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Pescar é um desporto de paciência
João Raimundo começou a pescar há mais de quarenta anos

Pescar é um desporto de paciência

Quem sabe ser paciente envelhece mais devagar, diz João Raimundo, um pescador do Pego, Abrantes, que participou num concurso na albufeira dos Patudos, em Alpiarça. “A pesca é como tudo na vida: se não encontramos um bom sítio estamos tramados”.

Edição de 23.10.2019 | Desporto

Trinta e oito atletas, 19 em cada uma das margens da Barragem dos Patudos, participaram na manhã de 6 de Outubro num torneio de pesca desportiva, organizado pelo Clube Desportivo “Os Águias”, de Alpiarça, num programa que faz parte de um conjunto de actividades inseridas nos festejos do 97º aniversário do clube. O MIRANTE foi à pesca de histórias numa prova de pesca desportiva onde nem sempre quem apanha mais peixes é quem vence. “Numa prova que dura quatro horas ganha quem tem muita concentração mental e foco no que está a fazer”, explica no início da prova um dos participantes.
Sentado numa das margens, João Raimundo segura a sua cana de pesca francesa, que custou quatro mil euros, usando a melhor técnica para tentar conquistar o primeiro lugar na prova. O repórter tomou boa nota das manobras com a cana de pesca mas remete todos os leitores interessados para as revistas da especialidade se quiserem saber mais sobre o assunto. João Raimundo confessa que já pescou cerca de 70 quilos de peixe numa prova e que o máximo que viu pescar na barragem foi 120 quilos.
Quando tentamos descer a barreira e chegar junto do pescador ouvimos um sonoro aviso que nos fez recuar: “Não venha para aqui dar azar e não se mexa muito. Os peixes têm ouvidos de tísico”, adverte, antes de consentir a aproximação.
Aos 73 anos e reformado, João Raimundo faz da pesca o seu principal passatempo e diz tirar bastante proveito. “Não pesco todos os dias, mas quase. Não vê este meu bom aspecto”, questiona, para enaltecer a sua boa aparência física numa idade já avançada. “A pesca fez-me aprender a ser paciente. E quem sabe ser paciente envelhece mais devagar”, explica em jeito de brincadeira.
Enquanto lança o isco João Raimundo partilha algumas memórias e viagens que fez à conta da pesca. “Ainda a semana passada classifiquei-me para o campeonato do mundo na Eslovénia”, afirma orgulhosamente para explicar que vai para o seu sétimo campeonato do mundo e que já competiu em Inglaterra, Bélgica, Croácia, Servia, tendo obtido uma medalha de bronze em Portugal. “Se não fosse a pesca não tinha vivido o que já vivi”, conclui.
A viver no Pego, concelho de Abrantes, João faz parte do Clube de Amadores de Caça e Pesca do Pego e conta que a aventura começou há mais de quarenta anos quando um amigo o desafiou. Hoje em dia tem uma pequena loja de pesca embora nunca tenha conseguido arranjar seguidores na família. “É muito difícil conseguir fazer com que as pessoas gostem da pesca. Os interesses são outros e não me parece que sejam melhores”, explica, para justificar a pouca aderência por parte dos jovens.
João Raimundo considera a albufeira dos Patudos um excelente local para pescar e critica as pessoas que dizem que quem faz pesca desportiva maltrata os peixes. “Nesta barragem os pescadores são acusados de maltratar dos peixes. Quem faz as asneiras são as pessoas que vêm para aqui pescar e deixam lixo por aí e a barragem num estado lastimável”, afirma, concluindo que a pesca desportiva devia ser mais respeitada a exemplo de outros desportos.
É preciso fazer sacrifícios, gostar muito de pescar, ser muito dedicado, ter bom material, mas fundamentalmente ter sorte. A pesca é como tudo na vida: “se não encontramos um bom sítio estamos tramados”, diz a terminar a conversa o pescador João Raimundo.

Pescar é um desporto de paciência

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