, o emigrante brasileiro confessa que ainda existem poucos bares abertos até mais tarde em Santarém. O mesmo acontece, admite, com os restaurantes na cidade. “Aos domingos e feriados são poucos os locais onde se fazer uma refeição”, referiu o empresário.

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