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Fátima podia ser concelho e os políticos deviam fazer uma melhor gestão do turismo
Fisioterapeuta de profissão Filipe Ferreira diz que por vezes também faz de psicólogo

Fátima podia ser concelho e os políticos deviam fazer uma melhor gestão do turismo

Filipe Ferreira nasceu em Ourém, trabalha em Tomar e vive na cidade de Fátima. É fisioterapeuta porque não conseguiu entrar em Medicina, mas diz que foi o melhor que lhe podia ter acontecido. Filipe Ferreira foi totalmente vegetariano vários anos, mas recentemente começou a incluir algum peixe e mariscos na sua dieta. Diz que o turismo em Fátima, onde reside, está massificado, o que acaba por ser desgastante para quem lá vive.

Edição de 24.07.2019 | Três Dimensões

Durante anos todas as auto-estradas que se fizeram não chegavam a Tomar. As empresas saíram daqui porque o concelho perdeu a ligação com os grandes centros. Agora já existe a A13 e o IC9 e fazem falta empresas industriais como antigamente. É preciso trazer mais investimento para cá. As casas e os terrenos em Tomar também eram muito mais caros e as pessoas fugiram para outras localidades.
O Instituto Politécnico de Tomar é fundamental para o concelho. Dá-lhe alguma vida porque traz para cá muitos alunos. Se não houvesse o Politécnico o concelho estava ainda mais morto.
Sou fisioterapeuta porque, felizmente, não entrei em Medicina. Quando andava no 12º ano estava na área de Ciências, mas indeciso em relação ao futuro profissional. Inicialmente, a minha escolha até era na área da Biologia e Bioquímica. Depois comecei a virar-me para a área da Saúde e hesitava entre Medicina e Fisioterapia. Entrei em Fisioterapia mas ainda pensei mudar. Não o fiz e fiz bem porque é isto que me realiza.
Faço domicílios por causa das pessoas com pouca mobilidade. E faço de psicólogo muitas vezes porque há pessoas que têm necessidade de falar da sua vida. Todo o profissional da saúde acaba por o ser. Também dou aulas de ginástica fisioterapeutica e pilates clínico que é uma variante do pilates normal mas adaptado à condição e patologia clínica de cada paciente.
Os ginásios são bons mas são espaços fechados e o treino é condicionado. Normalmente faço exercício físico ao ar livre. Faço corrida e jogo basquetebol, modalidade que pratiquei na adolescência. Tenho formação em parkour e de vez em quando também pratico.
Também aproveito as leituras para aprender mais sobre os comportamentos das pessoas. O último livro que li, numa edição em inglês, chamava-se “The meaning of life”. O autor é Viktor Frankl. Ele foi prisioneiro num campo de concentração nazi e relata a sua história. Depois da guerra tornou-se neuropsiquiatra. Também gosto de estudar casos clínicos para melhorar a minha formação profissional.
Não como carne há vários anos. Já fui completamente vegetariano, mas hoje em dia não sou para facilitar as coisas em casa, porque a minha mulher não o é. Também tive uma altura de carências vitamínicas e achei que seria bom comer peixe e marisco, de vez em quando, mas não como carne. As minhas refeições são predominantemente vegetarianas. Quatro anos depois de me ter tornado vegetariano experimentei comer uma picanha e não me soube nada bem, fiquei mal disposto.
A justiça não é igual para todos e quem não tem dinheiro não avança com processos mesmo que tenha razão porque é caro. E na área da saúde é a mesma coisa. Quem tem dinheiro tem acesso a cuidados de saúde que os menos afortunados não conseguem ter. Com isto não estou a dizer que o Serviço Nacional de Saúde não é bom mas quem tem dinheiro consegue mais rapidamente o acesso aos cuidados de saúde necessários.
Fátima precisa ser concelho e ter autonomia. Muitos fatimenses gostariam de pertencer ao distrito de Leiria. Não se revêem no Ribatejo e nas suas tradições e Leiria fica mais perto. Em Fátima faz falta uma melhor gestão do turismo que neste momento é muito massificado e, em certos aspectos, acaba por ser desgastante para quem lá vive e trabalha.
A maioria das crianças de hoje não se mexe tanto como há 30 anos. Rapazes e raparigas estão muito ligados às novas tecnologias e não gastam tanta energia como nós gastávamos antigamente. Isso faz com que não exista tanta coordenação motora e capacidade funcional. Claro que desenvolvem outras capacidades a nível cognitivos. Conheço muitos miúdos que estão lado a lado e estão nos telemóveis a mandar mensagens um ao outro e o problema é que também há adultos a fazerem isso.

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