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Aniversário dos Bombeiros de Azambuja marcado pelas críticas
André Salema (à esquerda) foi uma das vozes críticas nos discursos da sessão solene dos bombeiros de Azambuja

Aniversário dos Bombeiros de Azambuja marcado pelas críticas

Comandante diz que os bombeiros estão a ser tratados como os bastardos da Autoridade Nacional de Protecção Civil e pediu à deputada que assistia à sessão para levar alguns recados para Lisboa.

Edição de 01.02.2020 | Sociedade

Azambuja é um concelho com três focos de risco elevado - industrial, ferroviário e rodoviário - e por isso o comandante da corporação, Ricardo Correia, admitiu na tarde de domingo, 19 de Janeiro, que não consegue dormir descansado. Não tem ao seu dispor todos os meios que necessitaria mas elogiou ter “os melhores homens e mulheres” ao seu lado.
O operacional abriu em tom crítico os discursos da sessão solene dos 88 anos da corporação com alertas e com um diagnóstico alarmante sobre o ponto de situação daquela classe profissional. Ricardo Correia pediu a Vera Braz, deputada do PS no Parlamento, que é de Azambuja e assistia à sessão, para levar para Lisboa o desabafo dos dirigentes locais face à “vergonha” que disse existir na falta de financiamento e no concretizar de medidas já aprovadas mas que não estão em prática, como o Fundo Social do Bombeiro e os descontos nas creches.
“É preciso mudar o paradigma dos bombeiros. Para os vários Governos temos sido colocados de lado, somos filhos de ninguém, somos uns bastardos da Autoridade Nacional de Protecção Civil e estamos a ser tratados como tal”, criticou. O comandante lamentou ainda que a Liga dos Bombeiros Portugueses esteja “desfasada da realidade” e defendeu a necessidade de sangue novo, “sem ser as velhas pessoas a preto e branco”, ironizou.
Ricardo Correia voltou a defender a união das corporações de Azambuja, alertando também para o facto do actual quartel dos bombeiros de Azambuja ter extravasado a sua capacidade. “No dia em que acabem os quadros comunitários não sei o que será dos bombeiros. Ser bombeiro hoje em dia é muito difícil. É preciso muita paciência”, rematou.
Também André Salema, presidente da direcção, lançou duras críticas ao governo, lamentando a existência de “dívidas significativas” do Serviço Nacional de Saúde e do Instituto Nacional de Emergência Médica às corporações, incluindo Azambuja. Criticou também a cobrança de estacionamento aos bombeiros que vão aos hospitais da região em serviços de urgência e transportes e a “incompetência e falta de vontade política” para acabar com a asfixia que disse estar a ser imposta aos bombeiros. A unificação das corporações do concelho, melhorar a eficiência e nivelar os vencimentos no quartel foram algumas das prioridades apontadas pelo dirigente.

Aniversário dos Bombeiros de Azambuja marcado pelas críticas

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