Cheiro a ácido junto a fábricas motiva queixas em Vila Nova da Rainha
Problema já foi discutido em reuniões da Câmara de Azambuja, mas continua sem estar identificada a origem do forte cheiro a ácido. Suspeitas recaíram sobre empresa de reciclagem de baterias, que garante cumprir a legislação em vigor.
Alguns moradores de Vila Nova da Rainha e trabalhadores das fábricas instaladas ao longo da Estrada Nacional (EN) 3 queixam-se do constante cheiro a ácido junto a uma fábrica de baterias. As queixas já chegaram à Assembleia da República e à Câmara de Azambuja, mas o problema arrasta-se sem solução.
O odor intenso e desagradável a ácido proveniente de uma das fábricas sediadas junto à EN3, em Vila Nova da Rainha, está a deixar moradores e operários fabris preocupados com a saúde e meio ambiente. Diariamente, principalmente ao final da tarde e noite, sente-se o cheiro a ácido e a queimado, de origem desconhecida. “É raro o dia em que não se sente e em dias de maior vento é tão forte que até custa respirar”, refere Gracinda Cardoso, que mora junto às fábricas.
Os cheiros desagradáveis são normalmente arrastados pelos ventos para uma zona onde residem cerca de duas dezenas de pessoas, afectando também os operários que trabalham naquela zona. “Não se pode com o cheiro a ácido, estão a estragar o nosso mundo”, lamenta João, trabalhador numa empresa do ramo automóvel instalada naquela área.
As suspeitas apontam para a fábrica de reciclagem de baterias Exide Technologies Recycling. Contactada por O MIRANTE a empresa, com sede nos Estados Unidos da América, não se alonga em respostas, referindo apenas que trabalham com tecnologia de ponta e que cumprem com a legislação em vigor.
Queixas chegaram à Assembleia da República
O grupo parlamentar do Partido Ecologista Os Verdes já reagiu às queixas da população e, depois de constatar no local o forte cheiro a ácido, questionou o Governo, através do Ministério do Ambiente, sobre “a presença de gases na atmosfera, contendo ácido sulfúrico, cuja proveniência poderá ter origem na Exide Technologies Recycling”.
Em resposta, a que O MIRANTE teve acesso, o Ministério do Ambiente revela que a fábrica foi inspeccionada pela última vez, em 2018, pela Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), não tendo sido detectada qualquer situação de incumprimento relacionada com emissões atmosféricas.
Executivo camarário visitou a fábrica de baterias
O assunto foi também levantado pela oposição PSD e CDU na Câmara de Azambuja, com os vereadores Rui Corça (PSD) e David Mendes (CDU) a perguntarem ao executivo de maioria socialista se tem fiscalizado as operações naquela fábrica, em específico. O presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa (PS), propôs uma visita à Exide Technologies, que se realizou a 8 de Outubro, para que os restantes membros do executivo pudessem avaliar de perto as soluções técnicas utilizadas no processo de reciclagem.
Mais compreensivo depois da visita, Rui Corça revelou a O MIRANTE que é utilizado ácido na destruição das baterias, mas que, segundo a Exide, os filtros das chaminés que minoram o nível de poluição atmosférica foram substituídos há poucos meses. Notou, porém, um forte odor a queimado, resultante da separação do chumbo.
Sobre a libertação de vapores de ácido sulfúrico poder estar a corroer viaturas e estruturas metálicas, nomeadamente um poste de linha de alta tensão, visíveis na área envolvente, a Exide terá explicado durante a visita que se trata de poeira de fuligem resultante do processo de reciclagem. “Se estivesse a corroer aquelas estruturas, provavelmente já teriam caído”, frisou o vereador.
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