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“Estive dois anos numa cadeira de rodas mas consegui voltar a andar”
Nuno Pedro ficou com o negócio do pai que também era taxista em Torres Novas

“Estive dois anos numa cadeira de rodas mas consegui voltar a andar”

Nuno Pedro tem 47 anos e é empresário de táxi em Torres Novas. Nuno Pedro trabalhava na área da metalomecânica quando, em 2008, teve um acidente de viação que o atirou para uma cama de hospital e depois para uma cadeira de rodas. Foram quatro anos muito difíceis. Colocou próteses nas pernas e braços e refez a sua vida. Reformar-se por invalidez nunca lhe passou pela cabeça. Quatro anos após o acidente ficou com o negócio do pai, que era taxista em Torres Novas, e apaixonou-se pela profissão.

Edição de 23.10.2019 | Três Dimensões

Não terminei o curso de engenharia metalomecânica porque tive boas ofertas de trabalho e optei por ir trabalhar. Ainda tentei concluir o curso à noite mas o volume de trabalho era muito grande e não consegui. Fiz várias formações relacionadas com a área para compensar.
Tive um acidente grave e estive dez dias em coma e dois anos numa cadeira de rodas. Foi em 2008 e foi a altura mais complicada da minha vida. Ia a conduzir devagar quando, numa curva, um carro, que seguia em sentido contrário, entrou em despiste e embateu no meu automóvel, que foi para a sucata.
A recuperação física foi muito difícil. Estive dois anos à espera que se voltasse a formar o calo ósseo para que fosse possível implantar próteses nas pernas e nos braços. Só com muita fisioterapia é que consegui recomeçar a andar.
Sempre acreditei em algo superior a nós e naquela altura foi o que me valeu. Nunca perdi a esperança de voltar a andar e a refazer a minha vida. Nunca duvidei que iria conseguir dar a volta por cima apesar de ter sido um processo muito demorado.
Reformar-me por invalidez nunca foi opção. Em 2012 comecei a andar e quis logo procurar trabalho. Não tenho feitio para estar parado. Estive tantos anos parado que quis começar a mexer-me e a viver novamente.
Nunca imaginei que um dia seria taxista. Na altura em que comecei a procurar trabalho o meu pai, que sempre foi taxista, reformou-se. Fiquei com o negócio dele. Queria era estar activo e acabei por gostar deste trabalho. Não tenho medo de conduzir nem de andar na estrada. Já tive receio de ir buscar clientes que não conhecia porque houve uma altura de maior insegurança em Torres Novas mas agora já passou.
Sinto-me seguro, inclusive à noite. Fiz um protocolo com a discoteca da cidade e vou buscar e levar clientes que querem ir para a discoteca ou, ao final da noite, quando querem regressar a casa.
Comprei o táxi apto para pessoas com mobilidade reduzida e o negócio tem crescido. O carro tem capacidade para transportar até oito passageiros e pessoas em cadeira de rodas. É o único em Torres Novas. Foi um bom investimento. Há pessoas, sobretudo os mais jovens, que pedem esse táxi para partilharem a despesa.
Os carros eléctricos são a solução mais viável para o futuro. Tanto em termos ambientais como financeiros. Estou muito atento ao desenvolvimento das baterias dos carros eléctricos e pondero comprar um. Acredito que compensa bastante. O único problema são as baterias que estão limitadas no número de quilómetros e no tempo de carregamento.
Sou simpatizante do Sport Lisboa e Benfica mas não discuto futebol. Não vou ao estádio ver os jogos. Vejo na televisão mas não deixo de fazer o que gosto para ver futebol.
Sou adepto de redes sociais mas para estar informado. Estas só não são boas quando se começa a discutir política ou futebol. As pessoas tornam-se muito críticas e algumas até agressivas.
Um bom fim-de-semana é aquele que é passado em família, com amigos ou em férias. Gosto de viajar e conhecer Portugal. No Verão vou para a praia e também gosto de ver o mar no Inverno. Durante o ano inteiro gosto de ir para a serra e para o interior do nosso país, que é muito bonito.
O voto electrónico seria uma solução para combater o abstencionismo. Alguma coisa tem que mudar porque nem todas as pessoas têm possibilidade de se deslocar às urnas. Claro que há pessoas comodistas mas se houvesse a hipótese de votar em casa talvez as coisas melhorassem. Voto sempre. É um direito e um dever que todos temos.

“Estive dois anos numa cadeira de rodas mas consegui voltar a andar”

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